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Santo Odon, pilar da Europa

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Para lutar contra a lamentável situação moral do clero, a Providência suscitou uma instituição chamada Cluny.

Foto: wikipedia

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Redação (16/06/2022 10:30, Gaudium Press) Devido principalmente ao orgulho, sensualidade e simonia, a situação moral do clero, inclusive do papado, no século X, era gravíssima. Para lutar contra isso, a Providência suscitou uma instituição chamada Cluny que, no início do séc. XII, terá perto de 1.200 mosteiros, dos quais 900 na França.

Escolas que atraíam jovens da mais alta nobreza

Guilherme I, Duque da Aquitânia, em 909, doou ao monge Bernon uma grande extensão de terra na Borgonha, Leste da França, onde foi edificado um mosteiro que se tornou a celebre Abadia de Cluny.

Bernon foi abade de Cluny durante 18 anos. Ao perceber que a morte se aproximava, ele indicou Santo Odon para sucedê-lo; logo depois entregou sua alma a Deus.

Santo Odon era filho de um nobre francês. Quando menino, foi educado na corte de Guilherme, Duque da Aquitânia – Sudoeste da França. Depois dirigiu-se a Paris, onde cursou Filosofia e aplicou-se profundamente ao estudo da Poesia e da Música, as quais cultivou durante toda a vida, tendo sido cantor no Mosteiro de São Martinho de Tours.

Ingressou no mosteiro beneditino de Baume-les-Messieurs, na Borgonha, e depois mudou-se para Cluny. Tornando-se abade, em 927, ele aperfeiçoou o cerimonial, o coro e redigiu as constituições conforme a Regra de São Bento. Fundou também, nos arredores da Abadia, escolas que atraíram jovens da mais alta nobreza.

Graças a Santo Odon, a influência de Cluny difundiu-se por toda a Cristandade. Os Papas a ele recorriam em suas dificuldades, e os príncipes chamavam-no para reformar os mosteiros em seus territórios.

Em 942, foi fazer um retiro no Mosteiro de São Martinho de Tours e ali morreu aos 64 anos de idade.

Música filosofada e Filosofia musicalizada

Transcrevemos alguns comentários feitos por Dr. Plinio Corrêa de Oliveira a respeito desse varão de Deus.

Santo Odon passou algum tempo na corte de Guilherme, Duque da Aquitânia. “Vem-nos à mente tudo quanto representa o ducado da Aquitânia, um grande feudo francês, um verdadeiro principado, uma miniatura de reino, na parte talvez mais poética da França, que é a França dos jograis, dos trovadores. E, apesar das heresias e erros morais ali surgidos, representava a França com um dos aspectos da Idade Média que era, precisamente, o aspecto poético.” […]

Posteriormente, “o jovem Odon foi estudar Filosofia, Poesia e Música na Universidade de Paris. Imaginemos um estudante daquele tempo, vestido com uma espécie de batina que vai até os pés, de cores variegadas, com um chapéu encimado por uma pluma, e que anda por Paris com alaúde ou algum outro instrumento; ele para à beira do Sena, toca um pouquinho e sai andando novamente… Eis a atmosfera inteiramente poética em que essa vida se passava.

“Que riqueza uma pessoa estudar Filosofia e Música ao mesmo tempo! É aquela síntese da cultura medieval, por onde tudo é Filosofia e Música conjuntamente, e há uma Música filosofada e uma Filosofia musicalizada. Como isso é superior!

“É uma tal visão das coisas, que se tem a impressão de serem figuras de vitrais, panoramas de iluminuras, e que toda a luz da Idade Média se irradia. É um prenúncio da luz do Reino de Maria.

“Santo Odon cultivou essas duas coisas durante a vida inteira. Pode haver algo mais bonito do que imaginar um abade imponente, majestoso, que, numa hora de silêncio na abadia, entra sozinho na igreja e vai fazer seus exercícios de Música no coro, como grande conhecedor? Esse abade é um santo e sente-se algo da santidade dele modulando o próprio som do instrumento por ele tocado.

Cluny deu o espírito da Idade Média

“’Odon ingressou no mosteiro beneditino de Baume-les-Messieurs, na Borgonha…’

“Tem-se a impressão de que Baume-les-Messieurs é uma cidade pequena, cultivada, distinta, em cuja praça pública há continuamente messieurs – senhores – conversando de um modo agradável e delicado. É um encanto, uma pedra preciosa engastada numa joia chamada Borgonha, uma das mais fabulosas regiões da França.”

Depois, ele se mudou para Cluny, onde foi nomeado abade.

“Cluny foi a grande abadia beneditina, que chegou a ter sob sua regência mais de mil abadias espalhadas pela Europa inteira, e que deu o espírito da Idade Média. Para não dizer mais nada, São Gregório VII era monge de Cluny. Então esse homem, depois de ter estudado Poesia, Filosofia, Música, vai ser abade de Cluny.”

As escolas que ele criou em Cluny atraíram tudo quanto havia de mais nobre no Ocidente.

“Quem tem verdadeiro amor ao povo, forma elites capazes de fazer bem ao povo. Assim, numa época de muito analfabetismo, a primeira coisa que Santo Odon faz é fundar escolas para a elite, atraindo toda a nobreza da Europa. […]

“Eis, exatamente, o empuxe de partida que Cluny deu a toda a Europa por sua influência sobre a nobreza europeia, como também sobre os clérigos.

Saudades daquilo que não conhecemos

“Como sempre acontecia na Idade Média, os grandes santos eram convidados para serem conselheiros dos Papas e dos reis. Esse homem foi um pilar da Europa também enquanto conselheiro de Pontífices e de monarcas.

“Temos, assim, uma vida que mereceria toda ela ser representada em vitrais como os da Sainte-Chapelle, ocupando um lado e outro de uma catedral, começando com o nascimento dele, depois naturalmente os milagres, aparições; ele deve ter tido lutas, episódios como, por exemplo, encontros com o imperador que ia consultá-lo, etc.; até a narração de sua santa morte: ele esticadinho, à maneira medieval, numa cama feita de uns panos caídos por todos os lados, e uma pombinha saindo de sua boca, simbolizando sua alma que voava para Deus.

“Como isso serve para matarmos as saudades daquilo que não conhecemos!

“Pensa-se que as maiores saudades vêm daquilo que tivemos conhecimento. É muito maior a saudade daquilo que não conhecemos, que sabemos ter sido nossa casa paterna, roubada e destruída séculos antes de nós nascermos, e que é a nossa sacrossanta Idade Média.”

Peçamos a Santo Odon, cuja memória se celebra em 18 novembro, que nos obtenha de Nossa Senhora a graça de sermos tochas ardentes de desejo do esmagamento dos inimigos da Igreja e da implantação do Reino de Maria.

Por Paulo Francisco Martos

Noções de História da Igreja

 

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