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A salvação embelezará o mundo

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No dia 11 de fevereiro, foi comemorado o Dia Mundial do Enfermo. Neste ano, a data se reveste de particular significado, pois, há mais de um biênio, a humanidade enfrenta a Covid-19 ainda desconhecendo seu porvir.  

Redação (12/02/2022 17:03, Gaudium Press) Nesta quadra histórica, a Igreja Católica persiste em seguir as pegadas de Jesus, que passou a vida “fazendo o bem e curando a todos” (At 10,38). De fato, foi sob essa divina inspiração que se estabeleceram hospitais de atendimento universal. É bem verdade que os primórdios dessas instituições podem ser esboçados nas civilizações grega e romana, contudo o tratamento médico nesses casos era ainda exercido de modo embrionário, localizado e, grosso modo, reservado apenas a militares.

Já no século II, despontaram os primeiros centros eclesiásticos de assistência hospitalar, confiados aos diáconos. Nessa fase, até o pagão Luciano se surpreendeu ao observar o socorro mútuo entre os cristãos, precisamente por se considerarem irmãos em Cristo. Na centúria seguinte, os santos Cosme e Damião já exerciam a medicina de modo voluntário. No fim do século IV, santa Fabíola fundou em Roma o primeiro hospital público do Ocidente. Em meio aos bárbaros, a ordem beneditina uniu o tratamento médico à hospitalidade. No século. XII, por sua vez, os hospitalários estabeleceram modelar nosocômio para atender desvalidos e peregrinos em Jerusalém. Mais tarde, as santas casas espalharam sua obra beneficente em toda parte, inclusive no Brasil, desde 1539. Hoje, a Igreja Católica cuida de mais 105 mil casas de saúde pelo mundo.

Em minha experiência como sacerdote, isto é, como “médico de almas”, tenho comprovado os efeitos da pandemia não só no corpo, mas também na alma dos enfermos. Destarte, percebe-se o quanto a atenção, o cuidado e, enfim, a caridade cristã fazem a diferença para eles. Nesse âmbito, existem inúmeros estudos acadêmicos que comprovam o papel da empatia no restabelecimento da saúde.

Vale destacar que “saúde” se origina do latim “salus”, ou seja, “salvação”. Por conseguinte, amparar um enfermo é também, no fundo, resgatá-lo, remi-lo ou mesmo libertá-lo. Essa denotação é muito evidente na parábola do bom samaritano, que sanou as feridas de um refém oprimido por salteadores.

Com efeito, o cristianismo trouxe um sentido salvífico para o sofrimento humano. Antes de significar derrota, a dor, quando bem conduzida, enobrece o espírito. É justamente na provação que algumas dimensões das virtudes se ressaltam. Assim, sem o problema, não existiria a sabedoria em encontrar a solução. Sem a queda, não existiriam a fé e a esperança no reerguimento. Sem a solidão, não haveria o apreço pela amizade. Sem o perigo, não haveria a salvação. Enfim, sem o mal, não haveria, pasmem, a beleza do autêntico amor. A vida, neste vale de lágrimas, é muito mais parecida com um drama, salpicado de reveses, do que com uma simplória história em quadrinhos…

Por isso, Jesus apregoou: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5,5). Compete aos cristãos, portanto, fazer o bem enquanto sofrem e àqueles que sofrem, à imitação daquele que carregou a cruz até o fim.

Cumpre, outrossim, aos profissionais de saúde o especial exercício da consolação por meio de um tratamento humanizado ou, melhor ainda, “cristianizado”. Bem a propósito, foi estabelecido em 1230 que os hospitais em Paris deveriam receber “os pobres e os doentes como ao Senhor”, bem como “servi-los e honrá-los como a Deus”.

Dostoiévski certamente tinha razão no mote “a beleza salvará o mundo”. Todavia, como atestamos, a recíproca é também verdadeira: a salvação embelezará o mundo. Sim, pois não há maior beleza do que salvar: seja para esta vida, seja para aquela que há de vir…

Por Pe. Felipe de Azevedo Ramos, EP

Publicado originalmente em O Tempo, ano 26, n. 9191, 12.2.2022, p. 18

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