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sábado, setembro 25, 2021

Festa de Nossa Senhora da Assunção

A Santa Igreja nos convida a ter presente a figura de Maria no dia de sua Assunção, própria a nos encher de esperança, pois também nós, fomos criados com vistas à ressurreição .

Redação (15/08/2021 13:51, Gaudium Press) Maria Santíssima, a Arca da Nova Aliança, Mãe de Deus e nossa Mãe, neste dia em que Se elevou gloriosamente aos Céus em corpo e alma, antecipou a vitória final prevista na maldição da serpente: “Ela [a mulher] te esmagará a cabeça” (Gn 3, 15).

Vitória triunfal que será completa na ressurreição dos mortos, no fim dos tempos, quando o mal for definitivamente derrotado no Juízo Universal, e o Filho de Deus pronunciar a sentença final: “Vinde benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo” (Mt 25, 34).

Com efeito, na passagem de Maria Santíssima deste mundo para a eternidade, vislumbramos desde já o que nos acontecerá no Juízo Final, caso venhamos a morrer em estado de graça.

Em última análise, a ressurreição certifica a onipotência divina. Pela simples lembrança de que morreremos, seremos sepultados e esperaremos até sermos recompostos de forma gloriosa, a ponto de adquirirmos um corpo espiritualizado, já antegozamos esse momento de extraordinária beleza em que triunfaremos, como Nossa Senhora no dia da Assunção.

Maria estava sujeita à morte?

Ensina a doutrina católica ser a caridade uma virtude que se radica na vontade. Quando é muito forte, o amor impele quem ama a unir-se a quem é amado. Todo cristão, no dia do Juízo, deve apresentar seu progresso na caridade, por ser ela imprescindível para entrar no Céu.

Ora, houve alguém que partiu desta vida não com amor, mas por amor: Nossa Senhora. Afirma Santo Alberto Magno que “mais obrigação tem de amar aquele a quem se dá mais. À Beatíssima Virgem foi dado mais que a todas as criaturas; logo, estava obrigada a amar mais do que qualquer outra”. E assim o fez, conclui o santo doutor.

De fato, os últimos anos da existência terrena de Nossa Senhora estiveram marcados pela paz e por um intenso comércio com o sobrenatural. Ela era visitada diariamente por seu Divino Filho e seu castíssimo esposo São José, acompanhados de muitos Anjos.

A cada nova jornada, a cada nova visita, a Virgem intensificava seu enlevo por Eles, até o momento em que já não era possível aumentá-lo, pois seu Coração estava completamente inundado de amor. Não obstante, assim como o fogo jamais se sacia, Ela ardia do desejo de dilatá-lo ainda mais.

Nossa Senhora morreu?

Nesse ápice, Nosso Senhor comunicou à sua Mãe ter chegado a hora de Ela deixar esta terra e rumar para o Reino dos Céus. Consultou-Lhe, então, se preferia partir sem passar pela morte ou seguir o caminho de todos os homens, aquele por Ele trilhado.

Para Maria a questão não se punha: se Jesus tinha escolhido para Si a morte, e seu virginal esposo havia feito o mesmo, como poderia Ela optar por outra via? Sem a menor vacilação, elegeu a mais perfeita imitação de seu Divino Filho: Ela queria a via da morte!

Comprazido com sua atitude, Nosso Senhor disse-Lhe que sua vontade seria respeitada; porém, Ele determinava uma morte sem dor, pois não Lhe permitiria sofrer mais do que já padecera no decurso da vida, notadamente durante a Paixão, a qual, suportada com extremos de coragem, valera-Lhe os títulos de Rainha dos Mártires e Corredentora do gênero humano.

Eis a maravilha de uma criatura humana que, de plenitude em plenitude, de perfeição em perfeição, havia chegado ao extremo limite de todas as medidas, até quase não existir diferença entre a sua compreensão do universo e a própria visão de Deus. O que Lhe faltava?

Num êxtase de amor, adormece no Senhor!

Seu Coração se dilatou tanto de amor que o corpo não resistiu… Um êxtase A levou à eternidade e Ela adormeceu no Senhor, tendo à cabeceira do leito seu Divino Filho e São José! Uma multidão de Anjos cantava e graças superabundantes se faziam sentir.

A passagem do estado padecente para o glorioso não significou para Maria Imaculada uma ruptura dilacerante em seu ser, como ocorre ao comum dos homens. Desde seu nascimento Ela possuíra um constante e intenso trato com os espíritos angélicos, e mais acentuado ainda se manifestou o convívio com seu Filho, o Verbo Encarnado, o qual jamais cessou, mesmo após a Ascensão.

Conforme os anos transcorriam, novos universos de graças e dons resplandeciam em sua alma, pois seu conhecimento e seu amor a Deus, embora fossem sempre plenos, eram passíveis de crescimento. Em certo momento, a fé cedeu lugar à visão, e Ela subiu aos Céus pleníssima de virtudes e de glória; em suma, pleníssima da Santíssima Trindade.

Por que a Assunção de Nossa Senhora?

Uma razão da conveniência deste magnífico acontecimento é a restituição prestada a Deus por todos os benefícios concedidos ao gênero humano.

Uma vez que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade desceu dos Céus para Se encarnar, trazendo ao mundo a divindade humanizada, seria justo que uma pessoa humana fizesse um oferecimento harmonicamente contrário e levasse para o Céu o melhor da santidade, o que de mais belo, excelente e extraordinário pudesse existir na Terra: a humanidade divinizada. Tal missão foi reservada a Maria.

Por outro lado, Ela foi o sacrário do Filho de Deus durante os nove meses nos quais gerou a humanidade santíssima de Cristo. Era compreensível que, havendo-O recebido como tabernáculo na Terra, também Ele A recebesse em seu Santuário Celeste.

Esta Solenidade da Assunção nos abre grandes portas e um caminho florido e cheio de luz, no que diz respeito à salvação eterna. Diante do penhor de nossa ressurreição, que nos é dado pelo mistério da Assunção de Maria Santíssima, deveríamos nos considerar mutuamente uns aos outros segundo esse ideal, como se estivéssemos já ressurrectos, pois, acima do abatimento e das provações desta vida, brilha a esperança da glorificação para a qual rumamos.

Como celebrar a festa da Nossa Senhora da Assunção

Vivamos buscando os bens do alto, e que nosso pensamento acompanhe o trajeto seguido por Maria Virgem. Ela penetrou no Céu em corpo e alma e foi exaltada; nós, na hora presente, como não podemos adentrá-lo fisicamente, façamo-lo ao menos em desejo.

Voltemo-nos para o trono de Maria Assunta, e assim receberemos graças sobre graças para estarmos sempre postos nesta via que nos conduzirá à ressurreição feliz e eterna, quando recuperaremos os nossos corpos em estado glorioso.

Por isso, pondera Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, a Assunção deve ser considerada como “a festa de todos os gáudios e todas as alegrias, a festa do dia em que Nossa Senhora, ressurrecta, foi levada aos Céus em corpo e alma.”

O Reino do Imaculado Coração de Maria terá especial apreço por esse mistério pois, junto à Encarnação, ele constituiu o maior portento da História.

De fato, a Encarnação e a Assunção formam um arco gótico, que resume todo o plano da criação. Na Encarnação, Deus desce para viver entre os homens; na Assunção, Maria sobe para viver entre as Três Pessoas Divinas. Na Encarnação, Deus santifica a terra com sua presença; na Assunção, a criação inteira se eleva ao Céu em Maria, tornando-se divinizada.

Mons João Scognamiglio Clá Dias,EP

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, vol. II.

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