InícioNotícias da IgrejaO pórtico de entrada do Salvador: Maria e sua virgindade

O pórtico de entrada do Salvador: Maria e sua virgindade

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Por seu extraordinário amor à virgindade, Maria Santíssima mereceu ser a Mãe de Deus, mostrando para os séculos futuros quanto esta virtude é fecunda.

Foto: Reprodução

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Redação (23/12/2023 16:32, Gaudium Press) A casa erigida por Deus para a tranquilidade de Davi é uma Virgem, oriunda de sua linhagem, chamada Maria. Ela é a Casa de Deus por excelência, Aquela que traz a verdadeira estabilidade e a plenitude da paz. Ela é o prêmio da Aliança que o Senhor firmou com Davi, seu fruto mais extraordinário. Depois d’Ela virá Aquele cuja personalidade não é humana, e sim divina, Aquele que é ao mesmo tempo criatura e Criador, Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Maria Santíssima.

O fragmento de São Lucas que analisaremos a seguir é conhecidíssimo. Mas o Evangelho, cujas frases sucintas ― ó maravilha! ― sempre apresentam aspectos novos, assemelha-se a um caleidoscópio que, embora tenha poucas pedrinhas em seu interior, ao ser girado inúmeras vezes nunca forma uma figura idêntica às anteriores.

Um Deus Encarnado pedia um horizonte à altura

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma Virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. (Lc 1,26-27)

Vemos neste detalhe como a Providência, ao escolher uma aldeia sem importância, quis sublinhar a pobreza e o apagamento no qual o Deus Encarnado ― Aquele que é a Humildade em essência ― preferiu viver durante um longo período, distante das vistas humanas. Para realizar tal desígnio, Ele poderia ter optado por uma região baixa e profunda; mas preferiu habitar num lugar elevado, com panorama amplo, porque sua natureza divina exigia que a natureza humana assumida tivesse um horizonte mais de acordo com a altura d’Ele, Deus!

Maria teve a maior plenitude de graça possível

“O Anjo entrou onde Ela estava e disse: ‘Alegra-Te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’” (Lc 1,28)

A expressão “o Anjo entrou” é sinal de que Maria estava recolhida em sua casa, e decerto rezava. O que disse o Anjo? “Alegra-Te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” É presumível que a frase não tenha sido estritamente esta, e sim muito mais extensa; no entanto, detenhamos nossa atenção nas palavras “cheia de graça”.

Levando em conta o quanto na economia da graça tudo se passa de maneira muito diferente da economia dos homens, devemos considerar que Maria Santíssima recebeu, desde a sua concepção, o máximo da graça que a uma criatura humana é dado ter. E que excelência era esta! Se somássemos toda a graça dos Anjos e dos Bem-aventurados que existiram e existirão até o fim do mundo, já em seu grau consumado, não atingiria a superabundância inicial de Nossa Senhora. Ademais, é preciso lembrar que, a partir do momento de sua criação, Ela possuía a ciência infusa, bem como toda a piedade, todas as virtudes e todos os dons do Espírito Santo, de modo que seu primeiro ato de vontade foi de amor a Deus. À medida que Ela ia progredindo, esta caridade também crescia: a cada segundo seu amor era perfeitíssimo, completo, e Ela chegava à máxima semelhança possível com Deus; e no segundo seguinte Ela avançava mais, tendo sempre em Si a plenitude da graça que poderia conter naquele instante.

Por que e como terminou, então, a Santíssima Virgem o curso desta vida, uma vez que, concebida sem pecado original, Ela não sofreu doença alguma e, por conseguinte, não teve nenhuma causa mortis? Nossa Senhora foi impelida a abandonar a Terra porque era tal a quantidade de graça derramada em sua alma, que se diria ter Ela esgotado toda a capacidade de receber… N’Ela não cabia mais graça.

A todo custo, manter a virgindade!

O evangelista diz que Maria ficou perturbada com a saudação do anjo (cf. Lc 1,29), em seguida afirma:

“O Anjo, então, disse-Lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu Reino não terá fim”. Maria perguntou ao Anjo: “Como acontecerá isso, se Eu não conheço homem algum?” (Lc 1,30-24)

Para acalmar a inquietação de Maria, o Anjo anunciou o que iria suceder, bem como os traços distintivos do reinado do Messias, os quais, sem dúvida, coincidiam com as meditações feitas por Ela. Talvez até a descrição do Anjo fosse insuficiente, pois a ele quiçá não tenham sido revelados certos detalhes que Ela já havia contemplado. Mas, em meio àquela inesperada comunicação, emergia para Nossa Senhora uma dificuldade: nunca pensara que pudesse ser Ela a Mãe do Messias! Um único receio a deixava troublée, perplexa. Com efeito, desde o primeiro instante de sua concepção imaculada, entre a multiplicidade das graças que Lhe tinham sido dadas, reluzia o extraordinário amor ao estado de virgindade e um chamado altíssimo à perfeita prática da castidade. Logo nos primórdios de sua existência, gozando do uso da razão, Ela fizera voto de virgindade e, quando ingressara no Templo, ainda menina, já Se entregara a Deus enquanto Virgem.

O texto evangélico é muito delicado ao sublinhar que Nossa Senhora não pusera objeção alguma ao plano de Deus, e apenas formulara uma pergunta. Na verdade, se manifestasse outro temor ou levantasse dúvidas sobre qualquer ponto, não seria digna de ser a Mãe de Deus. Ela queria, isto sim, um esclarecimento acerca de como se realizaria este inefável mistério. Atitude bem diferente, por exemplo, da de Zacarias, ao inquirir sobre o nascimento de São João Batista: “Como terei certeza disso? Pois sou velho e minha mulher é de idade avançada” (Lc 1,18). Ele, porque não deu crédito às palavras do Anjo (cf. Lc 1,20), permaneceu mudo até o dia da circuncisão do Precursor.

Estava a Santíssima Virgem prometida em casamento a José, como se lê no versículo 27, ou seja, as bodas deveriam estar em preparação. E embora os comentaristas discutam a propósito desta particularidade, não vacilamos em afirmar que São José não só fora informado com precisão do desígnio de Maria, como estava em inteira concordância com ele, tendo os dois já conversado sobre isso e chegado à conclusão de que Deus os preparava para tal: ambos guardariam a virgindade para o resto da vida, até a morte. O “Eu não conheço” expressa isso; do contrário, Ela não interrogaria o Anjo e seria levada à ilusão de que da união conjugal com José nasceria o Messias.

Caso verdadeiramente inédito, pois, naqueles tempos, tanto para o homem quanto para a mulher ― com raríssimas exceções, como Santo Elias ―, a virgindade não era uma opção cabível. Se a ausência de filhos no matrimônio era interpretada como uma falta de bênçãos da parte de Deus, muito mais o era não se casar. Entretanto, Nossa Senhora vinha inaugurando uma via nova e encontrou um esposo ideal, ao ser ouvida sua oração: ele seria a proteção da virgindade d’Ela e Ela seria a proteção da virgindade dele.

De um lado, Maria não queria negar o seu consentimento à mensagem divina transmitida pela voz do Arcanjo; de outro, desejava manter a todo custo a virgindade, receando ofender a Deus ou, ao menos, desmerecer este privilégio, não tanto pelo que este de si importava para Ela, mas pela glória que dava a Deus.

Peçamos, pois, à Maria Santíssima que nos obtenha a graça de amarmos sua integridade e pureza em meio a este mundo que tanto se divorciou de Deus, a fim de sermos exemplos de verdadeiros cristãos que seguem a Nosso Senhor em todas as coisas.

Extraído, com adaptações, de:

CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos: comentários aos Evangelhos dominicais. Città del Vaticano-São Paulo: LEV-Instituto Lumen Sapientiæ, 2012, v. 3, p. 62-75.

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