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quinta-feira, agosto 11, 2022

A missa do Pe. Bernasconi: quando se transforma a ceia divina

“Torso nu, barba cerrada de vários dias e a mão direita apoiada num pano branco que cobre um colchão inflável flutuando num mar azul do Mediterrâneo”.

Foto: Redes sociais

Foto: Redes sociais

Redação (26/07/2022 12:38, Gaudium Press) Com a mão esquerda, o homem barbudo de costas nuas segura e observa atentamente um objeto … pode ser um celular com o qual está tirando uma selfie ou uma foto. Mas olhando de perto… ahh, sim, é uma bebida; Deve conter um ‘coquetel’ refrescante, obviamente, para amenizar o dia ensolarado, embora o copo pareça um pouco solene demais para a ocasião. Ao seu lado um jovem segura o colchão, talvez para que não se mova enquanto o turista se acomoda nele e continua seu dia na praia, começando a leitura dos textos que ali estão.

Atrás do primeiro plano, uma boia salva-vidas termina de compor o quadro, sobre um mar que se perde no fundo do horizonte e que convida ao relax, que poderá ser tranquilo ou de olhares um tanto pecaminosos, pois há que pôr “brilho” na vida.

Mas não, não é uma cena do mar e de turistas de verão. Diz-se que é um padre celebrando missa, segundo a reportagem do jornal La Repubblica de ontem: “Tínhamos escolhido o pinheiral de um parque de campismo, mas estava cheio. Como estava muito quente, nos perguntamos: por que não entrar na água?”, diz com facilidade o Pe. Mattia Bernasconi, acompanhado por jovens da paróquia São Luís Gonzaga, em Milão. Eles estavam em uma praia em Crotone.

Ao diabo com a lei canônica (c 929), que determina que, “ao celebrar e administrar a Eucaristia, os sacerdotes e diáconos devem usar as vestes sagradas prescritas pelas rubricas”. Ao diabo com o cânon 932, que estabelece que a Eucaristia deve ser realizada em lugar sagrado e sobre altar bento, ou se a necessidade o exigir “em lugar digno” e “mesa apropriada”.

Ao diabo com quase todas as rubricas, as regras de cumprimento obrigatório que devem ser seguidas ao celebrar a missa. Se o paramento devia ser verde, ou vermelho de martírio, que “diferença faz” devia ter dito o P. Bernasconi, façamos um paramento cor de amêndoa, estilo bronzeador ‘Coppertone’.

Será que o Evangelho foi levado em solene procissão de entrada por alguma leitora ‘paramentada’ de bikini? Ou quando o celebrante beijou o altar pela primeira vez durante o rito, o colchão inflável terá afundado facilitando a abertura de uma alegre conversa com os peixinhos do mar?

Ou talvez a leitura do Evangelho tenha sido acompanhada pelas notas de algum reggaeton em ritmo acelerado que saiu de um iate que passou veloz, cuja tripulação não conseguiu entender o que estava acontecendo?

A desacralização dos ritos, apesar de todas as tentativas em contrário, está na onda. Atos como o P. Bernasconi – mais do que mostrar uma não sujeição às normas estabelecidas pela Igreja para salvaguardar o rito – revelam uma incompreensão e, portanto, desprezo pelo rito, ou seja, nada mais e nada menos do que o maior milagre operado sobre a face da Terra: a transubstanciação do mero pão em Deus.

Onde vamos parar… Não é por acaso que muitos se queixam de uma certa antipatia para com aqueles que procuram cuidar dos ritos, e uma atitude laxista para com aqueles que querem fazer do mais sagrado alimento para os porcos. (SCM)

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