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Cardeal Müller: não se deve aplicar a plena autoridade papal em coisas secundárias

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 O cardeal alemão concedeu uma entrevista à revista francesa Valeurs Actuelles, abordando temas como a missa e os sacramentos.

Cardeal Gerhard Ludwig Müller. Foto: Vatican news

Cardeal Gerhard Ludwig Müller. Foto: Vatican news

Redação (30/06/2023 09:34, Gaudium Press) O cardeal Gerhard Müller, ex-prefeito da antiga Congregação para a Doutrina da Fé, teve uma conversa muito interessante com Laurent Dandrieu, da revista francesa Valeurs Actuelles, publicada na edição de 22 de junho.

O cardeal começou afirmando que, dos diversos ritos da missa, o mais importante é manter idêntica “a substância dos sacramentos”, “ainda que estes sejam celebrados nos ritos que se diferenciaram ao longo da história”.

A forma ritual deve ser muito respeitosa para com “a presença de um Deus que veio fazer a sua morada entre nós”. Mas isso “não deve se degenerar em um ritualismo que identificaria totalmente a forma exterior com a graça sacramental”.

O cardeal reconhece, certamente pensando particularmente na França, que “muitos jovens profundamente sensíveis à dimensão religiosa se sentem atingidos pelo secularismo de muitos padres e comunidades que escondem sua perda, modernista, da fé sob os ouropéis da liturgia renovada do Papa Paulo VI. A fé católica dogmaticamente justa deve, em todo caso, ser coerente com a piedade interior, a elevação do coração a Deus”.

É claro que o cardeal reconhece o pleno poder da Igreja para regular a liturgia. Entretanto, não deixa de afirmar que “o Concílio Vaticano II não falou, em caso algum, da necessidade de uma nova liturgia como expressão de uma fé dogmaticamente modificada. Ao reconhecer a igualdade de todos os ritos em vigor (Sacrosanctum Concilium, 4), o concílio decidiu fazer algumas pequenas e prudentes modificações no rito, a fim de facilitar a plena participação dos fiéis, conforme exigido pela “natureza da liturgia” (Sacrosanctum Concilium, 14). Não se trata de uma mudança da teologia da missa e dos sacramentos, uma mudança que seria expressa em uma outra forma litúrgica e que, seja como for, está excluída na medida em que queiramos permanecer católicos”.

E continua: “O que nos diferencia essencialmente do protestantismo é isto: os sacramentos são sinais instituídos por Cristo para a sua Igreja que realizam o que significam” e não são apenas uma expressão (segunda) de nossa fé subjetiva.

Não ter vergonha de ser ‘tradicionalista’

O cardeal Müller também pronunciou palavras de esclarecimento e defesa do verdadeiro significado do termo “Tradição”:

“Não se deve se qualificar de ‘tradicionalista’ ou permitir ser insultado pelos outros sob esse termo. A Sagrada Escritura e a tradição apostólica constituem para todos os católicos o fundamento e a fonte da sua fé, uma fé que o Magistério da Igreja guarda e expõe fielmente. A ortodoxia consiste, acima de tudo, no conteúdo da confissão de fé e na substância dos sacramentos, e só depois nas fórmulas do dogma e nos ritos da liturgia”.

Acusações injuriosas, guiadas pelo desejo de poder

Sobre as acusações de retrocesso, expresso pelo amor à liturgia antiga, o cardeal alemão comentou:

“Infelizmente, há também na Igreja líderes que, em vez de discutir com competência teológica, suspeitam da posição dos outros para difamá-los. Tais atitudes, ad hominen (dirigidas ao homem) e não ad rem (à coisa ou à matéria), são anticristãs e prejudiciais à Igreja, porque se guiam não tanto pelo amor ao próximo, mas pelo desejo de poder”.

O jornalista Dandrieu, então, lembrou ao cardeal que ele havia afirmado que o motu proprio Traditionis Custodes tinha como clara intenção “condenar a forma extraordinária [da missa] até a sua extinção a longo prazo”:

“O envolvimento total da autoridade papal em assuntos que não são fundamentais para a verdade do Evangelho e a unidade dos fiéis em Cristo é contraproducente”, responde o cardeal Müller. Não se pode aceitar em silêncio a blasfêmia das pseudobênçãos aos casais incapacitados para o matrimônio e, ao mesmo tempo, proibir celebrações verdadeiras e válidas de sacramentos apenas porque o rito pessoalmente desagrada ou porque se suspeita que aqueles que participam dele sejam ‘doentes’”.

Mas a diversidade litúrgica não colocaria em risco a unidade da Igreja, perguntam ao cardeal.

“Um católico é aquele que está unido à Igreja pela confissão da fé, pelos sete sacramentos e pelo reconhecimento do Papa como sucessor de Pedro com os bispos em comunhão com ele. Do ponto de vista do rito, os anglicanos e várias outras “Igrejas” protestantes têm quase a mesma liturgia que os católicos. Os cristãos greco-católicos têm a mesma forma litúrgica das Igrejas Ortodoxas, separadas de Roma. Não é aí que reside a unidade total.”

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