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segunda-feira, abril 18, 2022

Na Quaresma, orientemos nossos corações para Deus

Anualmente, a Igreja apresenta aos católicos um tempo de penitência e conversão. Mas, qual a necessidade de conversão daqueles que já são batizados? Não incorre em contradição uma Igreja que se diz santa, e sempre busca a penitência, na necessidade de purificar-se?

Redação (14/03/2022 17:35, Gaudium Press) A cada ano, a Igreja se reveste duas vezes de paramentos roxos para indicar tempos de preparação, penitência e perdão. Preparação para o Nascimento de Nosso Senhor, com o advento; e preparação para a paixão, morte e ressurreição, com a Quaresma.

A Quaresma é o tempo litúrgico da prática penitencial da Igreja.[1] Neste período, “o apelo é feito, em primeiro lugar, aos que ainda não conhecem a Cristo e seu Evangelho”[2] e, por outra parte, também aos já batizados é feito o apelo de Cristo à conversão contínua, à segunda conversão.[3]

A esse respeito, o melhor exemplo nos vem do primeiro Papa: S. Pedro, após a primeira conversão, tendo convivido diariamente com Nosso Senhor por alguns anos, ele ainda o negaria por três vezes. A segunda conversão de Pedro inicia-se no cruzar de dois olhares: o olhar misericordioso de Cristo cruza-se com os olhos lacrimejantes de seu Apóstolo.

Diante da dupla conversão, dirá S. Ambrósio: na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do batismo e as lágrimas da penitência”.[4]

A penitência é, portanto, um fator indispensável para a nossa “conversão cotidiana”.

Verdadeira Penitência

Os Evangelhos nos narram o quanto Nosso Senhor recriminava nos fariseus e doutores da lei a falta de interioridade nos atos religiosos. Assim, fiel ao ensinamento de seu Fundador, a Igreja prescreve a primazia da “penitência interior” sobre as exterioridades. Sem a penitência interior, “as obras de penitência continuam estéreis e enganadoras: a conversão interior, ao contrário, impele a expressar essa atitude por sinais visíveis, gestos e obras de penitência”.[5]

Assim, embora o jejum, a oração, a esmola e a peregrinação sejam atos de penitência recomendados pela Igreja, não passam de uma expressão da penitência interior, e de nada valem sem esta.

Penitência Interior

Em que consiste, então, a penitência interior?

“A penitência interior é uma reorientação radical do toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo o nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça”.[6]

Assim, aproveitemos esta Quaresma para, além de jejuarmos ou darmos esmolas, orientarmos nossas vidas para Deus.

Por Fernando Mesquita


[1] Cf. CEC 1438.

[2] CEC 1427.

[3] Cf. CEC 1428.

[4] SANTO AMBRÓSIO. Ep. 41, 12: PL 16, 1116B.

[5] CEC 1430.

[6] CEC 1431.

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