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quinta-feira, outubro 21, 2021

Missa é interrompida em Santa Catarina e Arcebispo denuncia perseguição aos cristãos

“Tais fatos acontecem em regiões onde há perseguição contra os cristãos. Não esperava passar por esta experiência em Botuverá”, afirmou o Arcebispo de Florianópolis.

Santa Catarina – Botuverá (02/12/2020 15:00, Gaudium Press) No último sábado, 28 de novembro, as autoridades sanitárias de Botuverá, cidade localizada no interior de Santa Catarina, interromperam a celebração de uma Missa de Crisma.

A cerimônia, na qual participavam 78 crismandos, era presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, no salão da Paróquia de São José, com o objetivo de possibilitar a adoção do distanciamento social.

Entretanto, na metade da celebração, a secretária de Saúde de Botuverá, Márcia Adriana Cansian, chegou com a vigilância sanitária e a polícia para interromper a celebração, alegando que estavam sendo violadas as normas de prevenção contra a Covid-19.

Um atentado contra a Fé Católica

“Conseguimos levar até o final da crisma, sendo crismados os participantes. Entretanto, na hora da comunhão nos foi avisado que iriam entrar com os policiais. Então, o Bispo decidiu fazer a oração final, agradecer e dar a benção”, contou o Pároco, Padre Paulo Riffel.

O sacerdote classificou o ocorrido como “um atentado contra a Fé Católica”. Pois os fiéis foram impedidos de comungar, e o Bispo, que é a autoridade máxima, não chegou a ser notificado ou comunicado anteriormente.

Encontro com o prefeito de Botuverá

Padre Paulo Riffel explicou que na manhã da quinta-feira anterior ao fato, a vigilância esteve no local e inclusive auxiliou a organizar o espaço. Entretanto, naquela mesma noite, o sacerdote recebeu uma mensagem através do WhatsApp indicando que a celebração deveria ser cancelada.

No dia seguinte, o presbítero se encontrou com o prefeito e, após conversa e análise jurídica, a celebração foi liberada. Foram observadas as normas para o culto religioso da Santa Missa, para a qual se permitiu apenas 30% da capacidade do templo que possui 1200 lugares.

Uma nota publicada pela prefeitura de Botuverá confirmou o encontro entre o prefeito e o sacerdote, entretanto, culpa o Ministério Público e a Secretaria de Estado de Saúde pela proibição por considerarem que se tratava de um “evento, além do entendimento de impossibilidade de garantia de cumprimento das regras vigentes diante do porte do evento”, diz a nota.

Perseguição contra os cristãos

Através de uma nota, o Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck lamentou o fato, recordando que normalmente, “tais fatos acontecem em regiões onde há perseguição contra os cristãos. Aproveitam quando a comunidade está reunida para atacar. Não esperava passar por esta experiência em Botuverá”.

Além disso, o prelado ressaltou que todas as paróquias são orientadas a seguir as normas impostas pela autoridade sanitária e que, no caso específico de Botuverá, “tudo estava organizado seguindo à risca as normas da autoridade sanitária: distanciamento, lugares demarcados para todos os participantes, fornecimento de álcool gel” e “todos os presentes usavam máscaras”.

Diferença entre uma missa e um baile de carnaval

O Arcebispo explicou ainda que “o fato da missa ter sido celebrada no salão deve ser visto sobretudo como um esforço para cumprir aquilo que é o espírito das normas sanitárias”. Entretanto, “causa revolta, quando o argumento usado é de que pelo fato da Missa ser celebrada no salão ela se tornava um evento e este era proibido”.

“Ora, se não se consegue ver a diferença entre uma missa e um baile de carnaval, se torna difícil conversar. Havia uma insistência para se achar um motivo para implicar. Sinceramente, não consigo encontrar o motivo para tal implicância. Mas deve haver um motivo”, afirmou indignado.

Dom Wilson concluiu sua mensagem dizendo que o que mais lhe feriu foi a ordem de interromper a missa. “Foram repetidas ameaças de que iriam entrar e acabar com a celebração. Preciso dizer que a celebração da missa não se interrompe na metade. Nos mais de 40 anos de sacerdócio, isto nunca me aconteceu”, lamentou. (EPC)

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