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domingo, setembro 26, 2021

“Mais vale acender uma luz que maldizer as trevas”

São Caetano de Thiene, fundador dos Teatinos, logrou manter acesa a tocha da santidade e da disciplina em tempos difíceis para a Santa Igreja.

 Redação (06/08/2021 17:08, Gaudium Press) São Caetano nasceu no ano de 1480 na bela Vicenza, parte então da célebre República de Veneza, de pais nobres e piedosos.

De sua mãe, fervorosa terciária dominicana, o jovem assimilou desde cedo grande repulsa à vaidade e às glórias mundanas. Não obstante, aos 20 anos encetou os estudos de direito a fim de constituir uma promissora carreira. Sua vida, porém, passaria por certos giros, antes de a Providência tornar claro aos seus olhos sua missão.

Uma sociedade em ruínas

Ao concluir seus estudos, mediante favores de um alto eclesiástico de então, São Caetano assumiu o cargo de protonotário apostólico no Vaticano – função prestigiosa, acrescida de muitos afazeres –, exatamente durante a época áurea do renascimento.

Em meio àquela faustosa corte de Júlio II, Caetano não se deixou levar pela exagerada e nociva influência que fazia da cidade eterna um centro humanístico de letras e artes: a imponente basílica de São Pedro. Em construção, elevava-se dia após dia; famosos artistas a decoravam — é preciso dizer, muitas vezes tão talentosa quanto impudicamente… — os recintos vaticanos; prelados exibiam sua suntuosidade em banquetes e festas, e Caetano continuava reticente em seus inúmeros trabalhos.

Homens mundanos como estes que o cercavam pareciam mais “viajantes que, ao chegar à pousada, se embriagam e perdem o caminho de sua pátria”[1], como afirmaria mais tarde; nestes dias algo entrava em gestão naquela mente pura…

Mas os problemas não estavam só ali, nem apenas nas artes, mas era a Igreja que urgia por uma reforma que, por fim, começou-se a empreender.

 A porta que se abre…

Em 1512, o Papa convoca o Concílio de Latrão, medida aplaudida seriamente pela maioria dos católicos.

Nesta imensa tarefa esforços houve, orações também; mas um ponto estava sistematicamente esquecido, que se resume no lema que Caetano tomaria a partir de então: reformar-se a si mesmo antes de reformar os demais. Com o desejo de ser um instrumento dócil e útil nas mãos de Deus, decide-se pelo sacerdócio, que recebeu em 1516, aos 36 anos.

Com sua admissão no estado clerical, Caetano pôde começar sua obra; aqueles anos que passou em Roma deram-lhe não poucas informações de como deveria rumar para seu objetivo.

Concebeu então um plano inovador: um instituto de clérigos unidos pelos sagrados votos, principalmente pelo de pobreza, apesar das funções que pudessem estes exercer. Não seriam monges, muito menos anacoretas; mas homens cheios de zelo pelo rebanho de Jesus Cristo, cumprindo o que Ele predisse: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo”.[2]

Com o auxílio de prelados e do próprio papa Clemente VII, Caetano funda, em 1524, a ordem dos Teatinos,[3] dando início ao primeiro dos institutos de clérigos regrantes, que tanto auxiliaram a Igreja neste período.

O santo dos dois concílios

A nova ordem dos Teatinos assumiu logo um estado de pobreza extremo: viveria apenas de esmolas, não podendo pedi-las, mas apenas recebendo-as de quem lhes quisesse espontaneamente dar. O próprio Caetano esquivou-se à nomeação para superior geral de sua fundação, concedendo o cargo ao Cardeal Gian Petro Carafa, futuro Papa Paulo IV.

Não faltou, por certo, quem os acreditasse loucos ou desvairados, inconsequentes e vagabundos, mesmo dentre os círculos eclesiásticos; a tudo isto, o santo costumava responder, como antes o Senhor: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã”.[4] Com essa conduta mais que exemplar, os Teatinos cumpriram, nos conturbados tempos da renascença e da reforma, o que seu fundador tinha como princípio motor: “Mais vale acender uma luz que maldizer as trevas”; ou seja, ser realmente luz para combater as trevas; pois, quem poderá vencer as trevas senão a luz?

Extenuado pelos trabalhos e fadigas apostólicas, Caetano expirou em 7 de agosto de 1547, podendo contemplar ainda mais um triunfo da Santa Igreja; ele que tomara a bandeira da reforma levantada no Concílio de Latrão, agora a via desfraldada em glória no de Trento.

Com razão Caetano pode ser considerado o “Santo dos dois concílios”, pois, em tempos tão funestos à disciplina cristã, logrou manter acesa a chama da radicalidade e santidade até a grande reforma.

Por André Luiz Kleina


[1] Cf. ECHEVERRÍA, Lamberto de. Año Cristiano: Agosto. Madrid: BAC, 2005, v. 8, p.159.

[2] Cf. Mt 5, 13-14.

[3] O nome Teatinos provém do nome da primeira diocese na qual se instalaram: Chieti, ou Teate.

[4] Cf. Mt 6,34.

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