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quinta-feira, abril 14, 2022

“Bem-aventurados os perseguidos”

A liturgia de hoje nos convida a estarmos mais próximos de Nosso Senhor. Acolhamos com atenção as palavras que ele quer nos transmitir neste 6º Domingo do Tempo Comum.

Redação (3:06 , Gaudium Press) O Evangelho de hoje nos pinta uma cena magnífica: uma pregação de Nosso Senhor.

“Naquele tempo, Jesus desceu da montanha com os discípulos e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia” (Lc 6,17-18).

Ora, por que não subiram todos para ouvir a pregação do Divino Mestre? É São Beda quem nos responde: “Raras são as vezes em que se observará as turbas seguindo a Jesus até as alturas, ou que ele tenha curado algum enfermo no cimo do monte; senão que, uma vez acurada a febre das paixões e acesa a luz da ciência, devagar sobe-se até o cume da perfeição evangélica”[1]. De fato, havia algo em suas almas que os impedia de subir não só ao monte onde Nosso Senhor estava, mas, sobretudo, a alta montanha da santidade.

Um vício que nos afasta de Jesus

Nessa pregação que nos narra o Evangelho – conhecida como “Sermão das bem-aventuranças” – Nosso Senhor diz: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Lc 6,20). Mas, o que vem a ser tal pobreza? Significa viver na miséria? É necessário entendermos bem isso.

Algo que vale a pena ressaltar é o que vem antes da mencionada afirmação: “E, levantando os olhos para os seus discípulos” (Lc 6,20). Ou seja, era a respeito deles que Nosso Senhor falava! Como vimos no início do evangelho, eles desceram a montanha junto com Jesus (Cf. Lc 6,17). De fato, eles tinham deixado tudo para seguir o Mestre. E era isto o que faltava àquela multidão: desapegar-se do reino do mundo para entregar-se ao Reino de Deus.

Quem faz deste mundo seu fim último se afasta de Nosso Senhor e bem poderá ouvir as palavras do profeta Jeremias na primeira leitura de hoje:

“Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor” (Jr 17, 5).

É indispensável que, embora vivendo neste mundo – afinal, somos homens –, estejamos sempre voltados para as coisas do céu e só em Deus coloquemos nossa esperança, pois, como diz o salmo de hoje:

“É feliz quem a Deus se confia” (Cf. Sl 1).

Ou Deus ou o mundo

A liturgia de hoje nos coloca, portanto, diante de duas opções: ou o Reino do Céu, ou o reino deste mundo. Deus é quem reina no primeiro, como sabemos. Já no segundo… creio não ser preciso dizer.

É absoluta a oposição entre estes dois reinos, e é difícil calcular até onde pode chegar a aversão e o ódio dos que vivem para este mundo em relação aos verdadeiros filhos de Deus. Contudo, isso não deve ser causa de tristeza, mas sim de maior alegria, como Nosso Senhor nos diz no Evangelho de hoje:

“Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas” (Lc 6,22-23).

Rezemos para alcançar essa pobreza de que nos aconselha a liturgia de hoje. Estejamos sempre com o coração voltado para Deus e nunca nos esqueçamos de que não fomos feitos para este mundo, mas sim para o Reino dos Céus. Procedendo assim, ainda que odiados pelo mundo, seremos amados por Deus!

Por Lucas Rezende


[1] SÃO BEDA, apud SÃO TOMÁS DE AQUINO. Catena Aurea. In Lucam, c. VI, v. 17-19.

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