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Das telas aos livros: O fiasco da escola digital e os cretinos digitais

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A atrofiante “orgia digital” começa a ser questionada.

Foto: Jonathan Borba/ Unplash

Foto: Jonathan Borba/ Unplash

Redação (27/06/2023 08:58, Gaudium Press) Tudo indica que o boom da ‘tecnologia em tudo’ começa a declinar, principalmente no que diz respeito às crianças, e isso devido aos comprovados efeitos desastrosos.

O jornal El Mundo, em sua edição de domingo, estampou a seguinte manchete: O grande fiasco da escola digital. Que os professores deem aulas com telas é como se os médicos fornecessem heroína“.

O nariz de cera deste artigo também é bastante sugestivo: “Depois de décadas de fé cega na tecnologia, os especialistas em educação estão retrocedendo e redescobrindo a importância da aula, da memorização, da caligrafia e dos livros de papel”. Até mesmo alguns especialistas anunciam uma profecia que seria mais do que fazer o caminho de volta: “Nos próximos anos, testemunharemos uma onda de desdigitalização massiva”.

De fato, best-sellers como A fábrica de cretinos digitais, de Michel Desmurget, já haviam disparado o alarme. Este diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França e neurocientista afirma, com dados, que o consumo excessivo da tecnologia digital, as telas, afeta seriamente o desenvolvimento neuronal de crianças e jovens.

Em entrevista à BBC no final de 2020, Desmurget declarou que, quando aumenta o uso de televisão, videogames e outros, o QI e o desenvolvimento cognitivo caem, afetando seriamente a linguagem, a concentração, a memória etc.

Mas por que o excesso de aparelhos tem essas consequências? Porque as interações familiares, fundamentais para o desenvolvimento da linguagem e do emocional, diminuem em qualidade e quantidade; também porque é retirado o tempo para outras atividades enriquecedoras, como música, leitura, tarefa de casa; porque o sono é interrompido e reduzido; porque a superestimulação da atenção relacionada a esses aparelhos afeta diretamente a concentração, o aprendizado, e causa impulsividade; porque também produzem uma subestimulação intelectual (já vem tudo ‘mastigado’); porque o sedentarismo relacionado à tecnologia digital influencia a maturação cerebral etc.

O neurocientista insiste que, para estruturar a mente, não é a mesma coisa ter as atividades escolares, o trabalho intelectual, a leitura, a música, a arte, os esportes, etc., e estar diante de uma tela por motivos recreativos. Além disso, os usos recreativos que mais empobrecem são os que prevalecem. Mas isso é especialmente crítico durante a infância e a adolescência, quando a plasticidade cerebral começa a diminuir significativamente.

Desmurget chega a dividir a sociedade futura em duas grandes categorias, aquelas que em sua infância foram preservadas dessa “orgia digital”, e que através da cultura e da linguagem terão os elementos para refletir sobre o mundo, e as outras que serão incapazes de entendê-lo e agir como cidadãos esclarecidos. Seria a concretização do que previu Aldous Huxley em Admirável mundo novo.

De qualquer forma, há o fato incontestável: o QI que vinha crescendo de geração em geração, começou a diminuir em vários países, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda, França.

Em 15 de maio passado, a ministra das Escolas da Suécia, Lotta Edholm, fez um anúncio drástico: cancelou o plano de digitalização da sala de aula, que a Agência Nacional de Educação havia aprovado em dezembro passado, e destinou sua verba para a distribuição de… livros físicos. Sim, de papel e tinta: serão 60 milhões de euros em 2023, e 44 milhões de euros por ano em 2024 e 2025, para acelerar o regresso dos livros às salas de aula. “Isso faz parte do plano de recuperação da leitura nas escolas, à custa do tempo passado em frente as telas”, explicou Edholm. Parece que o assunto é urgente.

A medida não foi tomada com histeria. Em maio, foram apresentados os resultados do relatório PIRLS – que avalia a compreensão de leitura dos alunos –, mostrando um decréscimo em relação aos valores de 2016. E, apesar de alguns criticarem a medida, a ministra segue firme, e alerta para o risco de se criar uma “geração de analfabetos funcionais”.

A questão do declínio da compreensão de leitura também está atingindo níveis globais. Mas não é o caso de se ter ilusões: há muitos estudiosos que definem o uso intensivo de telas como um vício, e dos piores. No meio da escuridão de uma tela, quando aparece uma luz, o viciado encontra alegrias, promessas, sentimentos, prazeres, e separar-se disso não será fácil, mesmo que lhe digam que sua saúde, não só mental mas física, está em risco. Enfim, é bom que se saiba que as coisas são assim, e não de outra maneira. Sem mentiras ou maquiagem. (Saul Castiblanco / Gaudium Press)

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