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Deus anuncia a paz ao seu povo

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Poderíamos afirmar que o mundo terá uma paz autêntica quando virar as costas às ilusões de hoje, voltando o olhar para Deus, reconhecendo-O como o fim último de sua vida, colocando-O no centro.

Deus anuncia a paz ao seu povo Menino Jesus no presepio pomba da paz

Foto: Cathopic/parroquiadepalmares.

Redação (03/01/2024 12:36, Gaudium Press) Acima de qualquer nacionalidade, raça, religião ou cultura, a busca da paz é uma aspiração impressa, de forma indelével, em cada um dos homens, que carregam ansiosamente no coração um apelo à paz.

“Infelizmente -bem dizia em tempos passados ​​o recordado Papa Bento XVI (8-12-2005), ainda existem sangrentas disputas fratricidas e guerras devastadoras que semeiam lágrimas e morte em vastas áreas da terra”. Hoje, passados quase 20 anos, apresentam-se diante de nós situações de diversos e graves conflitos, que exigem uma busca de paz para o bem de toda a humanidade.

Tempos de violência e guerras destrutivas nos ameaçam, a todo momento conflagrações estalam como fogo sob as cinzas, e podem levar a uma explosão mais destrutiva e de imprevisível magnitude.

Voltando-nos para o que está mais próximo de cada um de nós, na própria instituição da família, vemos conflitos e divisões, seja nos casamentos ou entre pais e filhos. Dando origem, como evidente consequência, a antagonismos nas escolas, universidades, trabalhos, etc.

Não podemos deixar de perder de vista, com profunda tristeza, a violação do direito à vida dos mais débeis e indefesos antes de nascer, bem como dos idosos diante do risco de legislações como a eutanásia.

Todos estes elementos, provocando a falta de paz, levam a confrontos entre grupos sociais, povos, raças e nações. Diante disso, muitos corações clamam: “Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia e dá-nos a tua salvação” (Sl 84, 8).

Neste preocupante panorama abundam os indiferentes que, influenciados por uma vida confortável e sem dificuldades, não clamam a Deus e consideram a paz como uma simples ausência de conflitos armados. É a “paz do mundo”, a “pseudo-paz”: do consumismo, do secularismo, do hedonismo, do sincretismo religioso, da adoração à máquina e à tecnologia.

Onde está a verdadeira paz?

Assim sendo, é importante discernir as causas últimas desta situação que torna a paz precária e instável. Enfrentando um cenário tão sombrio, e tendo claro aos seus olhos que a paz não está sendo obtida por uma coligação de forças humanas, os homens perguntam-se: como encontrar a paz?, e mais ainda: onde está a verdadeira paz?

É uma realidade – e ninguém duvida disso – que “a verdade serve a causa da paz; também é indiscutível que a ‘não-verdade’ anda de mãos dadas com a causa da violência e da guerra”, afirmava São João Paulo II, considerando a ‘não-verdade’ como “a mentira propriamente dita, informação parcial e distorcida, propaganda sectária, manipulação dos meios de comunicação, etc.” (1º-1-1980).

Anos depois, sabiamente insistia Bento XVI: “A história demonstrou que lutar contra Deus para extirpá-lo do coração dos homens conduz a humanidade, medrosa e empobrecida, para opções que não têm futuro” (8-12-2005).

Em meio às guerras de hoje, o Cardeal Pietro Parolín, Secretário de Estado e experiente diplomata da Santa Sé, entrevistado pela revista Huellas (3-10-2023), respondeu sobre o momento atual recordando ao Concílio Vaticano II: “todas as tensões e conflitos no mundo nascem de um profundo desequilíbrio no coração humano. Desequilíbrio que está ligado ao primeiro pecado, à desobediência a Deus, e se aprofunda com os nossos pecados pessoais. Quem pode intervir para curar o coração humano, curá-lo e pacificá-lo senão o próprio Deus? Ele é o médico que opera no nível mais profundo!”

Por esse motivo, é urgente intensificar o anúncio e o testemunho, em todo o mundo, do “Evangelho de Cristo, que é um Evangelho de paz” – dizia São João Paulo II – porque, quando a sociedade humana se deixa iluminar por aquilo que podemos chamar de “resplendor da verdade”, principia naturalmente o caminho, partindo de Cristo, fonte da verdadeira paz, dando origem à “paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 13-14).

Santo Agostinho definiu a paz como ‘tranquillitas ordinis’, a tranquilidade da ordem, ou seja, aquela situação de calma, de serenidade, dentro da ordem; colocar as coisas em ordem, infundindo tranquilidade, ainda em meio às dificuldades da vida.

A paz será autêntica e duradoura quando construída sobre a rocha firme da Verdade de Deus, dos ensinamentos do Evangelho e do cumprimento dos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Pelo contrário, o pecado traz perturbação, agitação, nervosismo, depressão, angústia, ansiedade, que, além de perturbar o sistema nervoso, tira a tranquilidade, a paz da alma, a paz das consciências.

Em resumo, poderíamos afirmar que o mundo terá uma paz autêntica quando virar as costas às ilusões de hoje, voltando o olhar para Deus, reconhecendo-O como o fim último de sua vida, colocando-O no centro.

O Salmo 84, 9 proclama: “Deus anuncia a paz ao seu povo, aos seus amigos e aos que se convertem de coração”. O futuro da paz está nos corações dos homens. É o que afirmou a Santíssima Virgem em uma das aparições aos três pastorinhos de Fátima, precisamente no dia 13 de julho de 1917: “Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que lhes digo, muitas almas serão salvas e terão paz”.

Cheios de confiança, dirijamos nosso olhar para Maria Santíssima, Mãe do Príncipe da Paz, que intercede diante d’Ele, pedindo que os homens e as mulheres de hoje se deixem iluminar pela Verdade que os fará livres (Cf. (Jo 8, 32).

(Publicado originalmente em La Prensa Gráfica de El Salvador, 31 de dezembro de 2023).

Por Padre Fernando Gioia, EP

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

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