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segunda-feira, junho 21, 2021

Combateu com intrepidez os inimigos da Igreja

Santo Agostinho, uma das maiores intelectualidades que houve na História, um gigante da Fé, da sabedoria e da santidade, para todos os séculos até o fim do mundo. 

Santo Agostinho, uma das maiores intelectualidades que houve na História, um gigante da Fé, da sabedoria e da santidade, para todos os séculos até o fim do mundo.

Redação (07/06/2021, 18:17, Gaudium Press) Após a morte de sua mãe, Santo Agostinho permaneceu alguns meses em Roma e, com Alípio e outros amigos, decidiu voltar à África a fim de levar uma vida de oração, penitência e estudos.

Como espadas, seus sermões penetravam nos corações

Em Tagaste, sua cidade natal, numa propriedade que lhe pertencia, fundou um mosteiro onde ele e seus companheiros se estabeleceram, em regime de pobreza bem como de trabalho intelectual e manual.

Ao mesmo tempo, fundou em Hipona um convento para mulheres, cuja superiora era sua irmã. Redigiu para elas uma regra, que posteriormente aperfeiçoará e se tornará a famosa Regra de Santo Agostinho.

Passou ele três anos no Mosteiro de Tagaste, onde levou uma vida de oração, penitência e atividade intelectual; nesse lugar de recolhimento escreveu várias obras.

Certo dia, foi a Hipona e, ao entrar na catedral, os fiéis o aclamaram e pediram ao bispo que o ordenasse sacerdote; poucos dias depois ele recebeu o Sacramento da Ordem.

Em suas homilias, ele censurava os maus costumes existentes na cidade; os fiéis choravam de arrependimento e mudavam de vida. Comentando os sermões de Santo Agostinho, escreve o Padre Darras:

Ele “não parava na epiderme, acariciando por assim dizer a inteligência e fazendo sobre a alma o efeito estéril de uma melodia agradável, ou de uma sábia sinfonia. Penetrava, como a espada apostólica, até o centro e a medula do coração para ali introduzir a ação vitoriosa da graça, o germe da conversão e da salvação.”

Debate com um bispo maniqueu

Um bispo maniqueu chegou a Hipona e começou a pregar sua ímpia heresia. A população propôs, então, que houvesse um debate entre o herege e Santo Agostinho.

A contenda foi realizada num local público, tendo acorrido grande número de pessoas. O Santo refutou com tal brilho o bispo que este, extremamente confuso, pediu tempo para consultar seus mestres.  A multidão deu-lhe uma estrondosa vaia e ele saiu de Hipona e nunca mais voltou.

Na vigília de Natal do ano 395, Santo Agostinho foi ordenado Bispo de Hipona; o povo que enchia a catedral o aplaudiu com entusiasmo. Pouco tempo depois, seu grande amigo e discípulo Alípio tornou-se Bispo de Tagaste.

Alípio admirou e imitou de tal modo seu mestre que se santificou. O Martirológio Romano consigna sua memória, celebrada em 15 de agosto.

Lutou contra os donatistas…

Santo Agostinho amava a Igreja e por isso mesmo lutava por ela. Entre outros hereges, ele combateu os donatistas, os quais diziam que não pertenciam à Igreja os bispos e padres prevaricadores, bem como todos os fiéis que continuavam em comunhão com estes. Consideravam que só eles, donatistas, eram membros da verdadeira Igreja .

Em 411, realizou-se em Cartago um concílio do qual participaram bispos divididos em dois partidos: 286 católicos e 278 donatistas.  A situação era, portanto, extremamente grave.

O gênio de Santo Agostinho ali se manifestou de maneira maravilhosa. Face a sua argumentação irrespondível, os hereges foram clamorosamente derrotados. E o concílio estabeleceu, entre outras coisas, que não se sai da Igreja pelo pecado, mesmo que seja mortal e público, mas somente pela apostasia da Fé.

O Santo Bispo de Hipona pediu auxílio ao Imperador Honório, o qual fez um edito ordenando que fossem retiradas dos hereges todas as igrejas que eles haviam tomado, e aos recalcitrantes seria imposta a pena de morte .

… e os pelagianos

Pelágio, um monge nascido na atual Inglaterra, espalhava seus erros por várias regiões do mundo. Dizia que o homem, pelas suas próprias forças, pode salvar-se; negava o pecado original e a necessidade da graça divina.

Santo Agostinho escreveu diversas obras contra Pelágio, mostrando a necessidade e as excelências da graça divina.  Assim, os pelagianos não conseguiram “infeccionar a Igreja com a pestilência de sua heresia”.  E o Bispo de Hipona recebeu o magnífico título de “Doutor da Graça”.

No meio de todas essas batalhas, Santo Agostinho escreveu 113 Tratados, 218 epístolas, mais de 500 sermões, diálogos e comentários bíblicos. E a imortal Confissões, na qual narra sua vida.

Voo luminosíssimo de seu pensamento

A respeito dessa obra, afirma Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Quando lemos as Confissões de Santo Agostinho, facilmente aquilatamos a profundidade de sua alma e a retidão de seu espírito de convertido.

“Podemos ‘ouvir’ nas linhas o latejar de seu coração arrependido pelos pecados de sua vida passada, e nos é dado admirar, semeado por aquelas páginas imortais, o talento maravilhoso de um homem chamado por Deus a enriquecer a Igreja com altíssimos ensinamentos e explicitações.”

Em Confissões, o Doutor da Graça escreve:

“Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e sempre nova. Tarde Vos amei!”

Continua Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Como se sabe, Santo Agostinho se converteu na idade madura, após ter levado uma vida de pecados. Por isso, se dirige a Deus dizendo: ‘Tarde Vos amei’, e utiliza o primeiro jogo de palavras: ‘Ó Beleza tão antiga e sempre nova’.

“O Criador é antigo, pois, sendo eterno, existiu antes de todos os séculos. Mas é uma Beleza sempre renovada, porque é infinito, manifestando continuamente algo de inédito à nossa consideração. E o homem, adorando-O por tais predicados, encontra em Deus a plenitude, a perfeição expressa pelo aludido jogo de palavras.”

“O belo e vigoroso alçar de uma águia aos ares, atraída pelos fulgores do Sol, nada é em comparação com o voo luminosíssimo do pensamento de Santo Agostinho.

Ele se eleva no firmamento da Doutrina Católica com um ímpeto que se diria quase inimaginável numa alma humana.

“Pois esse foi o grande Bispo de Hipona, uma das maiores intelectualidades que houve na História, um gigante da Fé, da sabedoria e da santidade, para todos os séculos até o fim do mundo.”

 

Por Paulo Francisco Martos

(in Noções de História da Igreja – 53)

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1-DARRAS, Joseph Epiphane. Histoire Génerale de l’Église. Paris: Louis Vivès. 1869, v. XI, p. 21-22.

2-Cf. CRISTIANI, Monsenhor. Prelado da Santa Sé. Breve História das heresias. São Paulo: Flamboyant. 1962, p. 28-29.

3- Cf. LLORCA, Bernardino. História de la Iglesia Católica – Edad Antigua. 6. ed. Madri: BAC, 1990, v. I, p. 507-508.

4-SÃO JOÃO BOSCO. História Eclesiástica. 6 ed. São Paulo: Salesiana, 1960, p. 106.

5- SANTO AGOSTINHO. Confissões. Livro X, cap. 27.

6- CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Santo Agostinho, farol de sabedoria e de amor a Deus. Moisés. In revista Dr. Plinio. São Paulo. Ano VIII, n. 89 (agosto 2005), p. 30.

7-Idem. Autorretrato de sua infância. In revista Dr. Plinio. São Paulo. Ano VI, n. 65 (agosto 2003), p. 2.

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