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O Poder da Mediação

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A Liturgia deste domingo vem sublinhar um princípio muito importante e, por vezes, esquecido ou desvirtuado: o da mediação.

Redação (26/09/2021 14:26, Gaudium Press) Durante a passagem do povo eleito pelo deserto, Deus outorgou a alguns anciãos uma participação no espírito que Moisés possuía (Cf. Num 11, 25). Entretanto, a dois outros homens, Eldad e Medad, embora não próximos dos listados por Moisés, encontrando-se no acampamento, também conferiu-lhes esse mesmo dom, o de profetizar.

Ao ser informado do ocorrido, Moisés alegrou-se, deixando que eles continuassem seu ministério recém dado por Deus (Cf. Num 11, 26-29).

No Evangelho nós nos deparamos com uma situação semelhante. Um homem que faz milagres em nome de Jesus sem pertencer ao Colégio Apostólico. Quando São João avisa a Nosso Senhor acerca do caso, o Divino Mestre, longe de proibi-lo que continuasse com os milagres, estimula-o, e afirma: “Quem não é contra nós é a nosso favor” (Mc 9, 10).

Ai daqueles que abusam do nome de Deus…

O princípio que a Liturgia de hoje quer frisar é a o da mediação. Cristo veio à Terra para servir de mediador entre Deus e os homens. Assim, todos os que agem conforme a sua verdadeira doutrina e invocam a sua mediação trabalham para a construção de seu Reino aqui na Terra. Portanto, Ele se coloca como um meio necessário para fazer toda boa obra.

Existe, contudo, outra verdade contida neste Evangelho. Uma ameaça àqueles que usam do nome de Jesus para ir contra os seus decretos.

Se um dos Apóstolos começasse a pregar e propagar doutrinas erradas, mas que se apresentasse como verdadeiras, argumentando como prerrogativa o ser seguidor do Mestre, seria um verdadeiro horror!

Não estaria ele fazendo de seu “cargo” junto ao Divino Mestre, – que lhe fora concedido para servir aos demais – um instrumento para destruir a Igreja ainda nascente?

Ademais, não estaria semeando a desaprovação e a confusão dentro do Corpo Místico de Cristo?

Peçamos luzes para discernir onde se encontram aqueles que usam do nome de Nosso Senhor para fazer o que Ele ordenou, sob pena de não recebermos a repreensão que consta na segunda leitura: “Condenastes o justo e o matastes” (Tg 5, 6).

Convém, pois, rogarmos o dom do discernimento para reconhecermos os mercenários do mundo, que fazem uso do cajado não para apascentar e sim para afugentar e dividir o rebanho de Cristo.

Por Jerome Sequeira Vaz

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