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quinta-feira, agosto 11, 2022

Criminalização ‘via judicial’ do clero na Nicarágua?

Nos últimos dias, dois sacerdotes foram acusados e presos.

Foto: Eskay Lim /Unplash

Foto: Eskay Lim /Unplash

Redação (25/07/2022 16:55, Gaudium Press) O regime de Ortega, cada vez mais cruel com a Igreja e revelando seu próprio rosto, parece ter iniciado a criminalização do clero por via judicial. Isso com os casos dos sacerdotes Manuel Salvador García, pároco da igreja de Jesús Nazareno de Nandaime, em Granada, e de Dom José Leonardo Urbina, vigário episcopal em Boaco, detido em 13 de julho nesta cidade, a pouco mais de 80 quilômetros a nordeste de Manágua.

O Padre García foi acusado pelo regime de ter agredido uma mulher, apesar da suposta vítima não ter apresentado queixa e negado que o sacerdote a tenha agredido intencionalmente, o que foi ratificado pela filha mais nova da mulher, de 15 anos, que acompanhava sua mãe no dia dos fatos na paróquia. O sacerdote foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão.

Agora é o caso de Dom Urbina, acusado de abuso sexual, com o estupro de uma menor de 12 anos, em fatos que teriam supostamente ocorridos em seu carro.

Após a acusação, Dom Urbina foi rapidamente transferido para Manágua, para ser julgado. No dia em que o processo começou, relata La Gaceta, o regime de Ortega publicou uma foto das testemunhas contra o sacerdote, o que permitiu a Jaime Ampie, ex-preso político da ditadura agora no exílio, identificar entre elas a vereadora sandinista Reina Oporta, que já havia acusado falsamente Ampie de atirar em protestos contra o regime. Ela “se prestou como falsa testemunha em acusações contra opositores”, afirma a mídia nicaraguense 100% Noticias.

Além disso, “o investigador, o acusador, as testemunhas e a pessoa que julgará Monsenhor José Leonardo Urbina Rodríguez vêm da mesma estrutura territorial da Frente Sandinista em Boaco, isso é confirmado a 100% Noticias pelos moradores da área”, assegura esta mídia em 14 de julho passado.

Os outros acusadores de Monsenhor foram identificados pelo ex-preso político Ampie como membros dos Conselhos do Poder Cidadão (os olhos do regime nos bairros), da zona da Frente Sandinista de Libertação Nacional e da Juventude Sandinista, um dos braços paramilitares do regime.

No dia 21 passado, foi realizada a audiência inicial do processo, na qual a acusação alegou ter nove testemunhas, incluindo os depoimentos da avó e da mãe da menor, que depuseram na audiência contra o sacerdote.

A data da audiência de julgamento ainda não foi definida. Enquanto isso, Dom Urbina permanecerá na prisão.

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