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sexta-feira, junho 17, 2022

Igreja Católica cresce escondida na Coreia do Norte

Arcebispo coreano: As árvores brotam novos rebentos em cada galho, a cada ano. Assim também crescem os católicos que se escondem em algum lugar no norte.

Foto: Andres De Santis en Unplash

Foto: Andres De Santis en Unplash

Redação (17/05/2022 16:32, Gaudium Press) O ancião Mons. Victorinus Youn Kong-hi, 97, Arcebispo Emérito de Gwangju na Coreia do Sul, disse acreditar que a Igreja Católica está crescendo em seu vizinho do norte, a comunista, sombria e controlada Coreia de Kim Jong-un.

Crescendo sub-repticiamente e sob ameaça de perseguição, bem entendido.

As declarações do prelado foram compiladas no livro “A História da Igreja da Coreia do Norte”, uma obra baseada em 8 entrevistas com Mons. Victorinus no ano passado, coletadas pelo escritor Kwon Eun-jung.

É curioso que o arcebispo tenha nascido em uma área que hoje está sob o domínio do despótico Kim. Em suas entrevistas, o bispo Victorinus conta a história do florescimento da Igreja antes da divisão da Coreia. Destacou o crescimento do trabalho social com os mais pobres, como assistência médica, escolas, além de outras obras caritativas.

Memórias que não se esquecem

O arcebispo narra – revivendo a emoção – o dia em que o sino de emergência tocou no mosteiro e seminário beneditino de Tokwon, perto de Wonsan, cidade localizada no centro-norte da antiga grande Coreia, hoje sob o jugo comunista. Era meia-noite do dia 9 de maio de 1949 e os japoneses não exerciam mais um protetorado sobre esses territórios.

O abade do mosteiro beneditino e bispo, Mons. Bonifácio Sauer, nascido na Alemanha, foi capturado pelos comunistas, quando Mons. Victorino ainda era um mero seminarista lá.

Suas últimas palavras aos seminaristas foram: “Como o Senhor chamou e como o Senhor fez, devemos sair para a morte com incontáveis ​​mártires. Agora, peço-lhes que continuem neste lugar sem mim. Voltem e descansem em paz. Vamos nos encontrar no céu.” Mons. Sauer foi martirizado na prisão.

Os comunistas então expulsaram os monges e seminaristas do mosteiro. Mons. Youn e o Bispo Daniel Tji Hak Soun fugiram para o sul e chegaram a Seul em 17 de janeiro de 1950, onde puderam comprar leite e chocolate, além de “sentir o ar da liberdade”. Mons. Victorinus Youn foi ordenado sacerdote pouco tempo depois, em março, e depois foi para Roma, onde estudou em duas universidades pontifícias de 1957 a 1960.

Mas várias vezes ele voltou ao norte para visitar sua família, especificamente para a capital Pyongyang, onde se reuniu com um irmão e uma irmã em 1985.

Ele foi o primeiro bispo da diocese de Suwon em 1963, e depois arcebispo da diocese de Gwangju em 1973, governando essa sede até o ano 2000. Ele também foi presidente da Conferência Episcopal de seu país de 1975 a 1981.

Para o arcebispo, a publicação do livro é um sonho que se torna realidade. Ele continua a rezar pela Igreja norte-coreana, pois certas estruturas permanecem, e que continua a “crescer escondida, como as árvores do seminário de Tokwon”, seu seminário.

“Árvores brotam novos rebentos em cada galho a cada ano. Assim também crescem os católicos que se escondem em algum lugar no norte”, afirmou.

Com informações Crux.

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