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sexta-feira, abril 15, 2022

O sofrimento é algo passageiro

Devemos aprender que o sofrimento e a cruz, por mais negra que se apresente, contêm no fundo um sorriso divino e uma como que ressurreição, um fulgor e uma glória.   

Redação (01/04/2022 15:57, Gaudium Press) Eliminar o sofrimento é impossível, também é certo que Deus nunca exige algo acima de nossas forças: “Deus qui ponit pondus, supponit manum — Deus que coloca o peso, põe a mão debaixo”, diz o provérbio.

A dor existe tanto na via da santidade quanto na do pecado; na primeira é sempre mais suave e, no fim, todo sofrimento bem suportado dá em triunfo, como recorda Santo Afonso Maria de Ligório:

“É preciso sofrer; todos temos que sofrer. Todos, sejam justos ou pecadores, hão de levar a cruz. Quem a leva pacientemente se salva, e quem a leva impacientemente se condena. […] Quem se humilha nas tribulações e se resigna com a vontade de Deus é grão do Paraíso, e quem se ensoberbece e se irrita, abandonando a Deus, é palha para o inferno”.

Tão grande é a glória que nos aguarda na eternidade, no júbilo da visão beatífica, que ela justifica todos os padecimentos que possam nos sobrevir. Nas palavras do Apóstolo: “os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rm 8, 18).

Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Quando se abater sobre nós um drama ou um malogro que não entendemos, seja isso para nós causa de regozijo, porque indica que levamos na alma o sinal dos predestinados:

“Assim como Deus tratou seu amadíssimo Filho, assim também tratará a quem ame e adote como filho”.

Dilemas, desilusões, desentendimentos, reveses de saúde, incompreensões familiares, dificuldades financeiras ou desastres são permitidos pela Providência para o nosso bem.

Por isso pergunta São Paulo: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com Ele?” (Rm 8, 31b‑32).

“Tudo” inclui também a dor. Enchamo-nos, pois, de alegria, porque estamos caminhando ao longo desta Quaresma, passo a passo, rumo à Crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Confiantes de que a Providência nunca nos desampara, abandonemo-nos inteiramente em suas mãos — como Abraão e o próprio Homem-Deus —, para que Ela faça de nós o que Lhe aprouver.

Obedecer à vontade de Deus

Deus espera de cada um de nós este sacrifício: desapego daquilo que nos desvia do rumo certo, ou de qualquer apreensão que amarre nosso coração a algo que não seja Ele, e docilidade no tocante à sua vontade.

Uma vez que nos chamou à santidade, Ele nos quer por inteiro e que estejamos constantemente com o cutelo elevado como Abraão. Se Abraão esteve disposto a entregar Isaac, como não estaremos nós prontos para oferecer aquilo que constitui um obstáculo para a salvação e para nosso relacionamento perfeito com o Senhor?

De quanto proveito seria firmarmos um propósito ardoroso de pôr sobre a lenha cada um de nossos caprichos, sobre eles descer a faca e, em seguida, atear-lhes fogo, imolando-os em holocausto a Deus!

Desta maneira, como Abraão, nos tornaríamos livres de qualquer apreço desordenado às criaturas. Que consolo seria podermos ouvir a voz de Deus dizendo-nos:

“Uma vez que recusaste todos os teus apegos, queimaste-os e puseste-os num altar em sacrifício, Eu te abençoarei, porque tu Me obedeceste”.

Lembremo-nos, então, do que Nosso Senhor ensinou: “Se alguém quer vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me” (Lc 9, 23). Esta cruz não é pesada, mas, pelo contrário, alivia os pesos de nossa consciência. Ela significa obedecer à vontade de Deus.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP.

 

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.142, março 2015.

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