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Amanhã, tudo saberemos!

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A morte, com sua implacabilidade, retira de nossos olhos os óculos que falseiam a visão do universo criado e do relacionamento de cada um de nós com o próximo e com Deus. No dia do Juízo, “nada há de escondido que não seja conhecido” (Mt 10,26).

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Redação (24/06/2023 20:13, Gaudium Press) “As palavras voam e a escrita permanece”, diz um antigo ditado. De fato, quão imensurável é o montante de frases, considerações e discursos proferidos pelos homens, volatizados ao longo da História! Entretanto, muitas vezes a própria escrita perece. Onde foram parar os impressos produzidos em todos os cantos da Terra, a partir de Gutenberg? Muitos desapareceram sem deixar traço…

A verdade, porém, é perene. A mentira, os sonhos fantasiosos, as desconfianças infundadas e outros delírios do gênero têm curta duração; o tempo se encarrega de apagar sua lembrança.

Todavia, apesar de a verdade gozar de sólida estabilidade, às vezes não é fácil discerni-la. Naturalmente, nós tendemos a buscá-la noite e dia sem cessar, e às vezes não a encontramos porque nosso egoísmo, ou nosso amor-próprio, ou nossas paixões desordenadas se interpuseram como obstáculo. Quando a fé não ilumina a razão, e esta não orienta retamente a vontade, criamos critérios próprios, carregados de cores desproporcionadas que, com maior ou menor intensidade, alterarão a objetividade da verdade.

Por outro lado, pelo desvario de nossos prazeres, apetências e imaginações, modelamos segundo as leis da mentira tudo aquilo que ilusoriamente o capricho nos apresenta como eterna felicidade. Diante desse problema, como podemos ver a verdade, por nós mesmos, sem véus nem fantasias?

A morte, fim de todas essas quimeras

Vivemos nesta Terra em estado de prova e de passagem. Tão precária é nossa situação que nos enganamos com facilidade, mesmo a propósito do tempo, vivendo como se nossa permanência neste mundo fosse eterna. Não é raro cruzar pela nossa mente aquele sonho da possível descoberta do elixir da longa vida, ou do elixir da própria imortalidade.

Muitos prefeririam estender ao infinito os limites de sua existência terrena, transformando-a numa espécie de limbo perpétuo, quer dizer, num tipo de vida no qual pudessem ter felicidade natural, sem nenhum voo de espírito. Esses participam, consciente ou inconscientemente, de um culto implícito que poderia muito bem ser rotulado de “limbolatria”.

A morte, com sua implacabilidade e trágica realidade, põe fim a essas quimeras, e retira de nossos olhos os óculos que falseiam a visão do universo criado e do relacionamento de cada um de nós com o próximo e com Deus. Ademais, a morte traz consigo o juízo divino. Nosso Senhor diz no Evangelho de hoje:

Nada há de escondido que não seja conhecido (Mt 10,26).

Aqueles de nós que se entregam ao pecado, fazem-no muitas vezes às escondidas, longe da vista alheia, por causa do sentimento de vergonha, esquecendo-se de que não podem se esconder da vista de Deus, pois n’Ele fomos criados, n’Ele existimos e n’Ele nos movemos, segundo ensina São Paulo (cf. At 17,28). Nada escapa à lembrança de Deus. Pensamentos, desejos, palavras, silêncios, atos e omissões de cada um de nós, segundo por segundo, são conhecidos por Deus, como diz a Liturgia deste 12º domingo do Tempo Comum.

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados (Mt 10,30).

Com efeito, haverá um momento em que Deus revelará o que estiver escondido, em que tudo quanto houver de mais oculto será descoberto e todos conhecerão tudo de todos.

Dois serão, pois, os momentos da verdade: o do juízo particular e o do Juízo Final. Não haverá contradição entre um e outro, nem sequer será um a revisão do outro, e sim uma confirmação. Nossas ilusões, como também nossas faltas ou virtudes, sempre têm não só uma repercussão social, mas até mesmo efeitos correlacionados com a ordem do universo. Desse modo, ao homem como indivíduo cabe um juízo particular e, enquanto membro de uma sociedade, um Juízo Universal.

Auxiliados por Maria, fixemos nosso olhar na eternidade

Nesse panorama futuro e eterno devem estar fixados os nossos olhos, e não nas delícias fátuas e passageiras desta vida, ainda que legítimas. Nem falemos do pecado, porque ele terá como consequência imediata a frustração, e o fogo do inferno após a morte.

As dores, angústias e dramas pelos quais passamos durante nossa existência terrena nada são em comparação com o prêmio dos justos, conforme garante São Paulo:

Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada (Rm 8,18).

Resta-nos lembrar o indispensável papel de Maria na nossa salvação. Pois assim como Jesus veio a nós por Maria, é também por meio d’Ela que obteremos as graças necessárias para sermos outros Cristos e alcançarmos a vida eterna.


Extraído, com adaptações, de: CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O Inédito sobre os evangelhos. Città del Vaticano: LEV, v. 2, p. 161-173.

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