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Caso Rupnik continua: preocupação com as vítimas após comunicado da Diocese de Roma

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As reações à declaração do Vicariato de Roma sobre a visita canônica ao centro de Aletti são muito numerosas, especialmente na Itália.

Foto: Cáritas Chile

Foto: Cáritas Chile

Redação (20/09/2023 09:29, Gaudium Press) Dois dias depois de Maria Campatelli, diretora do Centro Aletti, se reunir com o Papa, o Vicariato de Roma divulgou um comunicado sobre a visita canônica a este centro.

Recorde-se que o Centro Aletti foi fundado e dirigido pelo ex-jesuíta Marko Rupnik e que, num comunicado de junho, Campatelli e o Centro Aletti defenderam este sacerdote, acusando a Companhia de Jesus de “favorecer uma campanha mediática baseada em acusações difamatórias e não provadas (que expuseram a pessoa do Padre Rupnik e todo o centro Aletti a formas de linchamento)”.

O comunicado agora publicado pela diocese de Roma dá conta da visita confiada ao Pe. Giacomo Incitti, professor de Direito Canônico na Universidade Urbaniana. A investigação foi realizada com “diligência e confidencialidade, através de encontros comunitários e um número significativo de entrevistas pessoais tanto com os membros atuais quanto com as muitas pessoas que em várias funções tiveram contato com a vida e as atividades do Centro [Aletti]. Em 23 de junho de 2023, o Visitador apresentou o relatório final.”

Depois de constatar que “dentro do Centro Aletti existe uma vida comunitária saudável, sem quaisquer problemas críticos específicos”, e que a saída dos sacerdotes da Companhia de Jesus obrigou a algumas modificações nos estatutos, a nota refere que, “de acordo com o pedido explícito formulado no decreto de nomeação, dadas as repercussões na vida da Associação, o Visitador também examinou diligentemente as principais acusações feitas contra o Pe. Rupnik, especialmente a que motivou o pedido de excomunhão. Com base no abundante material documental estudado, o Visitador conseguiu encontrar e, portanto, denunciar procedimentos gravemente anômalos cujo exame também gerou fundadas dúvidas sobre o próprio pedido de excomunhão. Tendo em conta a gravidade destas constatações, o Cardeal Vigário encaminhou o relatório às autoridades competentes”.

A diocese de Roma afirma então que o pedido de excomunhão, pena que foi finalmente decretada contra o Padre Rupnik e pouco depois estranhamente levantada, é digno de “dúvidas fundadas”, mas não especifica quais ou de que tipo são essas dúvidas, levantando agora também uma séria “dúvida” sobre todo um procedimento de um dicastério romano, que determinou uma pena das mais graves que podem ser decretadas.

Enquanto os analistas criticam o fato de um ordinário determinar avaliações sobre um procedimento de uma congregação romana que só diz respeito a ela, já que apenas o dicastério para a doutrina da fé é competente em caso desses abusos, a questão que se coloca é: se o padre canonista visitador entre o “abundante material documental estudado” incluiu relações de entrevistas com as diversas vítimas que nos últimos meses se pronunciaram, através dos meios de comunicação, declarando terem sofrido abusos por parte do padre esloveno.

“Estou em choque, tal como todas as vítimas de Rupnik. O Papa nunca teve em conta as vítimas. Mas ele está muito interessado no dinheiro e no poder do Centro Aletti”, disse ao La Nuova Bussola Quotidiana uma das vítimas do ex-jesuíta. De fato, ressalta La Nuova Bussola, algumas das ex-religiosas da comunidade de Loyola dirigiram-se “pessoalmente ao Papa no verão de 2021, enviando-lhe cartas; sem nenhuma resposta”.

Na verdade, muitos pensam em abandonar as vias administrativas em relação às acusações contra o Pe. Rupnik, e realizar um processo judicial canônico regular, que seria o único adequado para oferecer verdadeira objetividade e justiça.

Se o sacerdote é inocente, não deve temê-lo.

Enquanto isso, as “hipotéticas vítimas” – cujos relatos pormenorizados e verossímeis inundaram a mídia nos últimos meses – poderão continuar afirmando, com razão, que não apenas suas declarações são cobertas com o manto da impunidade, mas que, dessa forma, são “revitimizadas”. Isso lança um pesado manto de dúvida sobre toda a transparência e a luta contra os abusos dentro da Igreja.

Com efeito, em uma carta aberta, cinco vítimas dos abusos do Pe. Marko Rupnik, escandalizadas com o teor do comunicado emitido pela Diocese de Roma e pelo fato de o Papa ter recebido dias antes a atual diretora do Centro Aletti, afirmaram que “a Igreja não se preocupa com as vítimas e com aqueles que procuram justiça; e que a ‘tolerância zero em relação aos abusos na Igreja’ não passou de uma campanha publicitária, que, em vez disso, foi seguida por ações frequentemente encobertas, que, pelo contrário, apoiaram e encobriram os abusadores. […] Afinal não há lugar nesta igreja para aqueles que recordam verdades incômodas”.

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