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sábado, agosto 13, 2022

O inalienável direito de existir

Quando uma mãe se decide por matar o seu filho, ela não está apenas extraindo um aglomerado de células, uma massa amorfa ou um tumor de dentro de si; ela está apagando um sonho de Deus.

Uma importante iniciativa “pró-vida” que “põe certo freio na extensão da prática do aborto na rede pública hospitalar”, afirma professor especialista em Bioética.

Redação (2:38 , Gaudium Press) Na semana (passada?) que passou, uma notícia produziu fortes emoções em grupos opostos. Depois de 49 anos, o direito ao aborto deixa de valer nos Estados Unidos, após o Supremo Tribunal aprovar a reversão da decisão do caso Roe vs. Wade, que sustentava que a Constituição do país protegia o direito total da mulher de fazer um aborto. Com essa decisão, o país norte-americano voltará à situação que existia até 1973, quando cabia a cada estado decidir sobre a proibição ou autorização da interrupção voluntária da gravidez.

A política e a justiça americanas são bastante diferentes das nossas. Aqui não temos legislações estaduais regulando os assuntos de diferentes maneiras; o que vale para um estado vale para todos. Nos Estados Unidos, as coisas não funcionam assim. Lá, cada estado possui autonomia para decidir sobre assuntos como este. A boa notícia é que, após a decisão da Suprema Corte, encabeçados pelo Missouri e pela Louisiana, 13 estados colocaram imediatamente em vigor leis que proíbem o aborto, e outros sete aguardam a promulgação de leis semelhantes, o que deve acontecer em algumas semanas. A estimativa é de que a prática do aborto deixe de ser legal em pelo menos 29 dos 50 estados americanos.

Uma vitória histórica, que abala as estruturas do movimento pró-aborto, mas que ainda está ameaçada por uma decisão do Congresso, que pode restaurar as proteções de Roe vs. Wade como lei federal, algo em que aposta fortemente o presidente “católico” dos Estados Unidos, que se declarou “chocado” com a decisão da Suprema Corte e afirmou que “fará tudo o que estiver ao seu alcance para proteger o direito das mulheres interessadas em abortar a viajarem para um estado próximo que permita o aborto”.

Enquanto o ministro da justiça e procurador- geral do estado do Missouri, Eric Schmitt, ao assinar a lei que proíbe o aborto em seu estado declarava: “Hoje é um dia monumental para a santidade da vida!”, o presidente Joe Biden, consternado, tomava a defesa dos pró-aborto, declarando: “É um dia triste para o Tribunal e para o país. Agora a saúde e a vida das mulheres desta nação estão em risco. Mas, isto ainda não acabou” e o ex-presidente Barac Obama dizia, no Twitter, que considera a decisão “um ataque às liberdades fundamentais de milhões.”

Pró-vida ou pró-morte?

Os movimentos pró-vida comemoraram a vitória difícil e tão esperada, ao mesmo tempo que os grupos pró-aborto e um grande número de mulheres lamentavam a derrota, que consideram “temporária”, sobretudo pelo apoio que recebem de seu presidente “católico” pró-morte.

Na defesa da abominável prática do aborto, ouvem-se as justificativas mais estapafúrdias: jovens que terão suas vidas estragadas, que precisarão deixar de estudar, trabalhar, viver; como se não existissem no mundo milhões de mães que não deixam de fazer estas coisas pelo fato de terem filhos.

O assassinato não se justifica em nenhuma hipótese, e o assassinato de criaturas absolutamente indefesas é o pior de todos eles.

Os que aprovam a legalização – ou descriminalização – do aborto alegam que um feto ainda não é um ser humano e que não existe comprovação do momento em que a alma se liga ao corpo – isto, para os que acreditam em alma.

No entanto, basta olhar para a própria ciência para encontrar uma infinidade de relatos sobre a vida intrauterina. Um embrião, ou feto, é uma pessoa humana integral desde a concepção. Os seus órgãos vão se desenvolvendo gradualmente durante os nove meses da gestação, mas, desde que as duas células originais se unem, tem início uma nova vida, e há ali uma alma, um espírito.

“Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe. Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso. Pelas vossas obras tão extraordinárias, conheceis até o fundo a minha alma. Nada de minha substância vos é oculto, quando fui formado ocultamente, quando fui tecido nas entranhas subterrâneas, cada uma de minhas ações vossos olhos viram, e todas elas foram escritas em vosso livro; cada dia de minha vida foi prefixado, desde antes que um só deles existisse.” (Sl 138, 13-16)

E, me atrevo a dizer, com a convicção conferida pela fé, que, desde a concepção, cada pessoa tem um Anjo da Guarda: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra” (Sl 90, 11-12).

Assassino

Se considerarmos o assunto apenas do ponto de vista material, é agressivo, é violento, é hediondo, pela absoluta impossibilidade da vítima de se defender, com o agravante do agressor, para não usar a palavra assassino, ser a própria mãe. A mãe e o pai, porque nenhuma mulher engravida sozinha.

Há casos, dependendo das opções de vida da mulher, que nem mesmo ela tem certeza sobre a paternidade do filho, uma vez que usa a sua “liberdade” para se relacionar com diferentes homens. No entanto, isso não exime de responsabilidade o pai, pois, um homem que se relaciona com uma mulher que não seja sua esposa, já se torna responsável pelo filho que possa ser gerado e, mesmo que ele sequer tome conhecimento dessa gravidez, não deixa de ser o pai daquela criança.

Assim, mesmo que em alguns casos a própria mãe possa não saber de quem é o filho que cresce em seu ventre, Deus sabe. E no dia do Grande Juízo, muitos homens tidos por cidadãos distintos e pessoas de bem serão postos à esquerda do Todo Poderoso e condenados ao fogo do inferno, pelos filhos que semearam irresponsavelmente e por cujos assassinatos são tão responsáveis quanto as mulheres que os cometeram.

Legalização do aborto alivia a consciência?

Este é um assunto delicado, mas que precisa ser tratado com rigor e radicalidade. É um assunto que não admite meios-termos, portanto, dizer-se contrário ao aborto, mas favorável à sua descriminalização é tão hipócrita quanto se declarar vegetariano e passar o fim de semana saboreando um churrasco. Ou se é contra ou se é a favor. Não se pode ser contra uma parte e a favor da outra. Como ser contra o assassinato, mas a favor da legalização do assassinato?

Os defensores alegam ainda que os abortos em clínicas clandestinas expõem a mulher ao risco de morte. Ora, este é um risco que ela assume ao se decidir pelo aborto, seja ele na clandestinidade ou sob o amparo da lei. Legalizar o aborto não evita o crime, apenas dá a ele outros ares que, erroneamente se pensa, trará mais conforto à consciência da praticante. Não trará. Quem mata, sabe que matou e, seja na pocilga ou na clínica chique, legal ou ilegalmente, a mulher levará para sempre as marcas do delito em sua consciência, e é uma marca muito difícil de se apagar, se é que se apaga.

Testemunhos disso dão as próprias mulheres, nos consultórios psiquiátricos, nos confessionários e nos transtornos que as acompanham vida afora, silenciosos por fora, mas gritantes dentro de seus amargurados corações.

Interferência no plano da criação

Até aqui, falamos apenas da extinção da vida biológica, agora, vamos tratar do lado espiritual desse delito. Quando uma mãe se decide por matar o seu filho, ela não está apenas extraindo um aglomerado de células, uma massa amorfa ou um tumor de dentro de si, ela está apagando um sonho de Deus.

Ao fazer um aborto, ela está eliminando uma multidão, pois, matando o seu filho, mata também toda a descendência dele, interrompe uma genealogia, destrói gerações que se originariam daquele futuro homem ou mulher de quem ela tirou o direito de nascer.

Assim, ao fazer um aborto, a mulher e, como dissemos antes, também o homem que a fecundou, interferem no Plano da Criação e mudam o destino de um número incontável de pessoas, impedindo também que muitas coisas programadas por Deus venham a acontecer.

A História do mundo e o equilíbrio do Universo mudam a cada aborto. Por isso, não podemos ser coniventes com nenhuma forma dessa prática dantesca, nem quando a criança tem malformação congênita, nem quando a vida da mãe está em risco, quando é fruto de um estupro ou a gestante ainda é uma criança, como o ocorrido no último dia 23, em Santa Catarina, quando uma menina de 11 anos foi submetida a um aborto “legal”, quase no sexto mês de gestação.

Direito de existir

Vida e morte pertencem a Deus. Isso é uma verdade cabal. Digam o que quiserem dizer, mobilizem-se presidentes ou candidatos a presidente da forma que quiserem se mobilizar, vida e morte pertencem a Deus.

A única maneira real, legítima e eficaz de uma mulher não precisar recorrer ao aborto é respeitar a Deus e a si mesma e manter a castidade. Se considera isso pesado demais ou uma afronta à sua “liberdade” e ao seu “direito de decidir”, que conviva com o fruto do seu direito sobre o seu corpo de forma responsável, porque, sobre o corpo do filho que carrega em seu ventre, ela não tem direito algum, porque ele é um indivíduo distinto dela. Não é, como dissemos, um aglomerado de células, uma massa amorfa, um incômodo, um tumor. É um ser humano com direitos iguais aos dela e aos do genitor, e o principal desses direitos é o inalienável direito de existir.

Por Afonso Pessoa

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