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quinta-feira, julho 29, 2021

Léon Bourjade: de célebre aviador a desconhecido missionário

A vida desse grande ás da aviação e herói missionário da Papua Nova Guiné é um exemplo que abre horizontes para nossos tempos.

Redação (16/03/2021 10:09, Gaudium Press) Léon Bourjade, o célebre aviador da 1ª Grande Guerra e missionário de Papua Nova Guiné, nasceu em Montauban (França), no dia 25 de maio de 1889, de família católica.

Tendo uma infância impregnada pelos valores católicos – apesar do grande movimento anticlerical do início do século XX – conservou uma especial devoção a Santa Teresinha do Menino Jesus. Isso, aliás, faria com que seu mecânico instalasse em seu avião uma placa com a estampa da referida santa.

Almejando ser sacerdote missionário, foi mandado, em novembro de 1908, a Canet de Mar (perto de Barcelona), a fim de ingressar na ordem conhecida pelas missões na Oceania: a dos Padres do Sacré-Coeur.

O mais belo ainda está por vir!

Ora, ao contrário do que se poderia prever para uma tão específica vocação, Léon Bourjade foi convocado, na primavera de 1914, para assumir o uniforme militar e apresentar-se ao 23º Regimento de Artilharia em Toulouse. Pouco tempo depois, foi transferido para o 75º Regimento.

Houve um interrogatório feito por sua irmã, Rose, o qual bem demonstra seus anseios mais profundos e, de maneira especial, sua seriedade perante o dever:

       – Qual virtude lhe parece a mais estimável?

       – A da verdadeira coragem.

       – Qual sorte lhe parece a mais desejável?

       – A que coroa a vida de um santo.

       – Qual sorte lhe parece a mais lastimável?

       – A morte de um pecador que recusa o perdão de Deus.

       – Qual é a sua ambição?

       – Eu sou soldado, é a de cumprir todo o meu dever.

       – Qual lema escolheria se precisasse de um?

       – Deus e a pátria.

       – Qual foi o mais belo momento de sua vida?

       – O mais belo ainda está por vir.[1]

Através disso se percebe o quanto o amor de Deus regia o cerne de suas aspirações.

Em 9 de abril de 1917, Bourjade conseguiu, afinal, o que tanto desejava para sua carreira militar: entrar para a aviação. Empreender essa tarefa não era fácil, ainda mais se considerarmos o incipiente desenvolvimento da aviação, ainda em seu nascedouro. Entretanto, de tal maneira o Aviador de Santa Teresa a realizou com êxito, que logo se tornou comum dizer “atterrir comme un Bourjade”,[2] fazendo alusão às suas manobras e aterrissagens arriscadas.

Êxitos conquistados pelo céu

Sua fama não se devia, contudo, apenas às manobras, mas especialmente à quantidade – enorme para a época – de aviões inimigos que abateu; no final da guerra, a 11 de novembro de 1918, havia o piloto de Santa Teresa totalizado 67 combates aéreos, com 26 vitórias homologadas. Seus companheiros chegaram a afirmar que foram 40 vitórias. Dessa maneira, Léon foi integrado na Légion d’Honneur, sendo ele o mais jovem oficial.

Por último, falta mencionar aquilo que fez de Léon Boujarde um herói: o auxílio de Santa Teresinha do Menino Jesus. Por várias vezes os mais próximos puderam comprovar o quanto a santa o protegeu, e em questões realmente “de vida ou morte”: desviando balas, consertando falhas técnicas, direcionando projéteis, etc.

Assim se encerra a vida militar de Bourjade. Menos de um ano depois de finda a Guerra, ele partiu para Friburgo, onde recebeu afinal o que realmente queria: foi ordenado sacerdote em 26 de agosto e recebeu a missão de ir para Papua Nova Guiné, onde atracou em 27 de novembro.

De aviador a missionário

A região da ilha que recebeu para cuidar foi Waïma. Era um lugar repleto de incômodos físicos e morais, característica da incivilidade do povo que lá habitava. Apesar de tudo, o que mais o atormentava era não poder levar a todos o manancial da Igreja Católica.

Sendo exímio pastor, professor e até mesmo construtor, tomou como região de apostolado também Maéra-Era, o que o obrigava a fazer alguns dias de percurso a cavalo e em canoa.

Debilitado pelos crescentes trabalhos, Léon Bourjade começou a ter fortes febres e sua saúde abalou-se muito. Embora houvesse insistência dos que o rodeavam, não consentiu em pedir a cura a Santa Teresinha, mas resolveu aceitar todos os sofrimentos com muita resignação.

Apesar de sentir-se fraco e estar piorando cada dia mais, não negligenciou nenhum de seus deveres sacerdotais e apostólicos. Entretanto, sabia que a morte lhe estava próxima. Isso, de fato, ele externou dias antes, quando recebeu a extrema unção.

Assim, Léon Bourjade, o grande aviador e o exímio missionário, aos 35 anos, rendeu sua alma a Deus no dia 22 de outubro de 1924.

* * *

Como é agradável aos olhos do Divino Redentor alguém que abraça sua cruz por inteiro, não se importando com as glórias mundanas, certo de que um lugar lhe está reservado no Reino dos Céus.

Por Luiz Eduardo Trevisan


[1] BENOIST DE SAINT ANGE, Henriette. Léon Bourjade. Saint Rémi, 2009, p. 106

[2] Do francês: “aterrissar como um Bourjade”.

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