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quinta-feira, março 4, 2021

Santo Antão e a luta contra o arianismo

‘Eu serei o moço rico que vai dizer sim para Cristo; o convite d’Ele não ficará sem uma resposta afirmativa; darei o que o outro não deu.’

‘Eu serei o moço rico que vai dizer sim para Cristo; o convite d’Ele não ficará sem uma resposta afirmativa; darei o que o outro não deu.’

Redação (06/02/2021, 16:10, Gaudium Press) Santo Antão, que levou uma vida de oração, árduas penitências e lutas contra o demônio, desferiu o maior golpe contra o arianismo, heresia que devastava a Igreja e o Império Romano.

Um velho castelo no alto de uma montanha

Nasceu no alto Egito, em 251; seus pais eram nobres ricos e, muito mais importante do que isso, verdadeiros católicos. Tendo aproximadamente 18 anos de idade, seus progenitores faleceram e Santo Antão herdou grande fortuna.

“Certo dia, ele caminhava para uma igreja, meditando sobre a vantagem de se despojar dos bens terrenos a fim de seguir mais de perto a Nosso Senhor.

“Ao entrar no templo, encontrou o sacerdote fazendo um sermão sobre o moço rico do Evangelho, o qual recusou o chamado de Nosso Senhor por não querer abandonar tudo quanto possuía.

“Diante disso, Santo Antão tomou a seguinte resolução: ‘Eu serei o moço rico que vai dizer sim para Cristo; o convite d’Ele não ficará sem uma resposta afirmativa; darei o que o outro não deu.’

“E entregou tudo, foi para o deserto e tornou-se um gigante do eremitismo antigo.”

Passou ele a morar num local onde iniciou uma vida de anacoreta, fazendo as mais duras penitências. Os demônios lhe apareciam frequentemente, sob formas de feras e figuras impuras, instigando-lhe terríveis tentações, que ele rejeitava com muita oração e grande força de alma.

Aos 35 anos de idade, procurou afastar-se ainda mais dos lugares habitados. E encontrou, no alto de uma montanha, um velho castelo abandonado dentro do qual havia muitas serpentes. Assim que ele entrou por uma porta, as cobras fugiram.

6.000 monges seguem seu exemplo

A notícia de sua virtuosa vida se espalhou pelas redondezas e pessoas começaram a procurá-lo, levando doentes e possessos, os quais o Santo curava e exorcizava. Vinham também alguns filósofos que lhe faziam perguntas, às quais Santo Antão respondia com tal sabedoria que os deixavam admirados.

As tentações continuaram, mas ele recebeu insignes graças místicas, inclusive visões do próprio Redentor.

Ao lado do castelo, o Santo iniciou uma plantação de trigo e uma horta. Alguns homens, maravilhados pela sua pessoa e virtudes, pediram-lhe para levar vida semelhante à dele. Assim, foram se formando diversos mosteiros que se difundiram pelas montanhas e desertos do Egito.

O número de monges chegou a 6.000, os quais Santão Antão governava como pai.

Tal era seu prestígio que o Imperador Constantino e seus dois filhos, Constâncio e Constante, escreveram-lhe uma carta, tratando-o de pai. Ele respondeu dando-lhes conselhos, entre os quais recomendou que pensassem no Juízo Final.

E sua irmã, movida de admiração por Santo Antão, fundou um convento de virgens dedicadas à vida de oração e penitência, do qual se tornou superiora.

Santo Antão não estava apenas voltado para sua vida espiritual e a dos seus monges. Varão de grandes horizontes, preocupava-se sobretudo com o que acontecia com a Igreja.

A heresia ariana se espalhava pelo mundo cristão

Em 325, o Concílio de Niceia condenou a heresia de Ário, “o qual, em suposta defesa da unidade absoluta de Deus, negava a divindade do Verbo, afirmando ser Ele uma criatura do Pai.

“Sua falsa doutrina havia despertado simpatia entre muitos que se negavam a aceitar o mistério da Santíssima Trindade, e espalhara-se rapidamente pelo mundo cristão daquela época.

“Contudo, a consequência mais nociva dos erros de Ário estava em que, recusando-se a admitir a divindade do Filho, fazia ruir o mistério da Redenção, pois, se Jesus não era Deus, seu Sangue derramado na Cruz não poderia ter tirado o pecado do mundo.

“Graças a Ósio, Bispo de Córdoba, e a Santo Alexandre, Patriarca de Alexandria, convocou-se o Concílio, ao qual assistiram trezentos Bispos, os legados do Papa São Silvestre e Santo Atanásio, então arcediago de Alexandria e verdadeiro motor da luta contra o arianismo.

“O triunfo da ortodoxia no Concílio foi selado pela elaboração de um Símbolo, em que se proclamou o Filho consubstancial ao Pai, e pelo desterro imediato de Ário e de seus seguidores. […]

“Eu O vi!”

“Concluído o Concílio de Niceia, parecia restaurada a unidade da Igreja e banida a heresia ariana. Entretanto, enquanto dos púlpitos era proclamado o mistério da divindade de Cristo, a falsa doutrina continuava a difundir-se a
portas fechadas. Santo Atanásio, Patriarca de Alexandria, tentava converter os desertores, mas estes, em sua fria razão, permaneciam incomovíveis.
Por todo o Ocidente e grande parte do Oriente os arianos adquiriam força; o mundo parecia ceder ao erro.

“No deserto, porém, Santo Antão tinha visto misticamente a divindade de Nosso Senhor. Era ele um testemunho vivo dessa verdade de Fé. Santo Atanásio então mandou buscá-lo e, na mesma noite em que chegou à cidade de Alexandria, incontáveis cristãos e hereges reuniram-se na basílica para vê-lo.

“O nonagenário eremita, que pela simples presença impunha respeito, sentou-se perto do altar. Em seguida, o Patriarca tomou a palavra e glorificou a natureza divina do Redentor.

“De súbito, uma voz saída do meio da multidão protestou. Santo Antão espantou-se com aquela indecorosa interrupção e pediu a tradução do que ouvira, pois não compreendia o grego. ‘O Senhor era apenas um homem, criado por Deus e sujeito à morte e à transição’, traduziram-lhe.

“Santo Antão ergueu-se e exclamou: ‘Eu O vi!’ Um frêmito percorreu as naves da igreja. ‘Ele O viu! Ele viu a divindade do Senhor!’, diziam os fiéis de
joelhos.

“Mais que a bela e lógica doutrina exposta no Concílio, a imponente voz desse homem, para quem a verdade da natureza divina de Cristo se tornara quase uma evidência em virtude de uma visão sobrenatural, foi o maior golpe que a heresia recebeu.”

Em 356, estando com 105 anos de idade, mas inteiramente lúcido, Santo Antão entregou sua alma a Deus. Sua memória é celebrada em 17 de janeiro.

Roguemos-lhe que nos obtenha a graça de sermos batalhadores indômitos contra a Revolução gnóstica e igualitária, a qual contém em si todas as heresias.

Por Paulo Francisco Martos

(in “Noções de História da Igreja – 40)

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1 – CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Ao contrário do moço rico do Evangelho, Santo Antão disse sim a Nosso Senhor. In revista Dr. Plinio, São Paulo. Ano XV, n. 166 (janeiro 2012), p. 2.

2 – Cf. DICTIONNAIRE DE THÉOLOGIE CATHOLIQUE. Paris: Letouzey et ané. 1909, v. 01-I, col.1442. ROHRBACHER, René-François. Vida dos Santos. São Paulo: Editora das Américas. 1959, v. I, p. 414-432.

3 – CLÁ DIAS, João Scognamiglio, EP. O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira. Cidade do Vaticano: Libreria Editrice Vaticana; São Paulo: Instituto Lumen Sapientiae. 2016, v. I, p. 15-16.

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