O que é prudência?

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Como bem interpretar o conselho de Jesus: “Sede prudentes como as serpentes” (Mt 10, 16)? No que consiste a verdadeira Prudência?

Redação (01/09/2020 15:08, Gaudium Press) Para muitos esta virtude será sinônimo de timidez e falta de ousadia e, por consequência, quem a praticar só poderá colher fracassos na vida. Em contrapartida, com razão já diziam os antigos romanos: audaces, fortuna iuvat. A fortuna só ajuda aos audazes… Por outro lado, alguns confundirão esta virtude com a dissimulação e falsidade ou, quiçá, considerá-la-ão como um título útil para encobrir o medo ou a covardia.

Já na antiga Grécia, Aristóteles definira com exatidão a Prudência como sendo recta ratio agibilium, a reta razão no agir. E a Igreja afirma ser ela a virtude que nos torna capazes de discernir qual é nosso verdadeiro bem e nos faz escolher os meios adequados para realizá-lo.

Administradores de bens alheios e transitórios

Deus coloca em nossas mãos os bens do corpo e da alma — os da graça e os bens materiais: vida, talentos, riquezas, etc. — para que os administremos em função de sua Lei e glória. Como usá-los corretamente?

Um certo dia, que não sabemos, mas não muito longínquo, seremos demitidos de nossa administração dos bens deste mundo. Prestadas as contas, qual será nosso destino eterno?

Com efeito, as apreensões da criatura humana face à administração desses bens e às contingências da vida conduzem-na a optar pelas vias da falsa ou verdadeira prudência.

Uma falsa prudência

Esta virtude quando é falsa, portanto, num sentido pejorativo, busca um fim terra-a-terra, temporal e passageiro. Ela é fruto de uma filosofia pagã para a qual não existe Deus, nem a alma humana e a remuneração futura.

Não poucas vezes, a falsa prudência sabe empregar manhas e artimanhas para obter os bens terrenos, mas não os eternos. Para ela, o fim justifica os meios. Fundamenta-se ela na sabedoria deste mundo e daí surgem equívocos como, por exemplo, o de querer construir edifícios eternos com o que não é senão passageiro.

A virtude da prudência

Diametralmente oposta se encontra a verdadeira virtude da prudência. A ela só se atém quem se deixa conduzir pela graça de Deus diante de uma dificuldade. São Tomás de Aquino nos esclarece bem o quanto consiste esta virtude na reta escolha dos meios convenientes para obter um determinado fim:

1 – A prudência é a virtude mais necessária à vida humana, pois viver bem consiste em agir bem. Ora, para agir bem é preciso não só fazer alguma coisa, mas fazê-lo também do modo certo, ou seja, por uma escolha correta e não por impulso ou paixão. É a arte de decidir corretamente.

2 – Como, porém, a escolha visa aos meios a fim de conseguir um fim, exigem-se duas coisas para ela ser correta: o fim devido e os meios adequados a esse fim.

3 – Ora, ao fim devido o homem se dispõe convenientemente pela virtude, que aperfeiçoa a parte apetitiva da alma, cujo objeto é o bem e o fim. Quanto aos meios adequados a esse fim, importa que o homem esteja diretamente disposto pelo hábito da razão, porque aconselhar e escolher, que são ações relacionadas com os meios, são atos da razão.

É necessário, pois, haver na razão alguma virtude intelectual que a aperfeiçoe para ela proceder com acerto em relação com os meios.

Nosso Senhor Jesus Cristo: exemplo de prudência

Vejamos esta consideração feita por Plinio Corrêa de Oliveira:

“Os grandes atos de heroísmo podem ser tão prudentes quanto os recuos estratégicos. Se o fim é vencer, em noventa por cento dos casos é mais prudente avançar do que recuar. Não é outra a virtude evangélica da prudência.

“Entretanto, entende-se que a prudência é só a arte de recuar. E, assim, o recuo sistemático e metódico passou a ser a única atitude reconhecida como prudente por muitos de vossos amigos, Senhor Jesus.

“E por isto se recua muito… A realização de uma grande obra para vossa glória está muito penosa? Recua-se por prudência. A santificação está muito dura? A escalada na virtude multiplica as lutas em vez de as acalmar? Recua-se para os pântanos da mediocridade, para evitar, por prudência, grandes catástrofes. A saúde periclita? Abandona-se, por prudência, todo ou quase todo apostolado e mediocriza-se a vida interior. Transforma-se o repouso no supremo ideal da vida, por que a vida foi feita, antes de tudo para ser longa. Viver muito passa e ser o ideal, em vez de viver bem. O elogio já não seria como o da Escritura: ‘Em uma curta vida percorreu uma longa carreira’ (Sb 4, 13). Seria o contrário, ‘teve longa vida e renunciou uma grande carreira nas vias do apostolado e da virtude’. Vidas longas, obras pequenas.

“E como foi vossa prudência, ó Modelo divino de todas as virtudes? Quantos amigos tendes, que Vos aconselhariam a renunciar quando ao carregar a cruz caístes pela primeira vez? Da segunda vez, seria uma legião. E vendo-Vos cair pela terceira, quantos Vos não abandonariam escandalizados, achando que éreis temerário, falta de bom senso, que queríeis violar os manifestos desígnios de Deus!

“Esse exemplo divino nos mostra que devemos ter uma invencível constância no bem, conhecendo perfeitamente o caminho do verdadeiro heroísmo”.

Condutora das virtudes

De onde se conclui ser a Prudência a mais necessária de todas as virtudes morais, pelo fato de nos orientar em todos os instantes sobre aquilo que convém fazer ou omitir para alcançar a vida eterna. Por isso, e, com razão, é chamada auriga virtutum, condutora das virtudes, pois é ela que governa e dirige todas as outras, indicando- lhes a regra e a medida em cada caso particular.

Graças a esta importantíssima virtude poderemos sempre discernir a verdade do erro e, assim, abraçar o bem e evitar o mal.

Texto extraído, com adaptações, da revista Arautos do Evangelho n.69 setembro 2007

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