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sábado, junho 25, 2022

A paz de Cristo divide

O Evangelho deste 6º Domingo de Páscoa nos aponta duas formas de paz: a do mundo e a de Cristo. Qual delas seguirei?

Foto: Sergio Hollmann

Foto: Sergio Hollmann

Redação (22/05/2022 11:03, Gaudium Press) Tais são as riquezas presentes nos santos Evangelhos, desde a narração dos grandes feitos e milagres de Jesus até a descrição de seus mais simples gestos, que temos a capacidade de percorrer as páginas narradas pelos evangelistas, extraindo delas sempre novos ensinamentos. Contudo, há trechos que para muitos podem soar como algo que perturba os ouvidos, pois parecem de difícil compreensão. Entre estes, estão as palavras de nosso Senhor:

“Não julgueis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora da sua sogra” (Mt 10,34-35).

Como pode um Deus todo feito de Misericórdia e Bondade pronunciar palavras tão duras? Não seria melhor que dissesse: “Eu vim ao mundo para trazer a paz e a tranquilidade aos homens. Já não haverá mais guerras, incompreensões e desentendimentos. A paz reinará para sempre!”

O que vem ser, então, a paz?

Não vim trazer a paz, mas…

O Evangelho deste 6º Domingo de Páscoa nos traz à tona duas visualizações de paz: uma, pregada pelo mundo; e outra, a paz dos justos.

Jesus diz:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14,27)

Não será uma contradição? Antes, Jesus afirmara que “não veio trazer a paz à terra” e, agora, assevera que a trará? Porém, Ele continua:

“Mas não a dou como o mundo” (Jo 14,27)

Portanto, há uma diferença essencial entre a paz que o mundo prega e a paz anunciada pelo Salvador. O mundo, com suas ilusões e fantasias, apresenta-a involucrada em uma suposta tranquilidade, mas que está preenchida pela desordem do pecado e de toda espécie de horrores. Ora, a paz vem a ser a “tranquilidade da ordem” [1] – segundo Santo Agostinho. Que ordem? A ordem de uma sociedade que vive orientada para Deus.

O mundo, com seus ditames, mantém o homem num regime que lhe dá a impressão de que tudo ocorrerá bem; no fim, seremos bem sucedidos na vida, se vivermos conforme os costumes e as doutrinas pregadas por ele (mundo).

A História, porém, deixa-nos patente que o mundo não traz a paz tão apregoada. Basta verificarmos a atual conjuntura mundial: as guerras, os crimes e os desastres econômicos que certamente trarão por consequência uma carência de alimentos realmente desastrosa. Queira Deus sermos coerentes com a realidade presente, ao analisarmos um pouco a atual situação, e vermos que o mundo não trará a “tranquilidade” que promete.

Fruto de uma desordem ainda maior encontra-se no interior das almas, quando nos deparamos com a morte. A perspectiva de uma vida futura faz a consciência pesar diante dos vícios e pecados de outrora, que por sua vez aponta que se percorreu toda uma existência à procura de uma “paz” que não trouxe alegria, mas frustação…

Isto evidencia que os frutos do preciosíssimo Sangue do Divino Redentor, por maldade humana, foram rejeitados por estas pobres criaturas, visto que optaram por abraçar as falsas alegrias deste mundo.

Pelo contrário, o justo que orienta sua vida de acordo com os mandamentos de Deus poderá ouvir as suaves palavras de Jesus:

“Se alguém Me ama guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e Nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,23).

Esta é a paz e verdadeira (a ordem verdadeira), causa de divisão entre bons e maus. Entre ambos, suas vidas diferem enormemente de sentido: um, deseja a glória de Deus; outro, o próprio prazer iníquo e vil. Eis a explicação das palavras do Divino Mestre que diz: “vim trazer a espada, a divisão”. A paz de Cristo divide, pois não é conforme ao mundo.

O mundo só terá a paz, quando souber reconhecer a Deus como fim último de suas vidas. Este será, pois, o momento de cantar com o salmista:

“Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem!” (Sl 66,4).

Por Guilherme Motta


[1]Pax omnium rerum, tranquilitas ordinis — a paz é a tranquilidade da ordem”. (Cf. SANTO AGOSTINHO. De Civitate Dei. L.XIX, c.13, n.1. In: Obras. Madrid: BAC, 1958, v.XVI-XVII, p. 1398).

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