A segunda leitura deste domingo da Transfiguração parece enfrentar o discurso sobre religião dos ambientes acadêmicos de nossos jovens.

Diante das soberbas teorias que fazem nossa juventude lançar fora a fé que receberam dos pais e comunidade, considerando-a como um mero mito da antiguidade com um incremento medieval, diz-nos S. Pedro – “…não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua majestade.”. Pedro não fala como um teórico, ele diz que tudo que falam os apóstolos, falam porque testemunharam, falam porque viram com os próprios olhos. É como se Pedro estivesse alertando a comunidade que os fatos testemunhados – Deus que se faz homem; Jesus que mostra sua glória; Jesus que ressuscita dos mortos e sobe aos céus – por serem tão extraordinários poderiam entrar em descrédito pelos ouvintes. Pois o homem quando não consegue ter domínio total de algo, prefere, muitas vezes, negar ou desconsiderar o ocorrido do que admitir que o mistério é de fato o real.

A fé e doutrina professada pela Igreja está baseada exatamente na realidade, na profissão de testemunhas oculares. O problema é que considerar a doutrina e os fatos proclamados pelos apóstolos como a verdade que receberam de Deus, nem sempre é estar de acordo com o que todo mundo pensa ou com o que é mais fácil e fisicamente “prazeroso”.
Siga-me com a razão… Se a fé da Igreja é algo que vem de testemunhas oculares do Deus encarnado e não fruto de elaboração de suposições de um escritório de algum teórico, o que é mais racional aderir como verdade?

Um outro ponto que dá o grande crédito da verdade professada: essas testemunhas oculares sustentaram tal verdade na perseguição e deram a vida por ela, não foi para receber aplausos, cargos, ascender na carreira e nem para justificar a própria libertinagem, deram a vida pelo que viram e transmitiram.
Assisto com grande dor no coração jovens nossos, nossos filhos, membros assíduos de nossas comunidades, abandonarem a fé depois que entram em alguns cursos de faculdades do nosso país. Renegam a Deus, a doutrina, a fé, como se tivessem vivido até ali uma fábula, um conto habilmente elaborado. Acreditam facilmente no famoso professor ateu, ou nos descolados amigos do novo convívio e pisam, cospem, desconsideram o que receberam das pessoas que mais os amam – pais, familiares, comunidade etc. Jogam no lixo algo testemunhado, vivido; desprezam o que se transmitiu de testemunhas oculares para assumir como verdadeiro e basilar em suas vidas o que os “sábios” e, incontestavelmente, teóricos deste mundo dizem que é verdade.

As testemunhas oculares de Deus dizem – “eu vi o Senhor”; “Ele fundou a Igreja”; “Ele deu seus mandamentos”; “Ele ressuscitou”. Os teóricos dizem – “Deus morreu”; “A religião é o ópio do povo”…
Para as testemunhas oculares do fato – descrédito; para os teóricos – aplausos. Algo bem racional, né?
Vendo assim percebe-se que só trocaram de fé, porém assumiram uma sem fundamento consistente.

Se por ventura alguns de nossos antigos jovens me acompanharam até aqui, quero dizer que meu coração de padre chora de angústia, cansa-se de preocupação e reza por vocês. Não sei se as pessoas de seu novo ambiente dariam a vida pela bandeira que levantam, mas os santos deram pela fé da Igreja. Não sei se suas novas amizades querem seu verdadeiro bem, mas o padre, a Igreja, a comunidade e sua família não querem que vocês voltem-se a Deus por pretenderem ter companhia numa balada ou receberem aplausos e reconhecimento de pessoas importantes, ou ainda por utilizarem sua juventude para interesses particulares, mas por amar vocês como Jesus.

Espero que um dia, o que hoje vocês consideram como fábula e uma historinha opressora e antiga, descubram que, na verdade, é o fundamento de sua vida!

Deus abençoe!
Padre Matheus Pigozzo

Fonte: Facebook oficial do Padre Matheus

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