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quinta-feira, julho 29, 2021

Alexandre VII: para expulsar a peste, mais sacramentos

Alguns pretendem afirmar que o Papa Chigi recorreu somente ao ‘lockdown’ na hora de enfrentar a peste que assolou Roma, em 1656. Mas o Pontífice não se esquecia da primazia do sobrenatural.

Redação (08/04/2021 18:05, Gaudium Press) Quem lê reportagens como a da BBC Brasil de hoje, 8 de abril, sobre as medidas do Papa Alexandre VII contra a peste que assolou seu reino entre 1656 e 1657, poderia sair com a convicção de que ele suspendeu por completo a assistência religiosa aos seus paroquianos.

De fato, o Papa Chigi, que governou a Igreja entre 1655 e 1667, era não só o sucessor de Pedro, mas também chefe de Estado de um amplo território, o dos Estados Pontifícios, e teve de tomar inúmeras medidas sanitárias, como suspender o comércio com Nápoles, isolamento, impedir que os médicos escapassem de Roma, entre várias outras.

Reportagem da BBC

Anuncia a reportagem da BBC que, “conforme o tempo foi passando, ele [o papa] foi adotando novas proibições: Congregações [da Igreja] foram suspensas, todas as visitas diplomáticas também, encontros religiosos e reuniões públicas…”.

“Festas e cerimônias públicas, civis e religiosas foram canceladas”, continua a nota da BBC. “Com quase toda a cidade fechada, os cultos inevitavelmente se transformaram em privados.” “Todos aqueles que tinham pelo menos um homem contaminado na família eram proibidos de sair de casa.” Os sublinhados são nossos.

Conta também a reportagem que o Papa dispensou diversas normas de jejum, que naquela época eram muito mais estritas do que agora, para que os corpos mais fortalecidos pudessem enfrentar melhor a doença.

Pareceria, então, que as múltiplas e razoáveis medidas para conter a peste – terrível epidemia – prevaleceram à atenção espiritual e religiosa na mente de todo um… Papa. Nada mais falso.

Remédio contra calamidade

Podemos ler no Tractatus de avertenda et profliganda peste politico-legalis do Cardeal Girolamo Gastaldi, Comissário Pontifício para a Saúde no Tempo da Peste, um trecho muito elucidativo.

Na parte intitulada “Sobre a dispensa de alguns dias da Quaresma” e datado de 3 de fevereiro de 1657, este purpurado em nome do Papa “insta todos a compensar a dispensa concedida de carne [ou seja, era permitido comer carne] com a frequência dos Santos Sacramentos e com o crescimento de esmolas e de orações”, pois o mal deveria ser atacado com “remédios não menos sobrenaturais do que naturais”, e assim purgar as “relíquias do mal”.

Além disso, não havia nenhum edito que proibia as missas, exceto as solenes (que em tese teriam maior afluência). Mas, mesmo assim, nesses casos, recomendava-se que fosse substituída por orações em casa.

Desse modo, além dos remédios naturais, havia uma convocatória para aumentar a frequência aos Sacramentos (inclusive à Eucaristia) e à oração.

Por mais erudito que fosse nas ciências do mundo, Alexandre VII era um homem de fé: o rebanho precisava de alimento material, mas sobretudo do espiritual, para enfrentar a calamidade.

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