InícioNotícias da IgrejaO demônio não existe ou disfarça bem?

O demônio não existe ou disfarça bem?

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Uma senhora simples e de boa índole, atravessando uma situação financeira delicada, foi buscar na internet alguma solução para o seu problema e acabou levando para sua casa um programa espiritual esotérico que a ensinou a exaltar o dinheiro e abandonar a religião.

Foto: Jason Leung/ Unsplash

Foto: Jason Leung/ Unsplash

 Redação (25/07/2023 09:56, Gaudium Press) Nos últimos dias, tenho refletido muito sobre a importância do silêncio. Procurei, na boa literatura, escritos de santos que tratam sobre esse tema e encontrei tão ricas pérolas que incorreria em erro se escolhesse uma em detrimento de outras para usar como abertura deste artigo. O que posso dizer, com muita propriedade, é que nunca o silêncio foi tão útil e necessário ao cristão como agora.

 Ao ser preso, o acusado de um crime recebe dos policiais a orientação de que tem o direito de permanecer em silêncio e tudo o que disser poderá ser usado contra ele. De modo semelhante, poderíamos afirmar que tudo o que disser aquele a quem é atribuído o “crime” de ser cristão certamente será usado contra ele, contra a Igreja e contra Deus.

Por maior esforço de memória que faça, não consigo imaginar um período da história em que o ser humano convivesse cotidianamente com tão imenso leque de erros e, não desejando aderir a nenhum deles, fosse obrigado a viver como se eles não existissem, porque o certo e o errado se tornaram relativos e invertidos. De fato, hoje, pecar, amar o pecado e fazer dele apologia são tidos como certo e enxergar o pecado e ousar dizer que é pecado são tidos como erro e a pessoa pode estar sujeita a severas punições.

Se tantos vão por esse caminho, deve ser o caminho certo…

Aquele que pensa que vive retamente, sendo obediente à palavra de Deus e buscando trilhar a via da santidade, se sente, por um lado, indignado e triste e, por outro, esperançoso, pois a coisa anda tão mal que a volta de Jesus deve estar muito mais próxima do que se possa imaginar.

Já aqueles que não são muito afeitos a pensar – porque isso dá trabalho, e preferem se deixar levar – podem estranhar, a princípio, as modas, costumes, expressões artísticas e comportamentos que não lhes parecem bons, mas acabam considerando que, “se tantos vão por esse caminho, deve ser o caminho certo; afinal, o mundo evoluiu, não podemos mais nos deixar levar por ideias ultrapassadas e nem sermos fanáticos religiosos”.

Aliás, vê-se por aí a adesão maciça às práticas mais absurdas, mas … fanatismo é apenas acreditar em Deus, frequentar a Missa e os Sacramentos, vestir-se com pudor, obedecer aos mandamentos e comportar-se com decência.

Assim, o grosso da população vai para onde leva a tendência do momento e, por isso, há tanta gente tonta por aí. As tendências mudam tanto e arrastam para tantas direções diferentes que é difícil segui-las sem entontecer-se. Lamentavelmente, o mundo, hoje, se divide em seguidores e quem tem seguidores. Mas fanáticos, só os que seguem a Deus!

A missão da Igreja

Todo esse preâmbulo – que na imprensa chamamos de “nariz de cera” – é para preparar o seu espírito, caro leitor, antes de tocar numa ferida purulenta: o demônio existe ou não existe?

De uns tempos para cá, virou moda aparecerem pseudossábios afirmando que céu, inferno, purgatório, castigo e bem-aventurança: tudo é invenção da Igreja para manter as pessoas amedrontadas e sob o seu jugo e domínio. Bem, para refutar esse ponto de vista, basta dizer que a Igreja Católica não inventou a Bíblia e nem as leis de Deus. A Igreja foi fundada por Jesus e tem nas Sagradas Escrituras o seu fundamento. Faz parte da sua missão propagar a Boa-Nova, e a existência do demônio está explícita nos livros sagrados, sendo mencionada diversas vezes pelo próprio Jesus.

Contudo, não podemos deixar de considerar que existem também filósofos de maior quilate que se prestam a longos estudos sobre a existência do demônio. Esses, na impossibilidade lógica de negar a sua existência, preferem traçar dele um perfil simpático, admitindo a sua existência, mas negando que ele seja o que dele se diz: a representação do mal, o inimigo de Deus. Criou-se, assim, um “demônio do bem”.

Disso, surgem os satanistas, que chegam a defender até o ensino do satanismo em escolas, como contraponto ao ensino cristão, assunto que tem causado polêmica principalmente nos Estados Unidos, onde o movimento satanista é mais forte.

E nos streamings, são lançadas séries como Lúcifer, um demônio galã e boa praça, que conquista a simpatia geral e faz as adolescentes suspirarem.

Uma verdade de fé negada por muitos cristãos

O pior é que existem religiões ditas cristãs que negam a existência do demônio e até mesmo existem sacerdotes católicos que questionam a existência do maligno ou a sua influência sobre as pessoas, o que é uma verdade de fé defendida pela Igreja.

Eu já escrevi sobre isso, referindo-me mais especificamente à existência ou não do inferno (https://gaudiumpress.org/content/o-inferno-existe-ou-jesus-mentiu/), mas resolvi trazer novamente o assunto à baila devido a uma experiência vivida por uma senhora minha conhecida, que me fez refletir sobre as sutilezas do mal. Por tudo o que se vê no mundo, é óbvio que demônio existe, e uma de suas principais estratégias é disfarçar muito bem a própria existência para enganar os incautos e ganhar adeptos, que, infelizmente, nem sempre possuem discernimento suficiente para perceber a quem estão servindo.

Esta senhora, uma pessoa simples e de boa índole, atravessando uma situação financeira delicada, como acontece com muita gente, foi buscar na internet algum conselho ou solução para o seu problema. Não é segredo para ninguém que, quando pesquisamos algum assunto na internet ou até mesmo quando olhamos para um anúncio por mais de 5 segundos, a imagem de nossos olhos é captada pela câmera frontal do nosso celular e isso faz com que o algoritmo passe a disparar mais conteúdo semelhante.

Comprando gato por lebre

Dessa forma, essa pessoa passou a receber muitos conteúdos e anúncios referentes a finanças e um deles, muito bem elaborado, acabou por chamar a sua atenção. Era a oferta de um curso gratuito – padrão básico de vendas na rede, mas que ela, em sua simplicidade, não conhecia. Sem pensar muito e cheia de esperança, fez a sua inscrição no tal curso, entrou para um grupo de mensagens e passou a receber avisos sobre as aulas. Finalmente, o curso começou e ela ficou admirada com as coisas que o apresentador falava: “Seu Afonso, parecia que ele conhecia a minha vida! Apontou todas as minhas dificuldades, os erros que eu cometia, os hábitos que me fizeram ficar endividada”.

Como esta minha conhecida, muitos outros devem ter se sentido da mesma forma. Afinal, um bom vendedor conhece a psicologia das pessoas, e quem vive uma determinada situação ou problema geralmente segue um padrão de ações equivocadas; logo, o apresentador não falava para ela, mas para todos que têm um mesmo modo de agir. Obviamente, ao final do “curso gratuito”, muitos internautas, inclusive esta senhora, compraram o produto oferecido, um programa bastante caro para ajudar as pessoas a resolverem sua situação financeira.

O que mais me chamou a atenção foi que esta senhora mal consegue pagar as suas contas do dia a dia, no entanto, usou praticamente todo o limite de um cartão de crédito consignado do INSS e comprou o curso.

Para atrair dinheiro, esqueça a sua religião!

Ela me contou que havia uma prática que deveria ser feita todas as manhãs, antes de ouvir um áudio com instruções sobre como resolver o problema com as finanças. Nos primeiros dias, ela ficou até entusiasmada, todavia, como é uma católica praticante, começou a perceber alguns aspectos estranhos. Não se tratava de uma formação em finanças, como ela foi levada a crer, mas de uma prática espiritual com mantras e afirmações como: “Eu amo o dinheiro! O dinheiro é maravilhoso! O dinheiro é bom! O dinheiro é abençoado! O dinheiro é iluminado. Eu me abro para a força que atrai o dinheiro. Eu me deixo dominar por essa força. Eu devo confiar nessa força”.

Segundo ela, essas e várias outras afirmações semelhantes deveriam ser repetidas pela manhã e à noite, de olhos fechados, junto com alguns exercícios corporais e, numa das práticas, havia mantras numa língua que ela não soube identificar. Ela me disse que chegou a “atrair” dinheiro, que recebeu um dinheiro inesperado, mas que isso, em vez de alegrá-la, a incomodou, principalmente porque, em uma das práticas, foi dada a instrução para romper com qualquer conceito de religião. Também foi revelado que aquelas práticas foram “recebidas pelo instrutor de espíritos muito evoluídos que desejam ajudar as pessoas a enriquecerem” e que o que mais atrapalha uma pessoa enriquecer é a religião.

Tomando a atitude certa

Graças a Deus, essa senhora fez a coisa mais sensata que poderia fazer: ela foi se confessar e o sacerdote explicou a ela que o simples fato de dizer “Eu amo o dinheiro” já era um pecado, pois devemos amar a Deus e usar o dinheiro para as nossas necessidades, porém jamais dizer que amamos o dinheiro.

Ela saiu do confessionário esclarecida e de alma limpa. Lamentou o valor que perdeu comprando esse programa de práticas esotéricas disfarçado de curso de finanças, mas conseguiu deixá-lo. Quando me contou ela disse: “Seu Afonso, tenho até vergonha de contar uma coisa dessas! Como pude me deixar enganar assim? Eu tenho dó de tantas pessoas que estão lá e acreditam cegamente naquilo!”

Então, eu me lembrei da passagem em que Jesus nos diz que não podemos servir a Deus e a Mamon:“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon (Mt 6.24). Em muitas tradições, a palavra “Mamon” foi substituída por dinheiro ou riquezas, como sendo sinônimo delas. No entanto, Mamon é um ente demoníaco, conhecido como deus das riquezas, e Jesus sabia exatamente o que estava afirmando ao fazer essa referência. Santa Francisca Romana se referiu a esse demônio ao narrar a sua visão mística do inferno.

Um sistema inspirado por Satanás

A experiência vivida por esta senhora é um exemplo claro de quantas pessoas estão a serviço do diabo e de seus asseclas, e de como ele é dissimulado, como disfarça bem a sua atuação, fazendo algo tão horrível e perigoso parecer bom e agradável. Certamente, cada neófito que repete “Eu amo o dinheiro” e as outras afirmações desse tipo, está penetrando numa “egrégora” (conceito esotérico que representa uma entidade não física que surge dos pensamentos coletivos de um grupo distinto de pessoas) e mexendo com algo que não conhece, forças perigosas que não estão a serviço do bem.

E podem atrair bens materiais, sim, sobretudo para o “guru” que criou esse sistema, inspirado por satanás, e se tornou milionário com a prática de enganar pessoas e levá-las a dar dinheiro a ele, acreditando, ingenuamente, que terão os seus problemas financeiros resolvidos, quando, na verdade, além de não os resolverem, ainda contrairão um sério problema espiritual.

Como se costuma dizer, “o engano está aí, cai quem quer”. E se levanta quem tem a humildade de perceber em que roubada se meteu. Infelizmente, muitos não conseguem ter este discernimento e nem desconfiam com que poderes estão se envolvendo, afinal… o demônio nem existe, não é mesmo?

Por Afonso Pessoa

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