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segunda-feira, julho 26, 2021

Videira, figura altamente simbólica

Estes ensinamentos de Jesus nos mostram o quanto é pleno de vitalidade seu Corpo Místico. O Pai arranca os “ramos” improdutivos; e os que prometem frutos futuros, Ele os desponta e os acondiciona para se beneficiarem da seiva de modo mais excelente.

Redação (03/05/2021 08:40, Gaudium Press)

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor” (Jo 15, 1).

Para Israel, a parreira de uva era uma realidade comum e corrente a ponto de, sob o reinado de Salomão, a Escritura referir-se com esta figura à paz por ele conquistada com todos os povos vizinhos: “Judá e Israel, desde Dã até Bersabeia, viviam sem temor algum, cada qual debaixo de sua vinha e de sua figueira” (I Rs 4, 25)

E qual o significado do vocábulo “verdadeira”, empregado pelo Mestre neste versículo? Antes já dissera: “Moisés não vos deu o pão do Céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do Céu” (Jo 6, 32), e João afirmara ser Ele “a verdadeira luz” (Jo 1, 9). Como explicar o uso destes adjetivos?

Em face das heresias de outrora, alguns Padres da Igreja procuravam esclarecer este particular pelos efeitos produzidos pela “videira”, pela “luz” ou pelo “pão” verdadeiros, pois alimentam a fé dos que deles se servem, enquanto os seres materiais correspondentes só servem para a sustentação ou desenvolvimento físico. Nós, todavia, somos levados a achar que Deus, na sua infinita e eterna sabedoria, criou estes seres todos ― luz, pão, vinha, pastor, caminho, etc. ― sobretudo para melhor Se fazer entender pelo homem. Neste sentido, não contêm eles a verdade inteira e apenas a simbolizam. A arquetipia destes seres se encontra no próprio Jesus. E por que Jesus, nessa ocasião, passa a falar em videira e agricultor? “Jesus disse a seus discípulos que vai separar-Se deles, mas esta separação será apenas segundo o corpo. Espiritualmente, deverão permanecer intimamente unidos a Ele para viver a vida divina; morrerão se d’Ele se separarem. Propõe esta doutrina envolta na alegoria da videira. ‘Eu sou a videira verdadeira’, a videira ideal e perfeitíssima, na qual, melhor que nas videiras do campo, verificam-se as condições próprias desta planta. O cultivador desta vide espiritual e incorruptível é o Pai: ‘E meu Pai é o agricultor’. Jesus não seria nossa videira se não fosse Homem; e não nos daria a vida de Deus se não fosse Deus. Logo, Jesus é o Messias, Filho de Deus”.[1]

“Meu Pai é o agricultor”

“Todo ramo que em Mim não dá fruto Ele o corta; e todo ramo que dá fruto, Ele o limpa, para que dê mais fruto ainda” (Jo 15, 2).

Jesus afirmou que o Pai é o agricultor e, em consequência, é Ele quem assume a tarefa da poda, da limpeza, dos cuidados. Como já dissemos anteriormente, Deus criou a videira, entre outras razões, para servir de exemplo a esses procedimentos próprios ao Pai, bem como para melhor compreendermos o relacionamento que existe entre os batizados e Cristo. A videira, entre os vegetais, é o mais adequado para se entender a necessidade do corte ou a da poda. São Paulo é bem explícito em sua apreciação sobre o Agricultor: “Assim, nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer. O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho. Nós somos operários com Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus” (I Cor 3, 7-9). Estes ensinamentos de Jesus nos mostram o quanto é pleno de vitalidade seu Corpo Místico. Os “ramos” improdutivos, o Pai os arranca; e os que prometem frutos futuros, Ele os desponta e os acondiciona para se beneficiarem da seiva de modo mais excelente.

Não seria diminuto o elenco dos “ramos” infrutíferos, pois muitos são os vícios, más inclinações e pecados que bloqueiam o fluxo normal da “seiva” da graça. Em síntese, todos eles têm sua origem no egoísmo humano. O estar voltado sobre si mesmo, submerso em suas próprias conveniências, traz como consequência inevitável um corte com as graças de Deus, pois estas nos são dadas com vistas à caminhada rumo ao Reino.

Por outro lado, como afirma São João Crisóstomo,[2] ninguém pode ser verdadeiro cristão sem as boas obras. Ora, o egoísmo não as produz jamais. Quanto à “poda” dos ramos frutuosos, além das tentações e provações permitidas por Deus, há dons, consolações e estímulos sobrenaturais, ações divinas que visam multiplicar a fertilidade deles. Por este dito de Jesus, vê-se quanto as tentações são úteis para conferir mais virtude e mérito aos bons “ramos”.


Extraído de: CLÁ DIAS. João Scognamiglio. O Inédito sobre os Evangelhos. Città del Vaticano: L.E.V./São Paulo: Lumen Sapientiae, 2014, v.III., p. 331-334.

[1] GOMÁ Y TOMÁS, Isidro. El Evangelio explicado. Pasión y Muerte. Resurrección y vida gloriosa de Jesús. Barcelona: Rafael Casulleras, 1930, v.IV, p.225.

[2] Cf. SÃO JOÃO CRISÓSTOMO. Homilía LXXVI, n.1. In: Homilías sobre el Evangelio de San Juan (61-88). Madrid: Ciudad Nueva, 2001, v.III, p.167.

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