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O papel de Nossa Senhora na Igreja

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Nossa Senhora foi uma caixa de ressonância fidelíssima do comprazimento inefável de seu Filho, pois a Ele esteve estreitamente vinculada em toda a epopeia da salvação.

Nossa senhora ressurreicao

Redação (10/04/2024 12:17, Gaudium Press) A Santíssima Virgem é, no mais alto sentido do termo, a Corredentora dos pecadores. Embora sua cooperação na Paixão de Cristo não fosse per se necessária, ela assim se tornou pela vontade do Pai das Luzes, que em seus divinos arcanos determinou dar ao Novo Adão uma companheira fiel, em contraposição à primeira mulher prevaricadora que arrastou Adão ao abismo do pecado.

Por essa razão, os mais antigos Padres da Igreja designam Maria como a Nova Eva, toda santa, imaculada e obediente. Sua cooperação reparou da forma mais bela a falta do primitivo casal, culpado de rebeldia e causador das desgraças da humanidade.

São João, em seu Evangelho (cf. Jo 19, 25-27), faz questão de sublinhar o papel compassivo da Virgem-Mãe à sombra da Cruz. Ela permaneceu de pé assistindo ao sacrifício do Cordeiro de Deus e, com espírito sacerdotal, O ofereceu ao Pai Celeste num ato de suprema submissão. As dores lancinantes do Filho foram compartilhadas pela Mãe, que junto a Ele Se imolava com ardente desejo de arrancar das garras imundas de Satanás as almas atadas pelo pecado e escravizadas pela morte.

Unidos na dor, inseparáveis na vitória

Em consequência, os Corações padecentes de Jesus e de Maria, unidos e como que unificados pelos mesmos sofrimentos e por idêntica caridade, deviam provar em uníssono as consolações da Ressurreição. É por isso que inúmeros Santos afirmam ter sido Nossa Senhora a primeira a encontrar-Se com o Senhor naquela madrugada carregada de bênçãos da verdadeira Páscoa.

Todavia, nossa piedade filial nos leva mais longe. Pelo estreito laço sobrenatural existente entre os dois e pelo dom da permanência das Espécies Eucarísticas, certamente Maria Santíssima acompanhou passo a passo, em seu interior, todos os episódios da Paixão de seu Filho, assim como a Ressurreição. A seguir, deve ter recebido a visita de Jesus pleno de vida e de regozijo, sendo seu espírito maternal então cumulado das mais sublimes alegrias.

Corredentora

Nossa Senhora foi sempre um mar de recolhimento profundo, transparente e virginal. Ela guardava e conferia em seu Coração cada gesto e cada palavra de seu Divino Filho, com uma sede infinita de compreender e de amar o significado dos mais variados matizes que sobre Ele Lhe iam sendo revelados. Desse modo, seu espírito tornou-se perseverante, forte e resistente. Ela permaneceu em pé junto à Cruz, acompanhada tão só das Santas Mulheres e de São João, que por Ela nutria uma filial afeição. Os demais discípulos conservaram-se distantes e medrosos.

Somente Maria pôde com toda a propriedade sofrer com o Cordeiro Imaculado, e unir-Se a Ele no sacrifício que fazia de Si mesmo. Nossa Senhora foi, de alguma maneira, vítima com a Suprema Vítima e sacerdote com o Divino Sacerdote. Não se tratava de um sacerdócio sacramental, como o dos Bispos e presbíteros, mas de uma participação direta no próprio sacerdócio de Jesus, Sumo Pontífice da Nova e Eterna Aliança, que, neste caso particularíssimo, dava-Lhe a prerrogativa de, ao consentir em cada passo da Paixão de seu Filho, ser de certa forma Ela mesma quem O oferecia ao Pai.

A Santíssima Virgem tornou-Se, portanto, Corredentora com o Redentor, glória quiçá superada apenas pela Maternidade Divina.

E se árdua foi a luta, altíssimo foi o prêmio e indizível a alegria. Contemplando esse gáudio marial que se acendeu no preciso momento de o Senhor da glória retomar o seu Corpo, podemos nos elevar à felicidade sem limites que inundou para sempre o Coração Sacratíssimo de Jesus.

Uma Igreja marial

Emerge uma questão de capital importância a respeito do futuro da Igreja: se o papel de Maria, Mãe de Deus e nossa, foi crucial por ocasião da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, no sentido de manifestar com um esplendor único a virtude da esperança, tão ofuscada no espírito dos discípulos, qual será a missão d’Ela na atual conjuntura, em que a verdade revelada é esquecida, ridicularizada e até calcada aos pés por lobos disfarçados de pastores?

Ademais, se Jesus quis que o dom precioso da fé fosse conservado por sua Mãe quando todos vacilavam, não terá consagrado a Ela o encargo de zelar com maternal cuidado pela integridade da fé dos Apóstolos dos Últimos Tempos, anunciados por profetas da envergadura de um São Luís Maria Grignion de Montfort? E como será essa virtude em homens e mulheres chamados a esperar contra toda esperança?

Pode-se pressagiar uma fé toda marial e, portanto, uma fé audaz, invencível e gloriosa; uma fé ardente, que incendiará o mundo e renovará a face da terra, inundando-a de exultação.

Dessa fé nascerá uma Igreja marial, capaz de atrair irresistivelmente as almas que se convertam diante das manifestações imponentes da misericórdia e da justiça de Deus; uma Igreja que, como Nossa Senhora, será guerreira indomável e, com a força que lhe virá do Espírito Santo, expulsará para os antros do inferno a Satanás e seus sequazes; uma Igreja radiante de santa alegria, animada de entusiasmo divino, que com o sorriso da Virgem-Mãe iluminará de forma irresistível o universo inteiro.

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n. 256, abril 2023. Por Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP.

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