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sexta-feira, dezembro 3, 2021

“Alcançará luz e ciência perfeitas”

Ao trilhar o caminho do calvário, Cristo mostra a necessidade de tomar uma atitude altaneira diante dos reveses e dificuldades da vida.  

Redação (16/10/2021 17:26, Gaudium Press) Uma das coisas talvez mais avessas à natureza humana é o sofrimento; o homem é capaz de fazer de tudo para não sofrer física ou moralmente. A Liturgia deste domingo, todavia, nos convida a analisar tal realidade sob um prisma sobrenatural.

Na primeira leitura de hoje, o Profeta Isaías, referindo-se a Nosso Senhor, proclama:

“O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos, oferecendo a sua vida em expiação. […] Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e ciência perfeitas. O meu Servo fará justos inúmeros homens, carregando sobre Si suas culpas.” (Is 53, 10-11) 

É notória a ligação entre o sofrer e a ‘ciência perfeita’; ou seja, aquele julgamento reto e perfeitíssimo das coisas criadas para seu fim sobrenatural. Quem é mais feliz do que aquele que, assistido por dons como o de ciência, pode, de certa forma, encontrar Deus já nesta terra?

Para remir o gênero humano o Filho de Deus sofreu tudo quanto era possível sofrer.[1] E foi esse o meio escolhido por Ele para alcançar a perfeição da ciência na sua humanidade, que era passível de aumento, pois “exercia-se nas condições históricas de sua existência no espaço e no tempo”.[2]

Além disso, quis o Redentor conseguir essa dádiva para todos os que desfrutariam dos méritos infinitos de sua Paixão.

Ao trilhar o caminho do calvário, Cristo mostra a necessidade de tomar uma atitude altaneira diante dos reveses e dificuldades da vida. Pois “Ele mesmo foi provado em tudo como nós”. (Heb 4, 15)

Portanto, se queremos levar uma vida feliz devemos imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo: o caminho mais curto para chegar ao céu é, sem dúvida, a Cruz: “Per crucem ad lucem!”

É justamente a este propósito que Nosso Senhor adverte os seus discípulos. Eles almejavam uma glória humana, mas não levavam em conta a importância do sofrimento, como base da glorificação sobrenatural de cada homem. (Cf. Mc 10, 35-45)

Ora, querendo ou não, os sofrimentos sempre se fazem presentes, mais dia, menos dia, “somos visitados”.

E é aceitando bem essas pequenas dificuldades de todos os dias – um desintendimento, uma palavra dura recibida de um amigo ou parente, uma complicação no trabalho, uma carência financeira – , sem se deixar abater por elas, que nós nos apoximamos do Céu.

Façamos, pois, hoje, nossas as palavras do salmista: “Sobre nós venha, Senhor, a vossa Graça” visto que sem ela não conseguiremos praticar nenhuma boa obra. Os que sabem se ajoelhar diante de Deus e de Nossa Senhora com humildade e pedir a graça de bem aceitar as cruzes que recebem, estes são os verdadeiros “investidores” que acumularão tesouros no Céu, onde “a ferrugem nem a traça corroem”.

 

Por Jerome Lourdes Sequeira Vaz


[1] Cf.                SANTO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.46, a.5; a.6.

[2] CCE 472.

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