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Por que Agnes Chow não vai voltar a Hong Kong

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A ativista católica pró-democracia fez um relato no Instagram sobre a situação em Hong Kong, e a reeducação na China continental.

Foto: Asia news

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Redação (06/12/2023 09:31, Gaudium Press) Foram muitos abraços, desejos de compreensão e enriquecimento mútuo, etc., tudo sob o talismã da ‘sinização’ da religião. Os aromas do recente encontro entre o Bispo de Hong Kong e o de Pequim merecem ser temperados por declarações como a de Agnes Chow – uma ativista católica pró-democracia de 27 anos, presa por sete meses pelos protestos de 2019 e depois libertada em 2021 – que do Canadá explica “Por que optei por não voltar mais para Hong Kong”.

O relato da ex-colaboradora litúrgica da paróquia do Imaculado Coração de Maria foi postado no Instagram e reproduzido pela a agência de notícias Asia News.

Agnes conta que, no dia em que saiu da prisão, seu passaporte foi confiscado. E que deveria ir a cada três meses à delegacia para assinar um “Aviso de detenção de documentos de viagem”. “Durante vários anos não participei de nenhuma atividade pública, não me envolvi em política, não voltei a contatar meus antigos amigos e esperei em silêncio. No entanto, ainda não tinha o direito de sair do país. Às vezes, quando me apresentava para trabalhar, a Segurança ainda estava ‘preocupada’ com minha situação (minha renda, meu trabalho, minha família, meus relacionamentos), como se, de vez em quando, ela me lembrasse que não tinha recuperado minha liberdade, que ainda estava sob vigilância e que não deveria tentar fazer nada. Continuei vivendo com medo e temor, minha condição psicológica se deteriorou e 2023 foi o pior ano para mim emocional e fisicamente”.

Por isso decidiu tentar fazer mestrado na Universidade de Toronto.

“Durante o processo de inscrição, a Segurança Nacional pediu-me para escrever uma ‘carta de arrependimento’, declarando que lamentava minhas atividades políticas passadas e que não me comunicaria mais com aqueles envolvidos. Se eu não estivesse disposta a ceder, teria perdido a oportunidade de estudar. E, naquele momento, eu só esperava poder sair de Hong Kong em segurança para continuar meus estudos.”

“Depois de superar muitos obstáculos, fui informada pela Segurança Nacional, no início de julho deste ano, que, se eu quisesse estudar no Canadá, havia mais uma condição: ‘ir para a China continental conosco’ (ou seja, ser ‘acompanhada’ e ‘protegida’ por agentes da Segurança Nacional da polícia de Hong Kong). Eu sabia que não tinha o direito de recusar.”

Em agosto, foi realizada a viagem à China continental, com cinco agentes. Ela não sabia o que iria acontecer.

“Naquele dia, além de comer, beber e me divertir, estava programada uma visita à ‘Exposição de Reforma e Abertura’ para conhecer o desenvolvimento da China e do Partido Comunista, bem como as ‘brilhantes conquistas’ dos sucessivos líderes [comunistas]. Mais tarde, fui levada à sede da Tencent [uma das maiores empresas produtoras de games] para aprender sobre o ‘desenvolvimento tecnológico de nossa pátria’.” Em suma, esses dias foram cuidadosamente planejados para a sua reeducação.

“Quando retornei a Hong Kong, fui novamente convidada pela Segurança Nacional a escrever uma carta, agradecendo à polícia por organizar a viagem e permitir que entendesse o grande desenvolvimento de nossa pátria”. Acho que escrevi várias cartas desse tipo naqueles poucos meses. Finalmente, em meados de setembro, saí de Hong Kong para estudar em Toronto, no Canadá, e recebi meu passaporte um dia antes da partida.”

O compromisso era que ela retornaria a Hong Kong em dezembro, porém, ela decidiu não voltar: “Não quero ser forçada a fazer o que não quero, e não quero mais ser forçada a ir para a China continental. Se isso continuar, mesmo que eu esteja em segurança, meu corpo e minha mente entrarão em colapso.”

Por isso ela decidiu permanecer no Canadá; mais do que compreensível.

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