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sexta-feira, dezembro 3, 2021

Mensagem de Nosso Senhor a Luís XIV

Um episódio da história da França não deixa de despertar certa incógnita: o das revelações de Santa Margarida Maria de Alacoque, religiosa visitandina que viveu no convento de Paray-le-Monial nos tempos do Rei-Sol, e recebeu singulares graças místicas, em especial com relação ao Sagrado Coração de Jesus.

Redação (22/11/2021 10:59, Gaudium Press) Por um mistério, os rumos e destinos da História de um povo são frequentemente decididos por atitudes – às vezes até muito simples – daquele ou daqueles nos quais é depositada especial dileção e confiança por parte de Deus: “é nas secretas regiões da consciência que se elabora o destino do mundo, e as forças novas que fazem ruir os impérios são as mesmas que todo o homem enfrenta nas trevas do seu coração cúmplice.”[1]

Um episódio da história da França não deixa de despertar certa incógnita: o das revelações de Santa Margarida Maria de Alacoque, religiosa visitandina que viveu no convento de Paray-le-Monial nos tempos do Rei-Sol, e recebeu singulares graças místicas, em especial com relação ao Sagrado Coração de Jesus.

Data de 17 de junho de 1689 uma carta da santa a Madre Maria de Saumaise, sua superiora, na qual se manifestam os anelos de Jesus com relação ao então reinado de Luís XIV: “Parece-me, pois, – escreve Margarida – que deseja entrar com pompa e magnificência nas casas dos príncipes e dos reis, para ser nelas tão honrado quanto foi ultrajado, desprezado e humilhado em sua Paixão, e receber tanto contentamento ao ver os grandes da Terra abatidos e humilhados ante Ele, quanto foi a amargura que sentiu vendo-Se atado em seus pés. E tenho aqui as palavras que ouvi referentes ao nosso Rei (Luís XIV):

Faz saber ao filho maior de meu Sagrado Coração que, assim como se obteve seu nascimento temporal pela devoção aos méritos de minha Sagrada Infância, assim alcançará seu nascimento à graça e à glória eterna pela consagração que fizer de sua pessoa a meu Coração adorável, que quer alcançar vitória no seu e, por ele, sobre o dos grandes da Terra. Ele quer reinar em seu palácio, ser pintado em seus estandartes e gravado em suas armas para que sejam triunfantes sobre todos os seus inimigos, abatendo a seus pés estas cabeças orgulhosas e soberbas, a fim de que seja ele vitorioso sobre todos os inimigos da Igreja.’”[2]

O que teria sido da Filha Primogênita da Igreja se tivessem sido observados os paternais desejos e recomendações de Nosso Senhor? Com efeito, tais nunca foram efetivados; nem mesmo sabemos se o apelo divino chegara ao conhecimento do Rei…

O ano em que a carta fora redigida – 1689 – não deixa de evocar outra: 1789! Cem anos exatos antes da Revolução Francesa, chegava dos céus uma comovente mensagem da parte de Jesus Cristo ao grande Luís XIV. A coincidência é, ao menos, notória.

E isso nos leva a uma reflexão: quantas vezes o chamado de Deus aos homens encontrou, como resposta, somente o silêncio! Não seria de espantar que tal omissão estivesse na raiz de tantas convulsões políticas e sociais que afligem a humanidade, ainda em nossos dias.

Por João Paulo Bueno


[1] DANIEL-ROPS, Henri. História da Igreja de Cristo. A Igreja da Renascença e da Reforma. São Paulo: Quadrante, 1996, v.1, p. 106.

[2] TEJADA, José M. Sáenz de. Vida y obras completas de Santa Margarita María de Alacoque. Miami: Fiat Voluntas Tua Inc/ Quito: Jesús de la Misericordia. 1958, p. 377 (tradução pessoal).

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