Quando e como a Bíblia foi escrita?

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A Palavra de Deus foi conservada e mais tarde posta por escrito por homens assistidos pelo carisma da inspiração: os hagiógrafos. Ao leitor interessará, por certo, saber quando e de que modo se elaboraram esses escritos.  

Redação (07/10/2020 17:47, Gaudium Press) Sabe-se hoje que a Bíblia foi escrita num período de pouco mais de mil anos.

Acreditou-se, por muitos séculos, que o primeiro e um dos maiores hagiógrafos fosse Moisés que teria escrito o Pentateuco. A Bíblia, portanto, teria começado a ser escrita por volta do ano 1200 a.C. Tal crença é contestada, hoje em dia, pela generalidade dos especialistas que, baseados em posteriores descobertas científicas e minuciosos estudos, preferem datar os primeiros escritos no tempo de Salomão, aproximadamente no ano 1000 a.C.

O fato de o Novo Testamento referir-se, por vezes, a Moisés como autor desses livros não nos deve causar embaraço, uma vez que sabemos ter sido a intenção dos hagiógrafos — e, sobretudo, a do Espírito Santo — não a de nos comunicar através das Sagradas Escrituras conhecimentos científicos ou históricos precisos, mas sim as verdades que importam à nossa salvação. Os hagiógrafos, pois, exprimiam-se nessas matérias segundo as concepções comuns e correntes na época.

Do mesmo modo acredita-se hoje, em geral, que os primeiros escritos do Antigo Testamento não foram os do Pentateuco, mas alguns livros históricos. Muitos estudiosos sustentam mesmo que o primeiro texto escrito foi o canto de Débora, do Livro dos Juízes.

Não é possível determinar com exatidão as datas em que os livros sagrados do Antigo Testamento foram redigidos, mas a cronologia mais comumente aceita é a que exporemos a seguir.

Até o reinado de Davi e Salomão (aproximadamente anos 1000 a 930 a.C.) teriam aparecido o cântico de Débora, os livros de Samuel e alguns episódios do Gênesis. No tempo que vai deste último até o exílio babilônico (930 a 586 a.C.) teriam surgido alguns livros proféticos: Amós, Oseias, Miqueias, Isaías (1– 39), Jeremias, Sofonias, Naum, Habacuc e Deuteronômio. Seriam do período do exílio (586 a 538 a.C.) os livros de Ezequiel, a segunda parte de Isaías, o chamado deutero Isaías (40–55), Josué, Juízes e Reis.

Na primeira época pós-exílica (583 a 300 a.C.) teriam surgido os livros de Ageu, Zacarias, a terceira parte de Isaías — o trito Isaías — (56–66), Malaquias, Jó, Jonas e Cântico dos Cânticos; também teriam sido concluídos os Salmos, ampliados os Provérbios e teriam aparecido Esdras e Números. É só neste período que se teria completado o Pentateuco.

Na segunda época após o Exílio (300 a 50 a.C.), que é a dos Macabeus, teriam aparecido os livros de Tobias, Eclesiastes, Eclesiástico e Sabedoria. E por fim, no século que antecedeu o nascimento de Jesus Cristo, os últimos livros: Joel, Daniel, Judite, Primeiro e Segundo dos Macabeus.

Quanto ao Novo Testamento, foram seus livros redigidos provavelmente entre os anos 50 e 100 da Era Cristã. E os primeiros não foram os Evangelhos, mas algumas cartas paulinas.

Papiros e pergaminhos

Nos anos em que reinaram os soberanos de Israel, quando presumivelmente foi elaborada a maior parte dos livros do Antigo Testamento e nos tempos apostólicos, em que o foram quase todos os do Novo, não se conhecia a máquina de escrever e muito menos os modernos computadores. Nem sequer o papel e a caneta! Como então teriam sido escritos esses textos?

Causa-nos espanto saber que em certo período da Antiguidade se escrevia com frequência em pedra, placas de metal ou cerâmica. Eram estas últimas, tábuas de argila sobre as quais se imprimiam, com o auxílio de um estilete, os caracteres adequados compondo os textos. Tais placas eram, em seguida, levadas ao forno para serem cozidas e assim conservadas.

 

Quando os livros bíblicos começaram a ser escritos, entretanto, já haviam surgido meios mais simples de se escrever, usando tinta sobre papiro ou pergaminho, materiais precursores do papel.

O primeiro provém de um vegetal, abundante nas margens do Nilo, cujo caule prensado oferecia algo à maneira de uma folha de papel. Os israelitas bem o conheciam do tempo em que permaneceram no Egito e os egípcios o comercializavam largamente. Com ele se produziam também embarcações e outros objetos. A cesta na qual Moisés fora colocado entre os juncos do rio para fugir à ira do Faraó era de papiro.

O pergaminho tem sua origem na cidade de Pérgamo, capital da Mísia e importante cidade da Ásia Menor, de onde lhe vem o nome. Ele é couro de carneiro tratado de modo especial, resultando numa folha consistente e relativamente fina. Bem mais resistente e durável, entretanto mais custoso do que o papiro, começou a ser amplamente usado para os documentos mais importantes.

Os livros escritos em papiro eram em geral conservados em rolos, guardados no Templo e nas sinagogas, para serem lidos nas cerimônias litúrgicas. Os pergaminhos, mais consistentes e oferecendo dificuldade para se conservarem em rolos, propiciaram a importante invenção dos cadernos ou códices. Formavam-se estes dobrando em quatro as folhas de pergaminho e compondo assim volumes semelhantes aos nossos atuais livros. Talvez se deva aos cristãos esta grande descoberta, pois os códices já eram usados nos primeiros séculos do Cristianismo.

Os hoje chamados Códices — as cópias mais antigas da Bíblia existentes entre nós — datam, entretanto, dos primeiros séculos do Cristianismo. Alguns deles contêm versões quase completas das Escrituras. Os principais se encontram na Biblioteca do Vaticano, no Museu Britânico e em alguns outros grandes museus do mundo. Desses “originais” são feitas as diversas traduções modernas das Sagradas Letras.

Da Idade Média, pelo meritório trabalho dos monges copistas, uma grande quantidade de cópias das Escrituras chegou até nós. E as mais recentes descobertas arqueológicas vêm atestar a admirável fidelidade dos manuscritos medievais às mais antigas versões.

Se o leitor considerar que os mais antigos fragmentos conhecidos de manuscritos relativos ao Antigo Testamento datam do século II a.C., e que os livros veterotestamentários começaram a ser escritos provavelmente no reinado de Salomão, por volta do século X a.C., temos um período de 800 anos entre esses primeiros escritos e os mais antigos fragmentos conservados. Isso significa que as Escrituras chegaram até nós através de uma longa sucessão de cópias de cópias manuscritas hoje perdidas.

Pe. Arnóbio José Glavam, EP

Texto extraído, com adaptações, da revista Arautos do Evangelho n.146. fevereiro 2014

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