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sexta-feira, dezembro 3, 2021

Sob proteção e governo do Céu

Um dos modos de ter o coração puro é justamente ter sempre em mente o quanto o Céu está intimamente ligado à terra, pois alguém que vive assim em seu dia-a-dia mantém o coração longe do pecado, por saber estar sendo acompanhado pelos Anjos e Santos. Nunca estamos realmente sozinhos.

Redação (07/11/2021 11:11, Gaudium Press) Hoje comemoramos, no Brasil, a Solenidade de Todos os Santos.

Transcorreram cinco dias desde o 2 de novembro, quando trouxemos à memória as almas dos nossos irmãos e irmãs na fé que se encontram no purgatório, na “Igreja Padecente”. Na celebração de hoje, festejamos e recordamos não mais os que estão se purificando das penas temporais; veneramos, isto sim, os membros da “Igreja Triunfante”, manifestando toda a nossa admiração pelos inúmeros Santos e Santas que povoam a corte celeste.

Eles nos auxiliam a cumprir nossa missão

Vale a pena lembrar que esta solenidade contém em si uma outra finalidade além de engrandecer os méritos dos Bem-Aventurados: nos ajudar a compreender que a Igreja Triunfante está extremamente unida à Igreja que se encontra na face da terra, a Igreja Militante. Apesar de estar gozando eternamente dos gáudios celestiais, a multidão dos santos continua ainda, de certa forma, a lutar.

Ao contrário do que nos fazem crer as várias representações do Céu como um “mar de nuvens” sobre o qual os Bem-Aventurados passam a eternidade a tocar harpas e violinos, sabemos que os moradores do Paraíso estão sempre atentos ao que acontece na terra, nos auxiliando a agir conforme os preceitos da religião e de cumprir a nossa missão neste “vale de lágrimas”.[1]

Inúmeros são os fatos ao longo da História que sustentam tal verdade. Diversos homens e mulheres tiveram sua existência terrena pontuada por aparições dos Bem-Aventurados, como Tobias, por exemplo, que conversou com o Arcanjo Rafael sob a forma humana; e os exemplos se multiplicam: Santa Joana D’Arc, Santa Rita de Cássia, Santa Catarina de Siena… múltiplos fatos atestam o quanto nós estamos a todo momento sob a proteção e governo do Céu.

Bem-aventurados os puros de coração

Qual é a lição que podemos tirar disto?

No Evangelho de hoje, Jesus nos proporciona um “manual de santidade”: as Bem-aventuranças.

Detenhamos a atenção numa delas “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8). Ora, um dos modos de ter o coração puro é justamente ter sempre em mente o quanto o Céu está intimamente ligado à terra, pois alguém que vive assim o seu dia-a-dia mantém o coração longe do pecado, por saber estar sendo acompanhado pelos Anjos e Santos: nunca estamos realmente sozinhos.

Mas como obter tal estado de espírito? É procurando e buscando a face do Senhor que adquirimos mãos puras e inocente coração (Cf. Sl 23). Portanto, lembrando de Deus nos vários momentos do dia, e até nas coisas mais práticas.

Se vivemos uma vida de ateísmo prático, isto é, nos lembrando de Deus só na Igreja aos domingos – e olhe lá –, e vivendo nossos dias como se Ele não existisse, estamos agindo rotundamente contra esta visão espiritual, e verdadeira, da vida.

Peçamos, pois, à Rainha de todos os santos que nos conceda a graça de viver sempre assim, a fim de que possamos ser realmente chamados de filhos de Deus (Cf. 1 Jo 3, 1-3).

Por Jerome Sequeira Vaz


[1] Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. S.Th. I q.103, a.1 e a.6

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