InícioCatecismoCuidar dos doentes, aprendendo o que significa amar

Cuidar dos doentes, aprendendo o que significa amar

Published on

O Magistério sobre os temas do fim da vida reproposto pela carta “Samaritanus bonus”, que contém acentos pastorais: a pessoa deve ser cuidada e circundada de afeto até ao fim

cq5dam-thumbnail-cropped-750-422
Hospital “Santa Maria della Pietà”, Casoria – reprodução Vatican News

Incurável não é jamais sinônimo de “incuidável”: esta é a chave de leitura para compreender a carta da Congregação para a Doutrina da Fé “Samaritanus bonus”, que tem como tema “cuidar das pessoas nas fases críticas e terminais da vida”. O documento, diante de uma perda de consciência comum sobre o valor da vida e de debates públicos por vezes demasiados condicionados por casos individuais evidenciados pelas notícias, reafirma claramente que “o valor inviolável da vida é uma verdade básica da lei moral natural e um fundamento essencial da ordem jurídica”. Portanto “não se pode escolher diretamente de atentar contra a vida de um ser humano, mesmo que ele ou ela o requeira”. Deste ponto de vista, a arquitrave que sustenta “Samaritanus Bonus” não contém nada de novo: de fato, o Magistério disse repetidamente não a qualquer forma de eutanásia ou suicídio assistido, e explicou que a alimentação e a hidratação são suportes vitais a assegurar à pessoa doente. O Magistério também se manifestou contra a chamada “obstinação terapêutica”, porque na iminência de uma morte inevitável “é lícito tomar a decisão de renunciar a tratamentos que provocariam somente um prolongamento precário e penoso da vida”.

A carta propõe, portanto, de forma precisa o que foi ensinado pelos últimos Pontífices e tem sido considerado necessário face a legislações cada vez mais permissivas sobre estas questões. As suas páginas mais novas são as que têm um acento pastoral, que dizem respeito ao acompanhamento e cuidado dos doentes que chegaram à fase final das suas vidas: cuidar destas pessoas nunca pode ser reduzido apenas à perspectiva médica. Há necessidade de uma presença coral que os acompanhe com afeto, presença, terapias apropriadas e proporcionais e assistência espiritual. Significativas são as referências à família, que “precisa de ajuda e meios adequados”. É necessário que os Estados reconheçam a primária e fundamental função social da família “e o seu papel insubstituível, também nesta área, fornecendo recursos e estruturas necessárias para a apoiá-la”, afirma o documento. De fato, o Papa Francisco recorda-nos que a família “sempre foi o ‘hospital’ mais próximo”. E ainda hoje, em muitas partes do mundo, o hospital é um privilégio para poucos, e está muitas vezes muito longe.

“Samaritanus bonus” mesmo que nos faça recordar o drama de muitos casos discutidos na mídia, ajuda-nos a olhar para os testemunhos dos que sofrem e dos que cuidam, para os muitos testemunhos de amor, sacrifício, dedicação aos doentes terminais ou a pessoas em persistente falta de consciência, assistidos por mães, pais, filhos, netos. Experiências vividas diariamente em silêncio, muitas vezes no meio de mil dificuldades. Na sua autobiografia, o cardeal Angelo Scola relatou um episódio que aconteceu anos atrás: “Durante uma visita pastoral a Veneza, um dia, enquanto saia da casa de uma pessoa doente, o pároco local apontou-me um senhor mais ou menos da minha idade com um ar muito discreto. Três semanas antes o seu filho tinha morrido, uma pessoa gravemente deficiente, incapaz de falar ou de andar, e que ele tinha carinhosamente cuidado durante mais de trinta anos, ajudando-o dia e noite e confortando-o com a sua presença constante. Único momento que se ausentava era nas manhãs de domingo, quando ia à missa. Diante desta pessoa senti um certo embaraço, mas como ocorre frequentemente a nós padres, senti-me obrigado a dizer algo. Deus o recompensará por tudo isso, balbuciei um pouco atordoado. E ele respondeu-me com um grande sorriso: “Patriarca, olha, eu já recebi tudo do Senhor porque Ele me fez compreender o que significa amar”.

Por Andrea Tornielli – Via Vatican News

Últimas Notícias

Como a dissolução da Assembleia Nacional da França está impactando a instalação de vitrais contemporâneos em Notre-Dame?

Com a dissolução da Assembleia Nacional da França, o projeto que visa a instalação...

Quinta-feira da 11ª semana do Tempo Comum

(verde – ofício do dia) Escutai, Senhor, a voz do meu apelo. Sede meu amparo;...

Santos João Fischer e Tomás More, bispos e mártires

Em 1935 Pio XI, canonizando no mesmo dia estes dois santos, que sofreram a...

Papa Francisco aconselha que se reze utilizando os salmos

Segundo o Pontífice, o livro dos Salmos pode ser definido como uma ‘sinfonia de...

Audio-Book

148. I. Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório (AUDIOBOOK)

https://www.youtube.com/watch?v=8gGGSaTK2ic Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório — Bispo e Doutor da Igreja Quarta Dor...

147. II. Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório (AUDIOBOOK)

https://www.youtube.com/watch?v=63iCH0qZxGY Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório — Bispo e Doutor da Igreja Jesus é...

146. I. Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório (AUDIOBOOK)

https://www.youtube.com/watch?v=4b50saBVvfY Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório — Bispo e Doutor da Igreja Jesus é...