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sexta-feira, dezembro 3, 2021

Nova obra do Cardeal Sarah fala sobre a crise do sacerdócio 

Em seu novo livro “Para a eternidade: meditação sobre a figura do sacerdote”, o Cardeal Sarah aborda com clareza a crise na Igreja, do sacerdócio e dos seminários

Peço ao Papa humildemente que ordene a retirada das recentes normas que carecem de justiça e de amor, não correspondem à verdade nem à lei e a liberdade dos filhos de Deus.

Redação (17/11/2021 06:45, Gaudium Press) “Para a eternidade: meditação sobre a figura do sacerdote” é  título do novo livro do Cardeal Sarah

A obra será lançada hoje, 17 de novembro, pela editora Fayard. Nela o Cardeal exorta que uma reforma do clero é a solução para a crise na Igreja.

Um livro para encorajar aos sacerdotes

Em entrevista para “Famille Chétienne”, o Cardeal discorreu sobre os principais temas do livro. O Cardeal explicou que antes de tudo, seu objetivo com o livro é mostrar sua afeição para com os sacerdotes e encorajá-los.

Com efeito, o Cardeal relembrou casos de sacerdotes que se suicidaram e por isso quer encorajar os sacerdotes a não perderem a Deus e a se manterem fiéis a Cristo, como no dia da ordenação sacerdotal de cada um.

Antes de tudo, o Cardeal deseja que o livro seja uma obra de reflexão aos sacerdotes e explicou que a crise na Igreja é “essencialmente uma crise sacerdotal”.

São os santos que mudam a Igreja e não as estruturas

Enquanto uns propõe mudanças nas estruturas a fim de resolver a crise atual, o Cardeal Sarah propõe uma reforma do sacerdócio e argumentou comparando a ação de Lutero e de São Francisco de Assis.

“Os que realmente reformaram a Igreja foram os santos. O exemplo de Lutero e São Francisco de Assis: na época de ambos havia os mesmo escândalos, as mesmas dificuldades para crer na Igreja, mas um quis reformar as estruturas ao sair da Igreja, enquanto o outro quis viver radicalmente o Evangelho. É a radicalidade do Evangelho que reformará a Igreja e não as estruturas”.

O Cardeal explicou que não é contra as estruturas. A organização é útil mas, o que é essencial, segundo ele, é que o sacerdócio e a sociedade se voltem para Deus. “Se os corações não forem mudados pelo Evangelho, a política não mudará, a economia não mudará, as relações humanas não mudarão.”

As estruturas estão muitas vezes em perigo, pois explicou: “nós nos refugiamos atrás delas. Deus não pedirá conta de uma conferência episcopal, de um sínodo… (de nós, bispos) Ele pedirá contas de como geramos nossa diocese, como amamos nossos sacerdotes e como os acompanhamos espiritualmente”.

O papel central da oração na vida do sacerdote

O autor explicou que sua obra dá uma grande importância a oração e exemplifica com a vida de Nosso Senhor, que passou 30 anos em oração antes de começar sua missão. Também os sacerdotes, que são uma prolongação de Jesus Cristo (agem in Persona Christi), são chamados a uma vida de oração.

Quando perguntado se os sacerdotes teriam tempo para se dedicar a oração, visto que as paróquias são cada vez maiores. O Cardeal respondeu que a tentação é de querer fazer muitas coisas. Assim o sacerdote não tem tempo para ficar diante do tabernáculo, “agindo assim, nos esvaziamos da identidade sacerdotal. Perdemos Jesus Cristo de vista a quem devemos imitar”.

O Terço da Esperança e da Solidariedade tem como objetivo “elevar os corações ao Deus da Vida, no acolhimento de sua Palavra, fortalecendo a Fé, a esperança e a união”.

Vida em comunidade, papel das famílias e dos leigos

A entrevista também abordou a temática da vida em comunidade. Segundo o Cardeal, o sacerdote que vive isolado e não dialoga com leigos e sacerdotes corre grande perigo.

Nesse sentido, o Cardeal explicou que as famílias podem ser de grande ajuda para eles. As famílias da paróquia podem convidar os sacerdotes para refeições, pedir conselhos sobre a educação dos filhos, assim elas podem ajudar o sacerdote a sair do isolamento e o padre pode aprender a viver o Evangelho com esse contato.

Sobre o papel dos leigos na Igreja, O Cardeal explanou sobre como os leigos podem auxiliar os sacerdotes: “O Concílio Vaticano II nos lembrou a presença dos leigos na Igreja . E São Paulo também nos disse: ‘A Igreja é um corpo’. Um corpo é constituído de membros”.

Por esta razão, conclui o Cardeal Sarah, é necessário criar uma colaboração harmoniosa. Os leigos poderiam, por exemplo, ajudar na organização, se ocupar dos catecúmenos, etc.

Um livro dedicado aos seminaristas

O novo livro é dedicado aos seminaristas. A intenção é encorajá-los, porque eles veem a crise na Igreja e percebem que a situação é difícil. Ora o Cardeal os exorta:

“Eu quero dizer-lhes: se o Cristo te chamou, Ele dará os meios para o seguir realmente. Procure imitar Jesus e procure tomar a sério este chamado. (…) Ele te sustentará com sua graça, mas é necessário que tu sejas um homem de verdade, honesto, direito que tem todas as qualidades humanas”.

Ainda sobre os seminaristas, o Cardeal Sarah lamenta que os seminários quiseram modernizar os seminaristas insistindo muito sobre as pastorais e perderam o estilo pensado por São Carlos Borromeu. “Antes de enviar seus discípulos dois a dois, Jesus primeiramente os formou durante longo tempo”, disse ele.

“O Ocidente matou a Deus”

Quando perguntado sobre o título de um famoso livro: “França país de Missão”, O Cardeal Sarah disse:  “Não apenas a França, o Ocidente inteiro matou a Deus, Deus não existe. Não temos necessidade dele. Deus está morto, e não temos necessidade de quem está morto (…) o Ocidente orgulhoso julga que não tem necessidade de um pai”.

Em seguida, o Cardeal explicou que um país em missão, é um país que descobre Deus. Por isso é importante que o Ocidente redescubra a Deus e seu amor através do ministério dos sacerdotes. Mas enquanto o Ocidente se manter fechado a essa redescoberta de Deus, a missão não pode ser cumprida. (FM)

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