A primeira família brasileira

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Ele era da “principal nobreza de Viana do Castelo” (Portugal); ela, filha de um cacique tupinambá. Um casal perfeito, cuja descendência até hoje é florescente em nossa Pátria.

Redação (05/09/2020 10:38, Gaudium Press) Dispôs a Divina Providência que, para seu serviço e glória, fosse Diogo Álvares Corrêa, o primeiro povoador do Brasil. De sua lendária história, consta que chegou à Bahia em 1510.

Caramuru: “O homem do fogo!”

Intrépido e desejoso de conquistas, ele embarcou numa nau com destino à terra recém-descoberta do Novo Mundo. Uma furiosa tormenta fez soçobrar essa frágil “casca de noz” perto da praia de Maragojipe, Bahia.

Os náufragos que conseguiram escapar do mar foram devorados pelos índios tupinambás. Impressionados, porém, com o coração animoso de Diogo Álvares, os selvagens resolveram poupar-lhe a vida. Este logo tratou de recolher, entre os destroços da caravela, dois mosquetes e alguns barris de pólvora.

Poucos dias depois, à vista de todos, Diogo disparou seu mosquete, abatendo uma ave em pleno voo, deixando atônitos os silvícolas, até mesmo os mais valentes. As mulheres e crianças fugiram gritando: “O homem do fogo! O homem do fogo!”

O arguto português encontrou meio de comunicar aos índios que, com essa arma de fogo, podia ajudá-los nas guerras contra as outras tribos. Segundo consta, soube até convencê-los de que nada tinham a temer do mosquete, pois seu fogo matava só os inimigos, nunca os amigos…

Tranquilizados, os tupinambás quiseram logo experimentá-lo nas guerras. O valor do “Grande Caramuru”— nome a ele dado pelos indígenas — ficou provado e, em pouco tempo, sua fama corria por toda a terra brasílica.

Após a batalha da Ilha do Medo, em que a participação do português foi decisiva para a vitória, o cacique ofereceu-lhe uma de suas filhas, moça de grande formosura, a qual veio a ser a legendária Catarina Álvares Paraguaçu.

À vista da fama do Grande Caramuru, os caciques passaram a tomá-lo como árbitro nas contendas de guerra entre as diversas tribos. Deste modo, passou ele de cativo a dirigente. Com prudência e sagacidade, mandava em tudo e a todos governava.

Patriarca e matriarca da Bahia

Da controvertida história de Catarina Paraguaçu consta que “para cumprir obrigação religiosa, trataram de promover o batismo da índia na religião católica”. Registram ainda os cronistas que, “obedecendo à voz da consciência e aos ditames da Fé que trouxera de Portugal”, Diogo Álvares resolveu unir-se com ela em matrimônio.

Por volta de 1528, aportou na Bahia uma nau francesa, em demanda do famoso pau “cor de brasa”, que deu origem ao nome Brasil. Nela embarcou para a França o rijo português, com a sua Paraguaçu.

Frei Agostinho de Santa Maria, na “História dos Santuários Marianos”, afirma que a notícia da chegada dos dois a Paris foi ouvida com satisfação pelo Rei Henrique II e a Rainha Catarina de Médicis, ambos interessados em estabelecer no Novo Mundo uma nova França.

Trataram de batizar a índia e casá-los na Igreja. O matrimônio foi celebrado por um Bispo, tendo como padrinho e madrinha o próprio casal real.

A “princesa” tupinambá recebeu o nome de Catarina, em homenagem à Rainha, a qual lhe deu de presente ricos vestidos e preciosas joias.

De retorno ao Brasil com sua, agora, legítima esposa, Diogo Álvares viveu temido e respeitado pelos mais poderosos morubixabas da terra. Este casal deu origem ao primeiro tronco do qual saiu uma das mais nobres estirpes da Bahia. Frei Jaboatão, escrevendo em 1768, menciona suas cinco filhas, todas casadas com portugueses de boa linhagem: Ana, Genebra, Apolônia, Grácia e Madalena.

A Senhora da Graça

Tendo uma nau espanhola naufragado no litoral baiano, o Caramuru acorreu prestimoso em auxílio dos sobreviventes, salvando-os da voracidade dos índios. A excelsa Mãe de Deus quis servir-se desse naufrágio para entrar na Terra de Santa Cruz, com a Divina Graça, da qual é cheia.

Com efeito, ao retornar Diogo do socorro aos castelhanos, Catarina lhe pediu com grande insistência para ir buscar uma formosíssima mulher que viera no navio e estava cativa entre os índios. Essa mulher, explicava ela, lhe aparecera em visão e lhe pedira que mandasse buscá-la para junto de si.

Diligentemente, o marido se pôs a procurar, por todas as aldeias, e retornou sem ter encontrado dita mulher. Sua esposa insistiu com mais empenho ainda, dizendo que em alguma daquelas aldeias os índios a mantinham prisioneira, pois ela não cessava de lhe aparecer em visões.

Feita uma segunda e, logo, uma terceira diligência, Diogo Álvares encontrou uma imagem da Virgem Santíssima, que um índio tinha recolhido do naufrágio e guardado em um canto de sua choça. Diogo levou-a com grande reverência para a esposa. Catarina a recebeu derramando lágrimas de alegria e abraçou-a, dizendo ser aquela a mulher que lhe aparecia e falava.

A devota e venturosa índia pediu ao marido que mandasse construir uma ermida para abrigar a sagrada imagem. Esta foi feita, primeiramente de taipa, mais tarde de pedra e cal. Nela foi entronizada solenemente a imagem, invocada sob o título de Senhora da Graça.

No decorrer do tempo, essa igreja foi enriquecida com grande tesouro de relíquias e indulgências. O casal a doou aos religiosos de São Bento.

Após a morte do marido (1557), a piedosa matriarca fez-lhes doação também das terras circunvizinhas. Catarina pediu para ser enterrada bem à vista da mesma Senhora da Graça. Dizia que “tendo recebido d’Ela em vida tantos favores, não queria sair de sua presença após a morte”. Assim, segundo o seu desejo, foi sepultada na igreja da Graça, em Salvador, em 1589.

Por ocasião da Missa comemorativa do 410º aniversário do falecimento de Catarina Álvares, Dom Emanuel Amaral, Abade do Mosteiro de São Bento, afirmou: “Se olharmos a história do Brasil, é ela quem dá origem ao nosso povo. Catarina foi uma presença marcante, um paradigma para todas as mulheres, por sua iniciativa, sua obra e sua vida”.

Pe. Luiz Henrique de Oliveira Alves

 

Texto extraído da revista Arautos do Evangelho n.35 Novembro 2004

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