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A Igreja, uma Barca que navega no mar tempestuoso dos dias atuais

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Tristes acontecimentos mostram a Igreja Católica sujeita a todo tipo de tribulações: decadência em lugares de antiga tradição cristã, perseguição em áreas missionárias. No meio das tempestades ela está viva e se fortalece, porque o poder do inferno jamais poderá vencê-la.

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Redação (08/04/2024 10:58, Gaudium Press) Guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer”, esta frase, pronunciada há 107 anos pela Santíssima Virgem aos três pastorinhos na segunda parte do Segredo de Fátima, deixa-nos surpresos. Diante dela, nós nos perguntamos: que afirmação seria feita hoje ao vermos a Santa Igreja navegando no mar deste mundo, sacudida pela decadência, perseguições e, mais ainda, pelas perplexidades que assolam os católicos que permanecem fiéis dentro da Barca de Pedro?

Crise acentuada em alguns países

Por um lado, em países importantes, alguns dos quais com tradição cristã, vemos um declínio acentuado no número de fiéis, o fechamento de paróquias e uma diminuição das vocações religiosas. Em outros lugares, perseguição àqueles que permanecem firmes na fé. Mas, ainda mais preocupante, é a incerteza daqueles que veem o mundo se afastando dos preceitos do Evangelho, angustiados com uma situação que parece não ter saída.

As agências de notícias estão constantemente transmitindo informações sobre a situação de decadência dentro da barca de Pedro.

Um estudo sobre as dioceses católicas da Baviera, na Alemanha, realizado pela Agência Alemã de Imprensa, indica no final de 2023: um milhão e trezentos mil católicos deixaram a prática de assistir às missas dominicais, batismos e enterros religiosos entre 2019 e 2022, e como resultado: 131 igrejas fecharam. Somente no ano passado, mais de meio milhão de pessoas renunciaram à Igreja Católica na Alemanha, 522.821 para ser exato.

A Diocese de Columbus, Ohio, Estados Unidos, anunciou – em meados de 2023 – que quinze paróquias serão extinguidas, o número de sacerdotes diminuiu em 42% nos últimos cinquenta anos, de 2000 a 2022, o percentual de católicos ativos caiu 20 pontos.

De acordo com dados anuais do Centro de Pesquisa Aplicada ao Apostolado da Universidade de Georgetown, as vocações sacerdotais nos Estados Unidos caíram de 6.400 seminaristas em 1970 para 2.759 em 2022.

Uma pesquisa realizada pela Euromedia Research descobriu que apenas 58,4% dos cidadãos italianos com mais de 18 anos se identificam como “católicos”. Nos últimos 50 anos, as vocações caíram mais de 60%, passando de 6.337 seminaristas em 1970 para 2.103 em 2019.

A diocese de Haarlem-Amsterdã, na Holanda, projetou que nos próximos cinco anos, 60% das igrejas vão ser fechadas, ou seja, 99 das 164 igrejas existentes.

Atualmente, menos da metade da população da Inglaterra e do País de Gales, 46,2%, afirma ser cristã. Em 2011, eram 59,3%.

O número de irlandeses que se consideram católicos caiu 10% em apenas seis anos. O número de religiosas na Irlanda diminuiu 50% nos últimos 20 anos.

O Instituto Suíço de Sociologia Pastoral (SPI) em St. Gallen revelou que 34.182 pessoas deixaram formalmente a Igreja Católica em 2021.

A oferta de vendas de conventos na Europa continua. Por um milhão e meio de euros pode-se comprar o convento das Clarissas em Sarteano, Siena, que por 500 anos abrigou essa congregação de clausura e oração. De convento passou a ser uma escola, de escola a hotel; agora ele está à venda.

O Senado francês informa que, na França, pelo menos 500 igrejas estão permanentemente fechadas e, até 2030, quase 5.000 locais religiosos enfrentam a ameaça de serem vendidos ou demolidos.

Os números são impressionantes. A sábia exortação de São Paulo aos Romanos (12, 2): “Não vos conformeis com este mundo” foi desprezada; estamos testemunhando as consequências. O tão alardeado “aggiornamento” – atualização – seguindo os “sinais dos tempos” na evangelização… mostra seu fracasso.

Uma perseguição que sempre existiu

Em outro sentido, São Paulo advertiu: “Todos os que quiserem viver piedosamente em Jesus Cristo terão de sofrer a perseguição” (2 Tm 3, 12).

As notícia são alarmantes. No final de 2023, em 7 de setembro, um seminarista foi queimado até a morte quando extremistas muçulmanos, depois de fracassarem em sua tentativa de entrar em uma casa sacerdotal na diocese de Kafanchan, na Nigéria, atearam fogo nela. Dois sacerdotes conseguiram escapar, mas, lamentavelmente, o seminarista não conseguiu.

O Natal de 2023 foi marcado por graves atos de violência em Bokkos, no estado de Plateau, na Nigéria. Entre 23 e 26 de dezembro, comunidades cristãs foram atacadas por elementos muçulmanos, matando cerca de 170 pessoas e ferindo mais de 300. Pessoas são sumariamente assassinadas; casas e plantações, igrejas e clínicas são incendiadas. Uma média de 14 cristãos são mortos todos os dias na Nigéria.

Os ataques de insurgentes islâmicos em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, forçaram sacerdotes, religiosas e missionários leigos a fugir para outras cidades. Em 9 de fevereiro, assassinaram e sequestraram um número indeterminado de pessoas; igrejas e casas de centenas de pessoas foram incendiadas.

Quinze fiéis morreram e dois ficaram feridos durante a missa de domingo de 25 fevereiro, quando militantes islâmicos abriram fogo dentro de uma igreja católica em Essakane, no norte de Burkina Faso.

A Índia não está fora da lista. O grupo extremista hindu Kutumba Surakshya Parishad emitiu um ultimato, em 7 de fevereiro, para remover símbolos cristãos das escolas administradas pela igreja, exigindo que não usassem batinas ou hábitos religiosos. Eles também exigiram que as imagens de Jesus e Maria fossem removidas em um prazo de 15 dias, ameaçando com duras consequências.

Uma fonte próxima à Arquidiocese de Imphal (Índia) afirmou que os militantes hindus Meitei destruíram um total de 290 vilarejos e 603 igrejas nos últimos três meses.

No Paquistão, grupos islâmicos destruíram 21 igrejas e pelo menos 100 casas de cristãos foram incendiadas.

A ONG Portas Abertas, registrando ano após ano a perseguição aos cristãos no mundo, relata que, em 2023, 4.998 cristãos foram assassinados por sua fé, 4.125 foram presos e 14.766 igrejas e propriedades cristãs foram atacadas por motivos religiosos.

O arcebispo Ettore Balestrero, Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, na sessão do Conselho de Direitos Humanos em 26 de fevereiro, destacou que a discriminação e a perseguição aos crentes estão aumentando em todo o mundo, a liberdade religiosa é violada em quase um terço dos países do mundo e afeta cerca de 4,9 bilhões de pessoas.

A promessa será cumprida

Decadência e perseguição, e a perplexidade?

Estes tristes acontecimentos mostram esta sacrossanta instituição, a Igreja Católica, sujeita a todo o tipo de tribulações. Aqueles que estão preocupados com uma situação tão díspar: decadência em lugares de antiga tradição cristã e perseguição em áreas de missão, não perderão a confiança naquela que foi fundado sobre a frágil pedra chamada Pedro: “Sobre esta rocha edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18). Proclamamos a firme convicção de que a Santa Igreja é uma instituição divina indestrutível. Em meio às tempestades, ela está viva e se fortalece, porque o poder do inferno jamais poderá vencê-la (Mt 16,18).

Por P. Fernando Gioia, EP

Publicado originalmente em La Prensa Grafica, 7 de abril de 2024.

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