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sábado, abril 17, 2021

Como foi a Paixão de Jesus?

Legiões de demônios atiçavam a multidão que vociferava ao redor, zombava d’Ele e atirava-Lhe pedras. Jesus deitou-Se mansamente sobre o instrumento de suplício…

Redação (02/04/2021 11:42, Gaudium Press) Emitida a sentença, o Sinédrio devia ratificar a condenação junto ao poder romano, pois não possuía direito à execução dos réus. Despontava o sol no horizonte e era preciso levar Jesus ao Pretório.

O Santo foi escarnecido

Os Evangelhos nos narram que, embora Pilatos, convicto da inocência de Nosso Senhor, não acreditasse nas falsas incriminações dos judeus contra Ele e estivesse decidido a soltá-Lo, a insistência daqueles pérfidos acusadores fez aflorar sua covardia.

O homem que passaria para a História por sua invencível pusilanimidade, concordou em castigá-Lo, julgando estupidamente que isso bastaria para acalmar seus inimigos, como se os ímpios se conformassem com meias-tintas no seu ódio contra o Bem supremo.

Com as mãos atadas, Jesus foi levado aos empurrões para ser flagelado e, “maltratado […] como um cordeiro que se conduz ao matadouro, […] não abriu a boca” (Is 53, 7).

Os carrascos O despiram, ataram-No a uma pequena coluna e, possuídos por violentos demônios, açoitaram-No com inaudita crueldade. Era imprescindível essa sustentação diabólica, pois simples homens jamais se levantariam de tal forma contra a majestade do Verbo Encarnado, mesmo estando Ele naquela humilhante situação.

Quando os açoites atingiam o sagrado Corpo de Jesus, Maria sentia os mesmos golpes em seu Coração, sofrendo a ponto de quase desfalecer. São Gabriel fortaleceu-A, dizendo:

— Senhora, ainda é apenas o começo. É necessário resistir até o fim.

Quando terminou a flagelação, da planta dos pés até o alto da cabeça Nosso Senhor era uma só chaga. Ao vê-Lo passar, Maria sentiu uma profunda dor e compreendeu por que São José havia sido tirado desta terra antes da Paixão. Sendo sua vocação proteger a vida de Jesus, ele jamais poderia assistir a essa infâmia de braços cruzados, e acabaria constituindo um obstáculo intransponível para a consumação da obra redentora.

Como Nosso Senhor havia revelado sua realeza, quiseram também debochar d’Ele especificamente a propósito desse ponto.

Em outra dependência do palácio, aqueles homens brutalizados pela possessão diabólica O vestiram com o manto purpúreo da irrisão e fizeram com Ele o que lhes aprouve: deram-Lhe tapas, cuspiram em seu rosto, empurraram-No para que caísse ao chão. Todas as vezes que isto acontecia, Jesus Se levantava com tal majestade que os deixava desconcertados, mas logo voltavam à carga.

A maldade chegou ao auge quando, numa paródia de coroação, puseram em sua cabeça uma espécie de capacete tecido com ramos repletos de enormes espinhos.

Ao tolerar semelhante afronta, Ele desejava comprar graças particulares para que, um dia, Maria Santíssima fosse coroada no seu Reino.

Nesse momento o terrível diadema fincou-se de forma mística no Coração de Maria, fazendo-Lhe experimentar as mesmas dores e humilhações de seu Divino Filho.

A caminho do Calvário

Inúteis resultaram as tentativas de Pilatos para absolver Jesus, pois nem o dilacerante espetáculo do Ecce Homo comoveu os corações do populacho instigado por seus chefes.

Temeroso de ver comprometido seu prestígio ante o augusto imperador, o governador da Judeia cometeu “o crime profissional mais monstruoso da História” e ainda quis se justificar lavando as mãos, como se não fosse culpado pela condenação do Inocente, cuja vida dependia exclusivamente dele.

Exarada a sentença, os judeus apressuraram-se em confeccionar o instrumento de suplício que, de sinal de maldição, tornar-se-ia signo de glória e triunfo: a Cruz. Quando esta Lhe foi apresentada, Jesus A tomou com emoção, osculou-A e apressou-Se em pô-La sobre os ombros para encetar o caminho do Calvário.

A multidão ao seu redor soltava gritos dignos do inferno; muitos riam, atiravam-Lhe pedras ou O empurravam para que caísse com a Cruz, enquanto os soldados açoitavam-No continuamente.

Quando Maria viu que seu Filho, oprimido pelo peso da Cruz, caíra pela primeira vez com o rosto em terra, correu para junto d’Ele a fim de consolá-Lo.

Nesse instante, não só os Anjos e os homens, mas todo o universo parou para contemplar uma das cenas mais comovedoras da História: o encontro da Mãe com o Filho jacente sob o lenho.

Ao Se levantar, tendo a face toda ensanguentada, Ele A fitou com olhar de pungente dor e doçura. Naquela troca de olhares, naquele pequeno gesto de afeto e de carícia de sua Mãe, estava tudo dito!

A adoração da Virgem, pervadida de veneração e de ternura, era um precioso bálsamo que aliviava o Coração do Redentor e Lhe conferia forças para seguir seu caminho! Então Ele Lhe disse com firmeza: — É necessário continuar!

Nossa Senhora aquiesceu, mas, divisando o longo percurso até o Calvário e transida de dor ao considerar o quanto Ele sofreria, pediu a Deus que Lhe enviasse socorro.

Imediatamente apareceu Simão de Cirene, o qual foi requisitado para auxiliá-Lo (cf. Lc 23, 26). Bastou Maria Se afastar para que tudo recomeçasse com fúria surpreendente e Jesus Cristo com a Cruz às costas, Se sentisse novamente abandonado devido à ausência de seus discípulos, prova mitigada apenas pela presença de algumas Santas Mulheres.

Sua Mãe O acompanhava a certa distância, sofrendo com Ele.

No alto do Calvário

Quando Jesus chegou ao alto do Calvário, caiu mais uma vez por terra, mas Se manteve firmemente abraçado à Cruz, manifestando seu desejo de não separar-Se dela.

Em meio a uma nova onda de deboches, os soldados O forçaram a levantar-Se entre açoites. Sabendo ser chegada a hora, Ele Se ergueu com muita majestade, olhou para o madeiro, osculou-o e o depositou no chão.

Com a face sulcada pela dor, fitou com muita bondade Simão Cireneu, como a lhe prometer, em uma linguagem muda, que sua caridade não ficaria sem recompensa. Esse gesto tocou de tal modo o coração daquele varão que, rompendo num pranto, ele se afastou um pouco e acompanhou de joelhos o desenrolar da Crucifixão.

Nosso Senhor deitou-Se mansamente sobre o instrumento do suplício, indicando sua disposição de ser nele pregado, e disse em seu interior: “Pai, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu”.

Seguiu-se então uma horrível cena. Embora impressionado com a serenidade do Homem-Deus, um soldado tirou de uma bolsa os cravos, segurou o braço esquerdo de Jesus e mediu o local em que devia pregá-lo.

Quando tomou o martelo para fincar o primeiro prego, a Santíssima Virgem sentiu que não poderia resistir a esse lance e virou o rosto. Fez-se absoluto silêncio em todo o Gólgota.

Nosso Senhor não moveu um músculo. Com mansidão aguardava o golpe que Lhe seria dado, enquanto rezava. O som daquelas batidas e os suaves gemidos de seu Divino Filho repercutiram de forma crudelíssima no Coração materno de Maria, que tremeu violentamente.

Várias pessoas da multidão, pagas a fim de atiçar os ânimos contra Nosso Senhor, perceberam que o respeito tomara conta do ambiente e, temendo perder o controle da situação, começaram a bradar novos insultos e a insistir na premência de sua Morte.

Entre eles havia um especialmente odiento, que blasfemava com petulância e incitava muitos outros a imitá-lo. Era o moço rico do Evangelho. Recusando-se a deixar tudo para seguir Jesus, ele passara da tristeza ao ódio, e do ódio ao desejo de destruir Aquele cujo convite ecoava ainda em seus ouvidos: “Vem e segue-Me!” (Mt 19, 21).

O carrasco, até então inseguro, tomou-se de coragem. Para pregar o braço direito de Jesus, cujos músculos haviam se contraído em virtude da perfuração do outro braço, os demais algozes tiveram de esticá-lo com tanta força que a mão esquerda ameaçava rasgar ou se desarticular.

Na sensibilidade perfeitíssima de sua natureza humana, Jesus sofria incomparavelmente mais que qualquer outro homem em situação semelhante.

Mediação de Nossa Senhora

Por fim, ao cravarem os dois pés, as dores experimentadas por Nossa Senhora atingiram tal auge que não há palavras no vocabulário humano para descrevê-las!

Pode-se dizer que Maria Se antecipou a todos os Santos da História que receberam os estigmas da Paixão, se bem que n’Ela se tratasse de um fenômeno estritamente espiritual, de tal modo sofreu com seu Filho por aquelas chagas.

Faltava erguer a Cruz com a ajuda de cordas. Vários demônios dificultavam a tarefa balançando o madeiro, de forma que o movimento causava a Nosso Senhor uma dor indescritível. Parecia que os cravos Lhe rasgariam as carnes.

Nessa hora uma lágrima caiu de seus divinos olhos e deslizou pela face. Desejosos de humilhá-Lo ainda mais, os demônios tinham a intenção de fazê-Lo cair para Lhe esmagar o rosto.

Maria, entretanto, que via tanto as o erguimento da Cruz, manifestações do mundo sobrenatural quanto as dos espíritos das trevas, estremeceu de indignação e não permitiu essa afronta tão contrária à dignidade do Homem-Deus.

Bastou-Lhe uma breve oração a Deus e uma ordem interior para precipitar aqueles insolentes no inferno.

Quando a Cruz já estava levantada, Nossa Senhora pôde, mais uma vez, exercer sua intercessão materna.

A princípio, os dois ladrões crucificados com Jesus haviam se unido aos insultos e blasfêmias da multidão.

Em determinado momento, porém, Dimas comoveu-se à vista da Virgem Dolorosa e pensou na bondade d’Ela, no profundo sofrimento que padecia por seu Filho e, sobretudo, em quão diferente teria sido sua própria vida se Ela fosse sua Mãe.

Tomado pela graça, observou a semelhança entre Mãe e Filho e, num relance, fez um ato de fé na filiação divina do Redentor. Correspondeu assim às orações que, compadecida, Nossa Senhora elevara por ele e por seu companheiro de suplício ao encontrá-los no Calvário, recusadas, infelizmente, pelo outro.

Essa atitude lhe valeu a força para defender a inocência de Jesus perante o mau ladrão e a promessa do Salvador: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso!” (Lc 23, 43).

Tratava-se da primeira canonização e foi conquistada pela mediação de Maria.

A firmeza de Maria

Do alto da Cruz, Jesus contemplava a multidão que O rodeava e, no centro, sua Mãe. Com indizível compaixão Ela permanecia de pé (cf. Jo 19, 25), tendo ao seu lado São João.

Não seria mais belo se Maria estivesse prosternada ou ajoelhada? Não, porque Ela participava daquela imolação. Sua postura significava que vivia a Paixão junto com seu Filho, enquanto sócia privilegiada da Redenção, procurando servir-Lhe de sustento e de consolo.

Transida de tristeza, padecia em Si todas as dores, sendo considerada pelo populacho como a mais desprezível entre as mulheres da terra, a Mãe de um verme crucificado.

Nesse auge de dor Jesus olhou com carinho para Maria e, assinalando o discípulo que A amparava, disse-Lhe: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26). E, em seguida, entregou-A como Mãe a São João: “Eis aí tua Mãe” (Jo 19,

O mistério do abandono de um Deus

Ao chegar o meio-dia, nuvens espessas começaram a cobrir o firmamento, o sol se escureceu e fez-se noite.

Muitas pessoas perceberam que não se tratava de um fenômeno meramente natural e, temendo o castigo divino pelo crime que se cometia, voltaram compungidas para suas casas. Haviam ficado amedrontadas ao ver a atitude de Jesus em face da morte, a qual provava ser Ele, de fato, o Filho de Deus.

As trevas simbolizavam, outrossim, a angústia e tristeza experimentadas pelo Salvador ao contemplar novamente a enormidade dos pecados que seriam cometidos pela humanidade. Por isso Ele exclamou: “Tenho sede!” (Jo 19, 28).

Sede de água, sede das almas que O abandonariam ao longo dos séculos e sede também daquele cálice que tanto O consolara na agonia do Horto, mas que desta vez o Pai Lhe negava, pois era chegada a hora do supremo holocausto.

Os judeus mais odientos que continuavam ali aproveitaram essas palavras para escarnecê-Lo, instigando os soldados a aproximarem de seus lábios uma esponja molhada em vinagre.

Alguns ousaram chacoalhar com empáfia o madeiro para aumentar sua humilhação e sofrimento, mas logo os guardas os afastaram da Cruz, temerosos de que A derrubassem.

A solidão se intensificou em torno de Jesus e a Ele se apresentaram as últimas e mais lancinantes tentações.

Uma delas foi a sensação de fraqueza diante do sofrimento, como bem o demonstra o pedido ao Pai Celeste para que afastasse d’Ele o cálice da dor (cf. Mt 26, 39).

Deus reserva os grandes sofrimentos, fracassos e humilhações para a última hora! Quando o Leão de Judá bradou em alta voz “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?” (Mt 27, 46), manifestou que passava pelo pior dos sofrimentos: sentir-Se abandonado por Deus!

Mais uma vez, trata-se de um mistério incompreensível até mesmo para os Anjos pois, sendo Deus, como Ele poderia Se sentir por Deus abandonado? Quem seria capaz de cogitar as provas que naqueles instantes atravessava um Deus Crucificado e penetrar em seu olhar para contemplar a maravilha da Redenção que se operava?

Jesus desejou sofrer a dor do desmentido, da esperança aparentemente defraudada, do revés e do olvido. A isso se uniu a perplexidade de julgar-Se em certa medida abandonado por Nossa Senhora, embora tivesse a plena certeza de que Ela jamais O trairia.

Desdenhando as blasfêmias dos poucos que aguardavam seu falecimento, Ele elevou os olhos para o Céu e permaneceu em oração durante longos minutos. Os Anjos O adoravam, enquanto acompanhavam seus lábios se moverem lentamente em ardente súplica ao Pai.

“Consummatum est”

A cada minuto que passava as dores de Jesus aumentavam, e a cada gemido lançado de seus divinos lábios Maria recebia um novo golpe. Mas Ela perseverava firme.

Por fim, quando Nosso Senhor percebeu que havia chegado sua hora, exclamou: “Tudo está consumado” (Jo 19, 30). E, depois de dar um dolorido brado que ecoou por todo o universo, concluiu com suave tom de voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). Inclinando a cabeça, expirou.

Como explicar a morte de um Deus? É impossível medir exatamente a sublimidade desse acontecimento. O Ser eterno, sem princípio nem fim, Criador do Céu e da terra, todo-poderoso, onisciente, onipresente, infinito, absoluto, causa final de todas as criaturas, motor imóvel, imutável… via-Se inerte em sua humanidade santíssima.

Os Anjos prostraram-se em adoração ao divino Corpo e assim permaneceram um longo período. Os demônios que mais haviam incitado o ódio contra Nosso Senhor foram logo lançados no inferno, só então compreendendo a loucura por eles cometida.

E os poucos inimigos que restavam abandonaram rapidamente o Calvário, tomados de pavor, ficando apenas os seguidores do Mestre e os soldados.

Pode-se dizer, figuradamente, que a alma de Nossa Senhora morreu com Jesus. Ninguém mais do que Ela era capaz de abarcar a grandeza daquele mistério, ao qual se acrescentava o fato de esse mesmo Deus ser seu Filho amadíssimo…

Consumida pelo infortúnio e vertendo preciosas lágrimas, por muito pouco não perdeu os sentidos ante a consumação do divino holocausto, o que fez as Santas Mulheres se aproximarem para ajudá-La. Mais uma vez, porém, Ela permaneceu de pé ao lado da Cruz, como um estandarte vitorioso a proclamar a fé nas glórias da Ressurreição, que somente n’Ela perseveraria acesa com perfeição nas próximas trinta e seis horas.

Logo após a Morte de Nosso Senhor, iniciou-se o que alguns autores chamam, com acerto, as pompas fúnebres do Padre Eterno por seu Filho.

O véu do Templo se rasgou, indicando que a Sinagoga devia ceder lugar à Igreja nascente. Um grande terremoto estremeceu Jerusalém, derrubando várias casas e inclusive uma parte dos palácios de Herodes e de Pilatos.

As almas de muitos justos voltaram a seus corpos e saíram dos túmulos (cf. Mt 27, 51-53), percorrendo os recintos do Templo e outros lugares da cidade, com o intuito de increpar os responsáveis por aquele crime.

Todos se escondiam apavorados, julgando que a ira do Pai se descarregaria definitivamente sobre o povo deicida. Chegara a hora de se manifestar a indignação de Deus pelo pecado cometido!

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, por Mons. Scognamiglio Clá Dias, EP.

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