100. Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório (AUDIOBOOK)

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Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório — Bispo e Doutor da Igreja

Da confiança em Jesus Cristo

Segunda-feira: Semana da Quinquagésima

— “Não queirais perder a vossa confiança, que tem grande remuneração” (Hb 10,35)

Sumário:

A misericórdia de Deus é como que uma fonte inexaurível, donde tirará mais graças quem trouxer um vaso mais amplo de confiança. Se, pois, quisermos enriquecer espiritualmente, confiemos muito nos méritos de Jesus Cristo e na intercessão de Maria. Avivemos frequentemente esta nossa confiança, lembrando-nos de que Deus é bom e nos quer ajudar; que é poderoso e nos pode ajudar; que é fiel e prometeu ajudar-nos. Não busquemos, porém, uma confiança sensível, que redunda nos sentidos; basta que tenhamos a vontade de confiar.

I. É nimiamente grande a misericórdia de Jesus Cristo para conosco; mas para nosso maior bem, Ele quer que obtenhamos a misericórdia por uma viva confiança baseada em seus merecimentos e em suas promessas. Por isso São Paulo nos exorta a que guardemos a confiança, dizendo que ela nos alcança de Deus uma grande recompensa: magnam habet remunerationem? Revelou o Senhor a Santa Gertrudes que a nossa confiança Lhe faz uma violência tão grande, que não pode deixar de atender-nos em tudo que Lhe pedirmos.

No mesmo sentido escreve São Bernardo, que a divina misericórdia é como que uma fonte inexaurível, da qual tirará maior abundância de graças quem trouxer um vaso mais amplo de confiança, segundo o que disse o Salmista: Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimos in te? (Sl 32,32) “Venha, Senhor, sobre nós a vossa misericórdia, à proporção que em Vós temos esperado”.

Deus mesmo declarou que protege e salva todos os que nele confiam (Sl 17,31). Alegremo-nos, pois, dizia Davi, todos aqueles que esperam em Vós, meu Deus, porque serão eternamente bem-aventurados e Vós habitareis neles (Sl 5,12). E em outro lugar acrescenta que a misericórdia cerca e guarda àquele que confia no Senhor, e que estará ao abrigo dos perigos de perder-se (Sl 31,10).

Oh! quão grandes são as promessas que nas Sagradas Escrituras são feitas aos que esperam em Deus! Vemo-nos porventura perdidos por causa dos pecados cometidos? Eis que temos o remédio à mão: Vamos com confiança aos pés de Jesus, diz o Apóstolo, e ali acharemos o perdão: Adeamus cum fiducia ad thronum gratiae? “Vamos com confiança ao trono da graça” (Hb 4,16).

Não demoremos em nos aproximarmos de Jesus Cristo, até que esteja assentado como Juiz num trono de justiça; vamos agora, visto estar ainda num trono de graça e lembremo-nos sempre do que diz São João Crisóstomo: “O nosso Salvador tem mais desejo de nos perdoar do que nós desejamos ser perdoados”.

II. Quem por causa de sua fraqueza teme a recaída nos pecados antigos, confie em Deus, e não recairá mais, conforme nos assegura o profeta: Non delinquent omnes qui sperant in eo? (Sl 33,23) “Todos os que esperam nele, não pecarão”. Escreve Isaías que os que esperam no Senhor, terão sempre novas forças? (Is 40,31). Não vacilemos, pois, nunca em nossa confiança, como diz São Paulo, porque Deus prometeu proteger a quem nele espera. Por isso, quando se nos antolham dificuldades que parecem insuperáveis, digamos: Eu posso tudo n’Ele (Deus) que me fortalece (Fl 4,13).

E quem é que tendo confiado no Senhor se perdeu? Nullus speravit in Domino et confusus est? (Eclo 2,11) “Nenhum esperou no Senhor e foi confundido”.

Não queiramos, porém, sempre ter uma consolação perceptível que redunde nos sentidos; basta que tenhamos a vontade de confiar. É esta a confiança verdadeira, o querer confiar em Deus, porque é bom e nos quer ajudar, poderoso e nos pode ajudar, fiel e prometeu ajudar-nos. Apoiemo-nos sobretudo na promessa que Jesus Cristo nos fez: Em verdade, em verdade vos digo: tudo que pedirdes a meu Pai em meu nome, Ele vo-lo dará (Jo 16,23). Peçamos portanto a Deus as graças pelos merecimentos de Jesus Cristo, confiemos também na intercessão de Maria Santíssima e obteremos tudo o que quisermos.

Ó Pai Eterno, reconheço que sou pobre em tudo; nada posso e nada tenho que não me tenha vindo de vossas mãos. Não vos digo portanto nada senão: Senhor, tende piedade de mim! O pior é que à minha pobreza ajuntei o desmerecimento de responder às vossas graças pelas ofensas que Vos fiz. Não obstante isso, quero esperar de vossa bondade esta dupla misericórdia: a primeira, que me perdoeis os meus pecados; a segunda, que me deis a santa perseverança em vosso amor, com a graça de sempre, até à minha morte, pedir-Vos que me ajudeis.

Tudo isto peço e espero pelos merecimentos de Jesus, vosso Filho, e pelos da Bem-Aventurada Virgem Maria. Ó minha grande Advogada, valei-me com os vossos rogos.

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