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quarta-feira, julho 28, 2021

A Medalha Milagrosa significa algo para nós?

Em tempo de convulsões sociais e epidemias a solução só pode vir do Céu.

Redação (26/11/2020 18:28, Gaudium Press) Era o início do Séc. XIX, a França acabava de ser fustigada pelo ódio antirreligioso e liberal da Revolução Francesa, predispondo o abandono das práticas religiosas e o ateísmo, mas Deus, em contra partida, suscitava um movimento de devoção à sua Mãe Santíssima, corroborado pelas aparições de Nossa Senhora, que marcaram esse século.

Ser devoto da Mãe de Deus era a única solução para permanecer firme frente aos acontecimentos calamitosos que adviriam em breve. E, por isso, as aparições do Séc. XIX foram marcadas pelas advertências de Nossa Senhora em relação ao futuro e pela ligação que cada fiel deveria ter com Ela.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

A primeira das quatro grandes aparições de Nossa Senhora se deu em Paris, numa pequena capela conventual das Filhas da Caridade, situada na Rue du Bac, a uma noviça, cuja identidade seria desconhecida até o fim de sua vida.

Catarina Labouré contava apenas vinte e quatro anos, quando ingressou como postulante na comunidade feminina vicentina, as Filhas da Caridade, no ano de 1830.

Após vencer com muita dificuldade a oposição de seu pai à sua vocação religiosa, a jovem Catarina entrou no convento, com o auxílio e o dote de um de seus irmãos. Por ser uma simples camponesa mal alfabetizada, não era bem vista pelas suas irmãs de hábito, que a relegavam às funções mais rudes e pesadas.

As virtudes que ornavam essa alma eleita permaneciam escondidas sob os véus da discrição que marcavam seu caráter. Dedicava-se com heroico esforço às suas funções, e as cumpria tão eximiamente, que difícil era saber onde encontrava tempo para o serviço, pois nunca abandonava o santuário interior de sua vida de piedade.

Após cumprir seu postulantado, foi transferida para o convento de Paris, situado na Rue de Bac, onde se iniciavam os preparativos para o translado dos restos mortais de São Vicente, que aconteceria em 25 de abril. Época que marcaria o início de suas revelações sobrenaturais, pois veria o coração abrasado de seu Pai espiritual aparecer diante de si.

Era essa uma preparação para a maior graça de sua vida, que passou a desejar ardentemente, embora sem nenhuma pretensão de sua parte, mas sim uma marcada inocência juvenil: ver Nossa Senhora.

O que se deu realmente em 19 de julho de 1830, festa de São Vicente.

Primeira aparição de Nossa Senhora

Acordada à noite por um Anjo, em forma de menino, foi impelida por ele a dirigir-se à Capela. Tomada de uma atração sobrenatural, mas também temerosa por infringir várias normas disciplinares, seguiu o celestial condutor e lá viu aparecer a Santíssima Virgem sentada na cadeira do Capelão. Nessa ocasião, Nossa Senhora lhe anunciou uma mensagem pessoal, que nunca chegou a ser revelada, e, para confirmar suas palavras perante o confessor, Pe. Jean-Marie Aladel, predisse vários acontecimentos futuros de calamidades próximas e distantes.

Muitas objeções e dificuldades de caráter político-diplomáticas e até mesmo de desconfianças ascéticas foram levantadas por seu confessor. A tal ponto que em determinado momento Santa Catarina disse a Nossa Senhora: “Minha Mãe, aqui não querem vos escutar, aparecei em outro lugar!”

O que realmente fez com que seu confessor acreditasse em suas palavras foi o acontecer dos fatos mais inacreditáveis apontados pela vidente, como a queda do Rei e as convulsões sociais de Paris, que aconteceram apenas dez dias depois da aparição.

Aparição da Medalha Milagrosa

O tempo passou, e a lembrança da visão nunca se afastou da memória de Catarina, e o desejo de rever Nossa Senhora aumentou cada dia mais. Até que, em 27 de novembro, apareceu novamente a Mãe de Deus e dessa vez anunciou a missão que reservava para a vidente.

Por volta das cinco horas da tarde, a Santíssima Virgem se fez visível à direita do altar, na Capela da Rue de Bac. Dessa vez, porém, sua beleza era resplandecente, mais angélica do que terrena, vestida de uma túnica “branco aurora” e de um manto azul-prateado. Ela tinha os braços abertos, como figuram nas representações tradicionais de sua imagem, e da maioria dos anéis que estavam em seus dedos, saiam raios luminosos, alguns permaneciam apagados. Nossa Senhora explicou que os raios simbolizam as graças que Ela derrama sobre aqueles que lhe pedem, e os anéis que permaneciam apagados simbolizavam as graças que não lhe são pedidas.

Em seguida, Nossa Senhora juntou as mãos, e Santa Catarina viu que Ela tinha um globo terrestre. Os raios se concentraram sobre ele, num ponto específico que ela desconhecia, ao que Nossa Senhora explicou ser a França, nação à qual Ela vai derramar suas graças apesar dos pecados e crimes da Revolução. Nesse momento uma inscrição, circundou a figura celestial, cujas letras formavam a frase: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

A imagem se virou e nesse instante desapareceu Nossa Senhora, no seu lugar se fizeram ver alguns símbolos: o M maiúsculo encimado por uma cruz, e abaixo o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.

Então, uma voz lhe disse: fazei cunhar uma medalha conforme esse modelo.  Aqueles que a portarem ao pescoço receberão graças, que serão abundantes para quem a portar com confiança.

Encerrou-se assim a visão, que se repetiu do mesmo modo em dezembro.

A propagação da medalha

Seu confessor, Pe. Aladel, embora já confiasse na veracidade das visões de Santa Catarina, pois os acontecimentos previstos por Nossa Senhora se cumpriram de maneira inesperada, opôs certa resistência, levando em conta os problemas que podiam ser suscitados pelas autoridades romanas. Mas, enfim, foram cunhadas as medalhas com a autorização do Bispo, Mons. de Quélen.

A finalização da medalha, em março de 1832, coincidiu com o início da epidemia de cólera que assolou a Europa durante vários anos, provocando apenas na França uma cifra de cem mil mortos ainda nos primeiros meses. A distribuição da medalha começou em Paris, logo atingiu toda a Europa e em menos de um ano, o mundo inteiro.

Em pouco tempo ela foi denominada com a “medalha milagrosa”, pois eram incontáveis os milagres de Nossa Senhora por seus devotos.

O anonimato da vidente de 1830 foi guardado por ela e por seus confidentes até o fim de sua vida, em 31 de dezembro de 1876.  Muitos dos mais próximos nem mesmo desconfiavam, e por isso a tratavam como uma simples camponesa, chegando até a desprezá-la.

O que significa a medalha?

Além de simbolizar os predicados marianos da Bem-Aventurada Virgem Maria, a medalha era sobretudo um sinal da aliança que Nossa Senhora fazia com seus eleitos, e tê-la ao pescoço não era possuir um amuleto que livrava da peste, mas sim um vínculo real entre Mãe e filho.

Um caráter pouco comentado da medalha é que ela é símbolo da união entre o Céu e a Terra. Com efeito, os milagres, que foram produzidos, vinham de uma medalha, que por sua vez era fruto de uma aparição de Nossa Senhora. Portanto, o que acontece aqui na Terra não está desligado das realidades celestes. E, do mesmo modo que Nossa Senhora apareceu em 1830, a uma humilde religiosa enclausurada em seu convento, as manifestações celestes se dão às almas santas, cuja fé é um verdadeiro receptáculo para as graças do Céu.

Nossa Senhora nunca deixa de apontar os rumos dos acontecimentos a seus eleitos, como se denota nas aparições de Fátima, dentre várias outras que marcaram a História.

Viver em tempos de distúrbios políticos, epidemias, e outras convulsões sociais não é novidade para ninguém, e sempre a solução deve ser a mesma: unir-se Àquela que é a Medianeira de todas as graças, e criar um vínculo pessoal com Nossa Senhora. E o modo mais fácil de conseguir isso é procurar as almas santas que se escondem sob os véus da humildade, por que essas veem as realidades celestes e são capazes de apontar os rumos que cada um deve seguir.

 

Por Odair Ferreira

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