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quinta-feira, dezembro 2, 2021

Conheça o Santo que quis ser escravo dos escravos negros

São Pedro Claver vivia o conselho “Buscai a Deus nos homens e sirva-os como sua imagem”, por isso escreveu “Eu Pedro Claver, dos negros escravo para sempre”.

São Pedro Claver vivia o conselho "Buscai a Deus nos homens e sirva-os como sua imagem", por isso escreveu “Eu Pedro Claver, dos negros escravo para sempre”.
Redação (09/09/2020, 15:45 – Gaudium Press) No dia de hoje, 9 de setembro, a Igreja celebra a memória litúrgica de um santo que dedicou sua vida aos escravos negros que no século XVII saiam da África e aportavam em Cartagena, na Colômbia.

O Santo de hoje é São Pedro Claver, um sacerdote jesuíta que de tal modo se considerava protetor da população negra e dos escravos que, de certa feita, escreveu:
“Ego Petrus Claver, etiopum semper servur” que quer dizer: “Eu Pedro Claver, dos negros escravo para sempre”.

Na sua época havia um entendimento tácito da sociedade que não considerava os escravos e negros como seres humanos. Ao longo de 35 anos, Pedro Claver demonstrou uma compaixão sem limites pelos abandonados, pondo em prática o ensinamento de Alonso Rodriguez: “Buscai a Deus nos homens e sirva-os como sua imagem”.

São Pedro Claver vivia o conselho "Buscai a Deus nos homens e sirva-os como sua imagem", por isso escreveu “Eu Pedro Claver, dos negros escravo para sempre”.

Quem foi Pedro Claver “dos negros, servo para sempre”?

Pedro nasceu em Verdú (Espanha), em 26 de junho de 1580. Aos 19 anos ingressou na Companhia de Jesus. Mais tarde, foi enviado como missionário para Nova Granada e ordenado sacerdote em Cartagena, em 1616.

O primeiro encontro de Claver com os jesuítas foi em Barcelona, ainda como estudante universitário.

Ele entrou na Sociedade em 1602 e estudou filosofia na ilha de Mallorca, no colégio de Montesión, onde o Irmão Alonso Rodríguez, já bem conhecido por sua santidade, era o porteiro. O santo Irmão acendeu no jovem jesuíta o desejo de fazer algo por Deus, e sugeriu que ele pensasse em ser um missionário no Novo Mundo. Pedro Claver se ofereceu para ir às missões, e o provincial o enviou à Colômbia em 1610.

Antes de terminar seus estudos teológicos em Bogotá, Claver foi para Cartagena, na costa do Caribe, onde foi ordenado em 1616 e onde passaria o resto de sua vida, servindo os escravos que vinham da África.

São Pedro Claver, opositor das injustiças da escravidão contra os negros

Nas missões, opôs-se às injustiças da escravidão institucionalizada, na qual vendiam escravos para todo tipo de trabalho forçado.
Enquanto os escravos estavam presos para ser comprados, Claver os instruía e batizava. Isto lhe causou mais de um problema. Ele chegou a ser incompreendido pelas pessoas do povoado e, em algum momento, até pelos superiores.
Entretanto, o santo continuava com sua obra, tornando-se um baluarte do amor evangélico que não tem fronteiras, nem cor.

São Pedro Claver vivia o conselho "Buscai a Deus nos homens e sirva-os como sua imagem", por isso escreveu “Eu Pedro Claver, dos negros escravo para sempre”.

São Pedro Claver esperava os escravos no cais e cuidava do corpo e da alma deles

Na época de São Pedro Claver, a cidade de Cartagena era um dos dois portos espanhóis autorizados a receber escravos. Estima-se que cerca de 10.000 passavam pelo porto em cada temporada de navegação.

Os miseráveis negros chegavam em condições horríveis após uma viagem muito longa. São Pedro Claver os esperava no cais do porto levando alimentos conseguidos com esmolas.

Ele subia aos navios acompanhado de antigos escravos libertos que atuavam como intérpretes. Ele cumprimentava os escravos que com os quais se encontrava no convés e depois descia ao porão para cuidar dos doentes.

São Pedro Claver limpava as feridas dos escravos, aplicava pomadas e curativos e… falava de Deus.

Assim como cuidava fisicamente dos miseráveis, ele os preparava para o batismo

Os escravos ficavam poucos dias em Cartagena, por isso Pedro Claver agia com rapidez para prepará-los ao batismo. Foi assim que batizou muitos escravos, embora a instrução que podia dar fosse necessariamente limitada.

Além dos navios e do porto, São Pedro Claver visitava hospitais, sendo um deles um leprosário. Ele cuidava também dos prisioneiros de guerra holandeses e ingleses.

Em 1650 Cartagena sofreu uma epidemia de peste, e Pedro Claver foi uma de suas vítimas, depois de ter atendido outros pacientes com a mesma doença.

Foi assim que no dia 9 de setembro de 1654, no território da atual Colômbia, ele faleceu. (JSG)

 

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