Reforma: São Carlos Borromeu ou a sopa de vidro?

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“Novo perfil”, abrir portas e janelas, reformar… Na verdade, o que significa tudo isso?

Redação (04/11/2020 11:14, Gaudium Press) Cisma à vista! Depois das heresias e das novas doutrinas, os cardeais, bispos e padres se dividem. De um lado, os adeptos da aberração e da infâmia, do outro, os fiéis ao Magistério. Além de pedir esclarecimentos, o clero e o povo embaraçados reclamam uma posição da Santa Sé.

O que outrora foi afirmado e definido pelo Magistério não tem nenhum valor para estes que querem a todo custo dar à Igreja um “novo perfil” que a reforme por inteiro? Por que não continuar, como milenarmente se fez, procurando a santidade e a virtude por meio dos ensinamentos evangélicos, mas querer agora lançar mão dos princípios da moral católica?

Haveria muitos modos de combater esse perigo, mas de tal maneira o erro se espalhou pelo mundo, que já não há como remediar. O pronunciamento do pontífice, apesar de um pouco tardio, foi providencial e não menos decisivo.

A perda de muitas almas, a essas alturas, é inevitável. Trata-se agora de cuidar, esclarecer, orientar e fortalecer na sã doutrina as que, fiéis aos bons costumes e à fé católica, permaneceram no seio da Igreja. E – trabalho não menos penoso! – trazer de volta as almas fracas que por um momento hesitaram ou abandonaram a fé por culpa dos falsos pastores.

A resposta do Sumo Pontífice a tudo o que acontecia não poderia ser melhor: “Convoquemos um Concílio!”.

Paulo III (1534-1549) se mostrava assim zeloso pela Igreja e providencialmente ativo na defesa da causa verdadeira. Restaurar era preciso. A situação da Igreja se agravava pelo relaxamento dos costumes e pelo relativismo moral dentro da Hierarquia. Era preciso, então, reformá-la internamente antes de, externamente, combater os semeadores do joio e da confusão.

O futuro ainda provaria quão providencial era este Concílio.

Reforma, já!

O Concílio de Trento (1545-1565) lançou mais regras de institucionalização para o clero e mais condenações para os hereges do que todos os 18 Concílios anteriores somados!

Reforma queriam os maus. Reforma queriam os bons. Quem não queria reforma?

Os maus a fizeram como quiseram, mas depois, sem retratação, destacaram-se do rebanho de Cristo como anátemas.

No seio da Igreja, a Reforma viria trazendo grandes santos que, na prática daquilo que em Trento se definira, atrairiam e santificariam como pouco antes, em decorrência do mau exemplo dos ministros de Deus, não acontecia.

Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, São Pio V, São Francisco Xavier, São Francisco de Sales, São Filipe Neri, São Pedro Fourier, São Fidélis de Sigmaringa, São Lourenço de Bríndisi, São Félix de Cantalice, São Tomás de Vilanova, São Roberto Belarmino e São Carlos Borromeu, cuja memória celebramos hoje, 04 de novembro, são alguns dos numerosos pregadores da Contrarreforma Protestante.

São Carlos Borromeu: portador da verdade pela integridade

Carlos Borromeu nascera em 1538 e era sobrinho do futuro Papa Pio IV.

A 30 de janeiro de 1560, com ainda 21 anos, foi promovido ao cardinalato. Três semanas mais tarde foi nomeado Secretário de Estado e, a partir de então, os títulos não pararam de condecorá-lo: arcebispo de Milão, protetor de Portugal e da Baixa Alemanha, legado de Bolonha, protetor dos carmelitas, dos cônegos de Coimbra, de todos os frades franciscanos, da Ordem de Cristo, arcipreste de Santa Maria Maior, Penitenciário-mor, entre outros.

Como uma das definições do Concílio de Trento estabelecia que os bispos habitassem em suas dioceses para melhor assumir o seu governo, São Carlos Borromeu, como arcebispo, partiu para Milão onde combateria os inimigos da Igreja do melhor modo possível: através do exemplo! A arquidiocese de Milão era realmente enorme. Ela abrangia além do território de Milão, partes do território veneziano e os Alpes suíços: eram nada menos do que quinze sufragâneos sob sua jurisdição!

Pondo em prática todas as normas conciliares, Carlos Borromeu passou a atrair novamente para o catolicismo aqueles que, por se terem escandalizado com os maus costumes do clero, haviam abandonado a religião verdadeira. Também aqueles que se tinham deixado levar pela enxurrada da heresia protestante começaram a voltar os olhos para ele cheios de admiração. Aos poucos, quando constatavam a santidade e a vida exemplar daquele homem de fé, tomavam sobre si, entre lágrimas de arrependimento e contrição, o “jugo suave” e o “leve fardo” de Cristo Jesus.

Os episódios mais marcantes da vida deste grande apóstolo do exemplo foram verificados durante a peste – propriamente uma epidemia que se deu no ano de 1576. Carlos converteu a muitos pela coragem com que enfrentava todos os riscos para ministrar os sacramentos como, quando e onde precisassem os fiéis. Os milagres neste período também foram copiosos e confirmava aos olhos do povo, que Deus estava com ele e que, portanto, São Carlos Borromeu era, pela sua integridade e por seus milagres, um indiscutível portador da verdade.

Não tirar a letra, mas…

Um dos objetivos da Pseudo-Reforma protestante foi excluir das Sagradas Escrituras os livros que não lhes interessavam. Ora, nesta época não se tratava de excluir a letra, mas de praticá-la. Quem quisesse lutar contra o protestantismo tinha que tomar resolutamente todos os ensinamentos da Escritura e do Magistério e vivê-los. Assim, a legislação imposta pelo Concílio de Trento deveria ser vivida especialmente pelos bispos, pois, pela influência e pelo poder, eles fariam penetrar este novo espírito de disciplina em toda a Igreja e em todo o mundo.

O perigo das “Reformas”

A partir desta revolução protestante, inúmeras outras se seguiram e até hoje encontramos em diversos setores, mesmo dentro da Igreja, movimentos que pretendem novas “reformas”, enfim, dar um “novo perfil”, desapegar-se da letra – até mesmo do Magistério! – adaptar os costumes antiquados, abrir a Igreja para o mundo – ou mundanizar a Igreja, não se sabe bem; abrir mais portas para a “culturização”, abrir janelas para a influência de outras religiões, o que significa – não nos iludamos – abrir o teto para uma chuva de canivetes ou a boca para uma deliciosa sopa de vidro; significa, enfim, abrir os braços para a falsa doutrina e o coração para a heresia.

A Igreja não precisa disso! Ela precisa, isto sim, abrir a alma e os ouvidos para Borromeus, Belarminos e Teresas da Cruz. [1]

Por Cícero Leite


[1] Obras consultadas:

ALBERIGO, Giuseppe (org.). História dos Concílios Ecumênicos. Trad. José Maria de Almeida. 3 ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 317-361.

ECHEVERRÍA, Lamberto de; LLORCA, Bernardino; BETES, José Luis Repetto. Año Cristiano. v. XI. Madrid: BAC, 2006. p. 85-90.

ROPS, Daniel. A Igreja da Renascença e da Reforma: II. A reforma católica. Trad. Emérico da Gama. São Paulo: Quadrante, 1999. p. 121-126.

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