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Cardeal Müller pede visita apostólica à Igreja alemã

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“Os responsáveis por esta crise, a maior crise provocada pelo homem na Igreja Católica na Alemanha desde a Reforma Protestante e a secularização, deveriam passar por uma visita apostólica”.

cardenal muller

Redação (23/02/2024 15:11, Gaudium Press) Em meio às pressões de grupos como o Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK), que defende que a Igreja na Alemanha deve seguir o seu “Caminho Sinodal” em ruptura com a tradição da Igreja e a unidade com Roma, há católicos que se opõem a essa tendência. Um exemplo é Dorothea Schmidt, jornalista, que tomou a decisão de se afastar do Sínodo Alemão para não apoiar um possível cisma na Igreja.

“Aguentei o clima de estádio, o triunfo da emoção, a redução da fé a uma questão de poder. Mas, diante de atos cismáticos, não pude continuar”, declarou a jornalista ao site de notícias italiano Tempi.

Juntamente com as professoras de Teologia Katharina Westerhorstmann e Marianne Schlosser, e a filósofa Hanna-Barbara Ger-Falkovitz, Dorothea deixou o Caminho Sinodal Alemão em fevereiro do ano passado, antes da última sessão deste sínodo local.

Na ocasião, elas divulgaram um comunicado afirmando que o Caminho Sinodal estava “lançando dúvidas sobre as doutrinas e crenças católicas centrais”, além de ignorar repetidamente advertências e intervenções do Vaticano.

“As resoluções dos últimos três anos não só comprometeram os fundamentos essenciais da Teologia, da Antropologia e da prática da Igreja Católica, mas também os reformularam e, em alguns casos, redefiniram-nos completamente”, afirmaram essas renomadas mulheres naquela época. “Não podemos e não vamos partilhar a responsabilidade por isso”.

Antes da renúncia, a vencedora do Prêmio Ratzinger 2018, Marianne Schlosser, já havia expressado preocupações com a “fixação na ordenação de mulheres’ que se manifestou durante esse processo sinodal.

Elas alertaram sobre o Conselho Sinodal

Em fevereiro de 2023, estas mulheres que se afastaram do Caminho Sinodal expressaram preocupação em relação ao conceito de um conselho sinodal permanente. Este conselho atuaria como um órgão consultivo e decisório em questões essenciais para a Igreja e a sociedade, e seria responsável por tomar decisões de grande importância supradiocesana, referentes ao planejamento pastoral, questões do futuro e assuntos financeiros da Igreja que não são decididos em nível diocesano.

Estas preocupações levantadas pelas teólogas, jornalista e filósofa não apenas mantiveram sua atualidade, mas são ainda mais relevantes após a troca de correspondência entre o Vaticano e a Conferência Episcopal Alemã durante a última assembleia de bispos.

Com efeito, a carta enviada por três cardeais alertou os bispos alemães que, se prosseguissem com a aprovação dos estatutos de um Comitê sinodal para preparar o Conselho sinodal, as conversas com Roma estariam rompidas. Em resposta, este ponto foi removido da agenda da Assembleia.

No entanto, essa decisão foi tomada com certa resistência, uma vez que o presidente do episcopado, Dom Georg Bätzing, expressou surpresa com a carta dos cardeais. Ele assegurou que, durante a assembleia episcopal, eles buscariam discutir as objeções vindas de Roma, tirar conclusões e se preparar para as negociações.

Dom Bätzing queixou-se de certas demoras nas conversações com Roma – “podíamos ter feito muito mais progressos, as negociações poderiam ter sido realizadas há muito tempo”–, acrescentando que “aguarda ansiosamente as próximas reuniões”.

Cardeal Müller

Em declarações à Kath.net, o cardeal emérito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Gerhard Müller, depois de recordar que a constituição hierárquica da Igreja “é de lei divina” e que um órgão ao estilo de um Conselho Sinodal “não pode, em princípio, anular o ofício sacramental do bispo, presbíteros/sacerdotes e diáconos”, afirmou que “já não se trata de superar os mal-entendidos através do diálogo, mas para acabar com o abuso do ofício episcopal. Porque a Conferência Episcopal Alemã não tem autoridade para separar suas dioceses da unidade com o Papa e a Igreja Católica”.

“Os responsáveis ​​por esta crise, a maior crise provocada pelo homem na Igreja Católica na Alemanha desde a Reforma Protestante e a secularização, deveriam passar por uma visita apostólica. Todos devem aprender que a Igreja de Jesus Cristo só pode ser compreendida com categorias teológicas. Qualquer um que tente decompô-la sociologicamente em uma ONG do mundo ou pense que está sendo filantrópico ao degradar o ser humano a uma redução sexual-psicológica ficará na história da Igreja não como um reformador, mas como um destruidor”, ressaltou o cardeal alemão.

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