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quarta-feira, outubro 27, 2021

Santo Anselmo de Cantuária: um varão que marcou o século XI

Dia 21 de abril comemora-se a festa de Santo Anselmo de Cantuária, bispo, confessor e Doutor da Igreja. Vejamos alguns aspectos de sua vida.   

Redação (21/04/2021 10:40, Gaudium Press) Anselmo nasceu em Aosta, no Piemonte, de família nobre. Como o pai o afastasse da vida religiosa, entregou-se aos prazeres durante alguns anos. Mas aos 26 anos entrou na abadia de Bec, na Normandia, onde se entregou à pratica das virtudes religiosas e ao estudo das Escrituras. Aos 30 anos, tornou-se prior e em seguida abade.

Governou sua abadia com uma bondade incansável que lhe permitiu triunfar de todas as dificuldades.

Os Papas Gregório VII e Urbano II manifestaram-lhe grande estima. “O bom odor de vossas virtudes chegou até nós”, escrevia-lhe Gregório, e Urbano II diz: “Vinde cá o mais depressa possível a fim de podermos gozar juntos da afeição que nos une.”

Nomeado Arcebispo de Cantuária

Os bispos ingleses decidiram sagrar Santo Anselmo Arcebispo de Cantuária, no entanto, ele recusou terminantemente porque sabia da intromissão real neste cargo.

Os prelados mostraram-lhe, então, as consequências de sua negativa para a Inglaterra. Replicou o Santo que conhecia tais problemas, mas que era velho, mal conseguindo carregar a si próprio; como poderia levar o fardo de toda uma Igreja? Por outro lado, não era de sua índole cuidar de negócios temporais.

“Conduzi-vos somente nos caminhos de Deus, nós nos encarregamos dos negócios temporais”, replicaram os prelados.

Anselmo alegou suas múltiplas obrigações e a impossibilidade de abandoná-las. Resistindo ainda, levaram-no ao soberano que se encontrava gravemente enfermo.

O rei aflito disse-lhe:

“Anselmo, que fazes? Por que me envias ao Inferno? Lembra-te da amizade que meus pais tinham por ti e não me deixes perecer, porque sei que estou condenado a morrer conservando este Arcebispado.”

Todos os assistentes, comovidos, insistiam com Santo Anselmo acusando-o de matar o rei.

O Santo voltou-se para os dois monges que o acompanhavam e disse:

“Meus irmãos, por que não me socorreis?”

Um deles respondeu:

“Se esta é a vontade de Deus, quem somos nós para resistir-Lhe?”

“Ai! — disse Anselmo — Vós vos rendestes muito depressa.”

Vendo-o assim obstinado, acusaram-no de covardia. Buscaram uma cruz, tomaram-lhe o braço direito e o aproximaram do leito.

O rei lhe apresentou a cruz, mas ele fechou a mão. Os bispos empenharam-se em abri-la até fazê-lo gritar.

Por fim seguram-lhe a mão com a cruz dizendo: “Viva o bispo!”; e entoaram o “Te Deum”. Levaram-no à igreja vizinha e, sob seus protestos, sagraram-no.

Desse modo, em 1092, não pôde voltar à França, pois fora nomeado Arcebispo de Cantuária.

Monge, Bispo e Doutor

Nesse cargo muito sofreu do Rei Guilherme o Ruivo pela defesa dos direitos e liberdade da Igreja. Exilado, foi a Roma, onde o Papa o cumulou de honras e lhe deu ocasião, no Concilio de Bari, de convencer do seu erro os gregos que negavam que o Espírito Santo procedesse do Filho como do Pai.

Voltando à Inglaterra após a morte de Guilherme, Santo Anselmo morreu a 21 de abril de 1109. Clemente XI, em 1720, o declarou Doutor da Igreja.

Monge, bispo, Doutor, Anselmo reuniu em sua pessoa os grandes apanágios do cristão privilegiado. E se a auréola do martírio não veio completar tanta glória, pode-se dizer que a palma faltou a Anselmo, mas que ele não faltou à sua palma.

Sua vida foi toda entregue às lutas pela liberdade da Igreja. Nele o cordeiro revestiu-se do vigor do leão. “Cristo, dizia, não quer uma escrava para esposa. Nada Ele ama tanto no mundo quanto a liberdade de sua Igreja.”[1]

Dedicou os últimos anos de sua vida à formação moral do clero e ao aprofundamento das questões teológicas. Ele morreu em 21 abril de 1109.

O nome de Anselmo lembra a mansidão do homem do claustro unida à firmeza episcopal, a ciência junto com a piedade. Nenhuma memória foi mais suave e, ao mesmo tempo, mais brilhante do que a sua.

Santo Anselmo é considerado um dos fundadores da Teologia Escolástica, recebendo o título de “Doutor da Igreja” pelo Papa Clemente XI.


[1] Cf. ROHRBACHER, René François. Vies des Saints pour tous les jours de l’année. Volume II. Paris: Gaume frères, libraires-éditeurs, 1853. p. 401-410.

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