InícioNotícias da IgrejaComo combater Revolução: a Contrarrevolução

Como combater Revolução: a Contrarrevolução

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Uma das principais tarefas da Contrarrevolução é “restabelecer ou reavivar a distinção entre o bem e o mal, a noção do pecado em tese, do pecado original, e do pecado atual”.

Foto: Arquivo da Revista Arautos do Evangelho

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Redação (24/02/2024 06:43, Gaudium Press) Em primeiro lugar, é preciso levar em consideração a origem da Revolução em seu processo já cinco vezes secular de deterioração da Civilização Cristã. Ela provém do pecado, do qual é filha, e poderíamos dizer… predileta. Mais evidente não pode ser, em consequência, que “sua raiz é moral, e, portanto, religiosa”.

Quando o homem cede às tendências desordenadas aninhadas em sua alma como fruto do pecado original, ele acabará por pecar… Podemos constatá-lo ao correr os olhos no mundo que nos rodeia. Mas, ao ultrapassar o âmbito da mera fraqueza humana, sua insurreição contra os Mandamentos o conduz à negação da bondade destes, podendo “ir além, e chegar até o ódio, mais ou menos inconfessado, à própria ordem moral em seu conjunto. Esse ódio, revolucionário por essência, pode gerar erros doutrinários, e até levar à profissão consciente e explícita de princípios contrários à Lei moral e à doutrina revelada, enquanto tais, o que constitui um pecado contra o Espírito Santo”.

Lembremos que a força propulsora da Revolução se encontra nas tendências desordenadas, e os “valores metafísicos” que exprimem adequadamente seu espírito e, portanto, caracterizam suas metas são “igualdade absoluta, liberdade completa”. Para alcançar seus objetivos, “duas são as paixões que mais a servem: o orgulho e a sensualidade”, que Dr. Plinio Corrêa de Oliveira costumava etiquetar de “molas propulsoras”, ao ponderar que nada há na Revolução que não seja movido por elas. Foi a generalização e a exacerbação desses vícios que geraram a explosão em cadeia do processo revolucionário e todas as suas consequências.

O primado da virtude e da graça na luta contra-revolucionária

À vista desse resumidíssimo esboço do aspecto moral da Revolução, compreende-se facilmente que Dr. Plinio saliente com insistência na Parte II de sua obra, dedicada à Contra-Revolução[1], a prática militante das virtudes opostas como sinal distintivo indispensável daqueles que almejam lutar contra esse mal universal. Devem estes, portanto, promover “o amor à desigualdade vista no plano metafísico, ao princípio de autoridade, e também à Lei moral e à pureza”.

Ora, dada a oposição das mencionadas tendências desordenadas inerentes à natureza humana decaída pelo pecado original, isso não é possível sem uma cuidadosa ascese, que vise obter o “vigor de alma que vem ao homem pelo fato de Deus governar nele a razão, a razão dominar a vontade, e esta dominar a sensibilidade”, mediante uma sólida vida sobrenatural. Então a graça de Deus, perseverantemente cultivada, exercerá seu indispensável papel, que consiste “em iluminar a inteligência, em robustecer a vontade e em temperar a sensibilidade de maneira que se voltem para o bem”.

Por esse motivo, Dr. Plinio sublinhava como uma das principais tarefas da Contra-Revolução “restabelecer ou reavivar a distinção entre o bem e o mal, a noção do pecado em tese, do pecado original, e do pecado atual”, usando como meios para tal, entre outros:

“Salientar, nas ocasiões oportunas, que Deus tem direito de ser obedecido, e que, pois, seus Mandamentos são verdadeiras leis. […] Acentuar que a Lei de Deus é intrinsecamente boa e conforme à ordem do universo, na qual se espelha a perfeição do Criador. Pelo que ela deve ser não só obedecida, mas amada, e o mal deve não só ser evitado, mas odiado. Divulgar a noção de um prêmio e de um castigo post mortem. […] Favorecer os costumes e as leis que tendam a evitar as ocasiões próximas de pecado […]. Insistir sobre […] a necessidade da graça, da oração e da vigilância para que o homem persevere”.

Orvalhadas por graças eficacíssimas obtidas pela Santíssima Virgem, as almas devem “brilhar de forma especial por todas as virtudes que especificamente a Revolução quis destruir”, a ponto de condizerem com a profecia de São Luís Maria Grignion de Montfort: “As almas respirarão Maria, como os corpos respiram o ar […]. Coisas maravilhosas acontecerão no mundo, onde o Espírito Santo, encontrando sua querida Esposa como que reproduzida nas almas, sobre elas virá abundantemente e as cumulará de seus dons, particularmente do dom de sabedoria, para operar as maravilhas da graça”.

A Contra-Revolução, filha fiel a serviço da Santa Igreja

Como consequência natural das afirmações anteriores, a Contra-Revolução deve cultivar um acendrado espírito de serviço à Igreja, fonte divinamente instituída da qual manam os tesouros da graça que lhe permitirão cumprir esta sublime missão por “uma ação profunda nos corações”.

Por isso, Dr. Plinio dedicou um detalhado capítulo de sua obra a sublinhar o caráter essencialmente subsidiário da Contra-Revolução em relação à Igreja, à qual visa exaltar por ser o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, alma necessária de todos os seus fins. Fora dela não pode existir verdadeira Contra-Revolução, máxime porque nas últimas décadas, dada a evolução do processo revolucionário, “o ponto mais sensível e mais verdadeiramente decisivo da luta […] se deslocou da sociedade temporal para a espiritual, e passou a ser a Santa Igreja”.

Levadas a sério essas verdades, a Contra-Revolução tem todas as possibilidades de vencer a grande batalha do nosso tempo, pois maravilhas se podem esperar da natureza humana quando ela se dispõe a cooperar com a graça divina. Inúmeros exemplos históricos o certificam.

A alma humana, decisivo campo de combate

Afinal, é na existência mesma do livre-arbítrio humano que se encontra um dos grandes trunfos da Contra-Revolução e, em certo sentido, também uma das suas maiores fraquezas. De fato, cada ser humano constitui um campo de batalha onde combatem Deus e o demônio, de maneira que o verdadeiro contendor é a própria alma que, a todo momento, pode optar por cooperar com a graça ou se entregar às suas paixões desordenadas.

Não surpreende ter Dr. Plinio afirmado muitas vezes que a grande e verdadeira Contra-Revolução é a salvação das almas pois, “desde que o homem queira, ele muda e destrói as estruturas mais espetacularmente sólidas. Depende de a graça querer, depende de a graça ter quem corresponda a ela, depende de ter chegado a hora designada por Deus, enfim, de uma série de circunstâncias de ordem natural e sobrenatural”. Tudo se cifra em aceitar o chamado divino ou rejeitá-lo.

Assim, não é difícil chegar à seguinte conclusão: “O fenômeno revolucionário, como está descrito no livro RCR, é antes de tudo um problema espiritual; o resto, por mais importante que seja, é secundário e colateral. O lado mais importante é a atitude que o fiel toma em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo e, mais especialmente, ao Sagrado Coração d’Ele, que é a quintessência de tudo quanto n’Ele há de perfeição e de amor”.

Em definitiva, o contra-revolucionário autêntico se define como aquele que, mesmo com suas fraquezas, abraçou o ideal de santidade em face de um mundo revolucionário com o qual não deseja transigir, enquanto o revolucionário, necessariamente, terá abraçado de forma decidida as vias do pecado.

Cabe, por fim, perguntar se é lícito a um católico verdadeiro se omitir diante desse imenso mal que tudo pervade em nosso tempo. A resposta, deixamo-la a cargo do leitor, ponderando que será nessa conjuntura, travada em almas-chave para a luta entre o bem o mal, que se dará o grande embate do qual resultará o definitivo triunfo do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria.[2]

Texto extraído, com pequenas adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n. 265, janeiro 2024. Por Pe. Hernán Luis Cosp Bareiro, EP.


[1] A palavra contrarrevolução no presente texto manterá a grafia antes da reforma, Contra-Revolução, conforme foi escrita no livro Revolução e Contra-Revolução.

[2] Comentários feitos ao livro Revolução e Contra-Revolução de autoria de Plinio Corrêa de Oliveira.

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