Por Catarina Maria B. de Almeida | FratresInUnum.com – 2 de julho de 2018

Os espólios de Orlando Fedeli continuam a ser divididos. Agora, Alberto Zucchi, presidente da Associação Cultural Montfort, racha de vez com a viúva Ivone Fedeli, a temida Senhora Dona Ivone, diretora do Colégio São Mauro.

Distantes há um bom tempo, agora se separaram de vez, cada qual com seu clero: Zucchi, servido pelos padres do Instituto do Bom Pastor (IBP); Ivone, por Pe. Edvaldo Oliveira, da diocese de Ciudad del Este, o qual, apesar de não carregar o sobrenome Fedeli, foi “adotado” por ela como seu filho.

O motivo da querela? A participação de Ivone Fedeli e suas consórores na Celebração da Palavra oficiada por Dom Odilo Scherer, na abertura do sínodo arquidiocesano de São Paulo. A ela, não foi concedida a mesma tolerância que Zucchi deu a si mesmo quando convidou dom Odilo para pregar Amoris Laetitia no congresso da Montfort, ou que concede a padres do IBP, que reconhecem, sem nenhuma cerimônia, assistir a Missa no rito de Paulo VI quando necessário (por exemplo, o Padre Paul Aulagnier, incensado pelos membros da Montfort como grande combatente da Tradição). 

O leitor pode conferir a aula completa de Alberto Zucchi no próprio facebook da Associação Cultural Montfort ou pode também escutar apenas o trecho abaixo, que recortamos da aula.

Para facilitar a compreensão, transcrevemos alguns extratos da fala de Alberto Zucchi:

“Algumas pessoas que se dizem da Montort foram nessa ocasião. É claro que não me pediram licença pra ir. Eu não posso impedir, eu não posso amarrar ninguém na cadeira. Mas evidentemente essas pessoas fizeram muito mal e fizeram contra a direção da Montfort. Se eu tivesse possibilidade, eu teria impedido. Segundo, foi feito de forma oculta, porque isso aqui ficou-se descobrindo (sic!) por mero acaso: uma parente de uma pessoa nossa filmou e nós fomos atrás; porque, se fosse, possivelmente, por essas pessoas, isso daqui, de fato, nunca teria sido divulgado. Então, isso daqui foi uma coisa escondida e condenada pela direção da Montfort”.

“Esse ato foi condenado pela direção da Montfort e, quando oportuno, isso será publicado no site. Isso foi condenado. Estão contra todos os princípios da Montfort porque, em primeiro lugar, por todas essas razões (sic!); em segundo lugar, porque o Professor (Orlando Fedeli) sempre condenou essas porcarias. Se o Dom Odilo disser pra nós que vai acabar a Missa antiga em São Paulo, a não ser que a gente vá na Liturgia da Palavra, eu vou dizer pra ele: pode encerrar! Eu (sic!!!) vou mandar o Pe. Tomás embora. Eu vou chorar, eu vou me despedir do Pe. Tomás chorando e vou dizer pra ele ‘até logo’”.

“Eu escrevi para a pessoa que exercia uma liderança ali naquele local, perguntando pra ela: ‘quais são as razões que te levaram praquela (sic!) situação?’, e argumentando. A pessoa não respondeu, não me respondeu, e disse pra outro que ‘eu não tenho obrigação de responder pro Alberto’. É claro que ela não teria, mas, como ela se diz da Montfort, ela passa a ter. Afinal de contas, então… que associação é essa?”

“Eu recomendo pra vocês assistirem o vídeo do sínodo, que é um vídeo de duas horas e quarenta minutos”. D. Lúcia Zucchi exclama, com voz de dor: “Ah, não! Não! Não!”. Alberto Zucchi prossegue: “Podem pular de vez em quando, mas eu recomendo assistir o vídeo do sínodo pra vocês entenderem bem o que é a Liturgia da Palavra, que a gente tá brincando aqui, mas vocês verem como é que é lá. E depois tem o sermão do Dom Odilo. Eu recomendo pra vocês ouvirem com atenção a descrição que ele faz da situação da Igreja aqui na Diocese. É trágica! É trágica! Ninguém reza, ninguém comunga, ninguém confessa, ninguém conhece nada, não tem vocações. Qual é a solução que ele dá? ‘Ah, se reúne todo mundo entre as paróquias pra perguntar quais são os problemas’. Quando você não quer dar solução pra uma coisa, você convoca uma reunião. (risos) Mas não tenha dúvida! O jeito mais eficiente para não dar solução pra uma coisa é convocar uma reunião”.

Numa postagem posterior no Facebook, um leitor se queixa das “freiras da Montfort” (sic!) que participaram da Celebração da Palavra. A página respondeu que “em vista do questionamento a respeito da participação de membros da Montfort em celebração da ‘Liturgia da Palavra’, esclarecemos que na segunda aula do atual ciclo de palestras sobre a Nova Liturgia este assunto foi abordado. Nesta ocasião foi informado que os que compareceram naquela celebração o fizeram à total revelia da direção da Montfort e que, questionados sobre o seu procedimento, permaneceram em silêncio sem apresentar nenhuma explicação. Ademais, todos os que lá estiveram, deixaram voluntariamente de frequentar a Montfort”. Perguntada por outro leitor se a Sra. Dona Ivone não fazia mais parte da Montfort, respondeu-se: “isso mesmo, ela não faz mais (parte)”.

A propósito, d. Ivone acaba de fundar, sob as bênçãos de Pe. Edvaldo, uma espécie de ordem religiosa feminina dedicada a Santa Escolástica, o que teria contrariado grandemente o espírito laical de Alberto Zucchi, que só permite alguma clericalização se for debaixo da égide do IBP. Ao fim, esse parece ser o cerne da disputa: a iniciativa de Ivone de fundar uma comunidade religiosa distante do raio de influência (ou seria do governo?) de Zucchi e de seu IBP, buscando diretamente o reconhecimento da Arquidiocese de São Paulo, sem se sujeitar à “liderança” do presidente da Montfort.

Ironias da vida. Décadas atrás, o hoje Mons. João Clá Dias indispô-se com o grupo dos veteranos da TFP exatamente pelos mesmos motivos: tendo começado um apostolado com mulheres, intencionava criar um ramo feminino, um projeto de vida religiosa para as moças que desejassem viver a espiritualidade de Plínio Corrêa de Oliveira. Estabeleceu-se a contenda e o cisma consumou-se. A TFP continuou pelo caminho laical, e João Clá seguiu pelo seu.

Agora, a história se repete nesses que um dia militaram nas fileiras da TFP e depois se puseram em oposição a ela. Vivem não apenas para criticar Plínio, mas também para, nos fatos, imitá-lo.

Não sabemos de que modo terminará esse embate. O que se diz é que Ivone-Edvaldo seguem sendo um ramo mais puritano e rigorista da Montfort; e Zucchi-IBP um ramo, digamos, mais liberal, ao menos do ponto de vista dos costumes. Contudo, a narrativa de Zucchi no vídeo mencionado se pretende oposta a essa leitura: Ivone seria concessiva ao progressismo, por causa da Celebração da Palavra; e ele seria mais fiel ao seu defunto marido que a própria viúva.

O colégio, porém, não sabemos como ficará. Possivelmente seja objeto de disputa. Ignoramos! Diz-se, porém, que Alberto Zucchi fundará seu próprio colégio — algo bastante razoável para quem se apresenta sempre com o título de “Professor”, apesar das graves dificuldades para escrever simples artigos.

Fato é que o assunto começa a ser amplificado para fora dos muros misteriosos da Montfort. E não poderia ser diferente! Ficar-lhes-ia mal um exagerado segredo. Poderia ocorrer a alguém a ideia de que eles são gnósticos — Deus nos defenda!

Burlesca ou não, eles não deixam de ser uma reprodução do modelo ao qual, querendo tão veementemente negar, acabam por retro-afirmar inconscientemente: não conseguem senão ser uma tentativa de rascunho do Plínio Corrêa de Oliveira.

Será que as novas “religiosas ivonianas” também usarão botas ou se contentarão com uma sandália preta de croques e um meião branco, tipo de futebol?…

TFP-Arautos, Montfort-São Mauro, paralelos interessantes de grupos que, um dia unidos, terminaram divididos!

Fonte: FratresInUnum.com

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