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Pio XII e os judeus

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Uma vez mais os arquivos do Vaticano confirmam o papel protagonizado pelo Papa Pio XII em benefício dos judeus perseguidos durante a Segunda Guerra mundial

Os principais interlocutores da Comissão de Socorro foram os núncios, os delegados apostólicos e os bispos: executores das obras de caridade do cargo.

Redação (11/02/2022 17:00, Gaudium Press) Os historiadores tiveram acesso aos arquivos do pontificado de Pio XII e puderam confirmar que, de fato, o Papa Pio XII foi responsável por salvar milhares de judeus da perseguição nazista.

O fato que agora se confirma era desde há muito uma conjuntura a propósito das ações benfeitoras do mencionado Pontífice.

Uma ficção fez esquecer as atitudes do Papa

Entretanto, a visão real e positiva sobre as atitudes do Papa para com os judeus, viu-se atacada após a obra de teatro O Vigário (Der Stellvertreter).

O autor da ficção, Rolf Hochhuth, antigo membro da juventude hitleriana, lançou 5 anos após a morte do Pontífice, uma obra de teatro na qual tentava imputar a Pio XII e à Igreja Católica um papel de inação e, até mesmo, de cumplicidade em relação ao regime nazi.

Documentos do Vaticano confirmam o combate ao nazismo

O acesso aos documentos da época (ante e pós guerra) vieram confirmar as inúmeras medidas adotadas pelo Papa para, de um lado, criticar e combater o nazismo e, por outro lado, defender, proteger e salvar os judeus do extermínio.

Entre os historiadores que tiveram acesso aos documentos, antes e pós-guerra, está a figura do célebre historiador padre Pierre Blet.

Para os judeus ficava claro que Pio XII estava do lado deles, que o Papa e seus colaboradores fariam tudo ao seu alcance para salvá-los.

Discursos e Encíclicas contra o nazismo

Os primeiros registros que se tem sobre o combate contra o regime totalitário da parte de Pio XII data da sua época de Cardeal.

Já em 1928, o então Cardeal Eugenio Pacelli, futuro Pio XII, não cessava de fustigar o nazismo. O Cardeal pronunciou 40 discursos contra o regime totalitário e participou na criação da encíclica Mit brennender Sorg (1937) do Papa Pio XI, que alertou e criticou as teorias nazistas.

Em sua primeira encíclica, Summi pontificatus (1939), Pio XII denunciou as ideologias obcecadas pela raça. Texto que foi difundido clandestinamente na Alemanha.

Com a difusão da encíclica, os nazistas tiveram um alta taxa de rejeição nas regiões católicas, o que desencadeou a perseguição do Nacional Socialismo contra o Catolicismo, “o rebento judaico”.

Voz contra o regime e a favor das vítimas

Heydrich, membro da SS, dirá posteriormente que o Papa se tornou o “porta-voz dos criminosos de guerra judeus”. Albert Einstein afirmará que a “Igreja Católica foi a única a levantar a voz contra o ataque de Hitler à liberdade”.

Como diplomata, o Papa percebeu que uma palavra mal interpretada poderia agravar ainda mais a situação, haja vista a declaração dos bispos holandeses que resultou em uma perseguição mais intensa contra os judeus dos Países Baixos e derivou na morte de mais pessoas entre elas Edith Stein, por exemplo.

Entretanto, o Papa via com preocupação o agravamento da perseguição contra os judeus europeus. É conhecida sua alocução natalina de 1942, no qual o Santo Padre evocou os milhares de pessoas que “sem culpa nenhuma da sua parte, unicamente por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo”.

Judeus acolhidos nos conventos de Roma

Paralela e discretamente, o Papa articulou um plano para salvar os judeus e criou uma associação destinada a isso. Johan Ickx revelou a “lista Pacelli” que continha o nome de 2800 judeus que foram acolhidos nos conventos de Roma.

Entre os judeus salvos, estava o grande rabino de Roma, Israel Zolli, que mudou seu nome para Eugênio Pio Zolli em homenagem  “à esplendorosa caridade do Papa”. O Papa também pressionou os países neutros a acolher os refugiados.

Outros reconhecimentos

Golda Meir, antiga ministra das relações exteriores do Estado de Israel, relembrou por ocasião da morte de Pio XII, em 1958, que durante a terrível perseguição nazista “a voz do Papa se levantou para condenar os perseguidores e para invocar a piedade com as vítimas”.

O Cardeal Pietro Palazzini, um dos 88 Cardeais homenageados no memorial israelita de Yad Vashem (também conhecidos pelo epíteto de “Justos”), atribuía o mérito dessa menção honrosa ao Santo Padre Pio XII.

Golda Meir, ministra das relações exteriores de Israel

“Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro”

Não é possível duvidar da reprovação do Papa ao regime nazista. Mas, ainda assim, muitos criticam Pio XII por não ter feito um protesto insuficiente…

Porém, Pio XII estava orientado para a ação e decidiu tornar sua a citação do Talmud: “quem salva uma vida, salva o mundo inteiro”. (FM)

Texto adaptado do original Pie XII et les juifs, la parole et les actes” de Jean-Marc Albert, em Valeurs Actuelles.

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