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sexta-feira, dezembro 3, 2021

Condestável São Nuno de Santa Maria: a Batalha de Valverde

No dia 6 de novembro, comemora-se a festa de um grande herói de Portugal, o Condestável São Nuno de Santa Maria, ou simplesmente São Nun’Álvares Pereira. Relatamos abaixo uma de suas mais grandiosas vitórias, na Batalha de Valverde, vencida graças a um Anjo que lhe guiou.

Redação (06/11/2021 10:55, Gaudium Press) Enquanto Dom João I partia para o norte, São Nuno seguiu em direção contrária, a fronteira, onde era necessário para manter os castelhanos longe de seus propósitos de invasão.

Indo para lá, São Nuno teria condições de manter os limites geográficos e étnicos de seu país. Seu ímpeto guerreiro não se contentava, agora, em ficar na defensiva; por isso, partiu para invadir o território inimigo, a fim de demonstrar aos castelhanos que Portugal tinha um exército e um Condestável invencível no seu comando.

Fé inabalável

Avançou pela fronteira a dentro e, quando se deu conta, já havia avançado mais de vinte léguas em território inimigo, no coração da Estremadura.

São Nuno não tinha nenhum receio, nenhuma dúvida de que venceria todos os castelhanos juntos que lhe viessem dar batalha. A sua fé, antes de Aljubarrota, era feita de esperança.  Agora era uma certeza bem sedimentada, firme, irredutível de que Deus lhe daria a vitória. Esta certeza era baseada numa Fé autêntica e inabalável.

Depois de aceitar os desafios que lhe haviam lançado o inimigo através de um arauto, São Nuno não ficou parado, avançou mais ainda. Estava com o acampamento já terminado quando viu a presença das forças inimigas.

A situação agora era inversa da batalha de Aljubarrota. Era São Nuno que tinha que forçar passagem entre os castelhanos, tendo que vencer uma posição bem entrincheirada de um exército superior em número e poder.

Mas a hoste portuguesa, comandada pelo Condestável, compunha-se de homens aguerridos e submissos a seu capitão como se ele fosse o pai de todos, um homem predestinado por Deus e assistido por um poderoso Anjo.

  O exército de Castela era brilhante, com armas novas e reluzentes, comandado por homens bem treinados e experientes, mas faltava-lhes o fator unidade, consistência, disciplina e amor aos comandantes por parte dos soldados.

O comandante desaparece

Para melhor defender-se precisavam passar o rio naquele ponto, onde era raso. Mas quando se propunham a fazê-lo, viram-se de repente cercados de todos os lados pelo inimigo. Os ataques vinham de três direções, pela frente e pelos flancos, impelindo-os de costas contra o rio.

Mas, ao passá-lo, tinham a esperá-los na outra margem grossas tropas inimigas. Dir-se-ia que estavam perdidos, completamente cercados pelo inimigo que detinham forças superiores.

O Condestável era um homem que nada o abatia, permanecia firme, inabalável, intimorato e aguerrido, comandava naturalmente pela expansão de sua simpatia comunicativa.  Era como se fosse um rochedo em torno do qual se agarravam aquele milhar de homens para defender suas vidas.

O homem da guerra era também o homem místico, pois rezava constantemente quando estava em combate. De repente, o Condestável desapareceu da vista de seus homens. A hoste portuguesa não conseguia mais avançar, ficara ali estática, porque faltava quem os comandasse.

Seu comandante simplesmente sumira, não o encontravam em lugar nenhum. Chamavam por Nun’Álvares para um lado e para o outro, mas ele não ouvia lhe chamar, não aparecia nos combates. Para onde fora? Teria morrido ou fugido?

Em contemplação

De súbito, Rui Gonçalves depara-se com o Condestável. De joelhos, entre dois rochedos, estava em êxtase, com as mãos postas e os olhos voltados para o céu. Ao seu lado, sua montaria e o pajem segurando a lança e o braçal de seu senhor.

Naquela angústia em que se encontrava, foi rezar a Deus quando um Anjo lhe aparece e o deixa fora de si na contemplação das maravilhas divinas.

Rui Gonçalves declarou posteriormente que o viu com a alma transportada para o céu falando com Deus. Ficou ali parado a contemplá-lo, temendo tirá-lo daquele embevecido êxtase.

Aquela cena, onde o escudeiro e o amigo Rui ficavam pasmados em silêncio a contemplá-lo, contrastava completamente com o fragor da terrível batalha que se desenrolava nas proximidades.

Passado o primeiro espanto, Rui Gonçalves resolve agir e grita:

– Estamos perdidos!

São Nun’Álvares, meio saindo de seu êxtase, volta-se e diz:

– Rui Gonçalves, caro amigo, ainda não é tempo. Aguardai um pouco e acabarei de rezar.

Neste ínterim, outros companheiros também já o tinham encontrado e começaram a vituperar o Condestável. Um deles foi enfático:

– Nada de rezas, assim morreremos todos!

A vitória

Quando seus homens começaram a chegar angustiados, São Nuno sai de seu êxtase. Ergue-se, firma-se nos pés, apura o ouvido e as vistas. Põe a mão sobre o ombro de seu alferes, Diogo Gil, aponta para o lado e diz:

– Vês as bandeiras que estão no cume daquele monte? A mais alta deve ser a do Mestre de Santiago.

– Vejo, meu senhor!

– Pois vamos lá com nossas espadas até junto dela! Amigos, avante! Que cada um de nós seja para quatro deles!

Aquelas bandeiras significavam que ali estavam os principais comandantes das tropas castelhanas. Reuniam-se em conselho sobre os destinos da batalha. Num arroubo, os portugueses partiram para lá, guiados por São Nuno e sua espada sagrada, e num instante subjugaram todos eles. Vencidos os chefes, o resto foi facilmente entregue às mãos portuguesas.

Num só lance, todo o comando inimigo caíra em mãos do Condestável. Quando souberam do ocorrido, os castelhanos começaram a fugir, pois todas as tropas estavam agora sem comando.

O milagre aconteceu: os portugueses, em número inferior, dentro do território inimigo, venceram o poderoso exército castelhano. Tudo graças ao denodo, à coragem, ao idealismo de um Cavaleiro cristão, que dedicou toda sua vida à fé católica, e por isso foi avisado por um Anjo, em seu êxtase, de que deveria seguir aquele caminho que daria exatamente dentro do comando inimigo.

(Relato baseado no livro “A Vida de Nun’Álvares”, de Oliveira Martins, Lello& Irmão – Editores, Porto, 1983).

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