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quarta-feira, julho 28, 2021

O que significa a ida dos Reis Magos a Belém?

Ao ver aqueles Reis de terras longínquas tomados de enlevo pelo Deus Menino, confirmou-se a profecia: “Os reis de Társis e das ilhas Lhe trarão presentes […] Todos os reis hão de adorá-Lo”.

Redação (06/01/2021 11:18, Gaudium Press) Jerusalém adormecia calmamente, na medíocre pacatez de uma vida sem sobressaltos, quando nas últimas luminosidades da aurora uma ruidosa e solene caravana fez ingresso por sua porta oriental.

Herodes foi imediatamente alertado em seu palácio, pois aqueles misteriosos personagens repletos dos charmes orientais pediam-lhe audiência. O assunto a ser tratado não era comercial, nem político, mas… religioso!

Perguntaram eles: “Onde está o Rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2, 2).

O tetrarca e toda Jerusalém, despertada pela curiosidade, ficaram perturbados. Reação estranha para quem competia estar na ansiosa espera do Messias que salvaria Israel de seus inimigos. Não deveriam ter se alegrado por ver a mão de Deus conduzindo estrangeiros a adorar seu Ungido?

Apanhado de surpresa, o cínico tirano reuniu os escribas e interrogou-os sobre o lugar onde haveria de nascer o Cristo.

Conhecedores das profecias, com fria ciência indicaram a Cidade de Davi, como anunciara Miqueias (cf. Mq 5, 1).

Os Magos estranharam o mal disfarçado descaso geral. Imaginavam eles encontrar uma cidade em festa pelo Rei recém-nascido, e se depararam com a indiferença intelectualista dos escribas, a desconfiança dos judeus e a ignorância de Herodes. Que enorme decepção! A isso se somava o fato de a estrela ter desaparecido. Por que razão?

Recomposto do susto, Herodes começou a tramar em seu coração. Assim, chamou secretamente os Magos e lhes disse, simulando a mais piedosa das intenções: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o Menino. E, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-Lo” (Mt 2, 8).

Seus planos eram, todavia, bem diversos, como mostra o próprio Evangelho.

A estrela

Os Reis, vindos de longe e viajando em companhia de uma estrela, não temiam a noite, tanto mais que o firmamento estava límpido como um cristal ornado de luzes.

Partiram imediatamente rumo a Belém, e eis que a estrela reapareceu diante deles, causando-lhes grande contentamento. Dir-se-ia que Herodes e os habitantes de Jerusalém não eram dignos de avistá-la…

Guiados pelo Anjo, que assumira a aparência de astro, encontraram sem dificuldade o lugar onde estava o Menino. O Santo Casal, avisado misticamente da simpática e pitoresca visita, havia organizado uma pequena cerimônia para acolher os Magos, segundo a solenidade própria a Jesus.

Como chefe de família, São José os aguardaria à entrada da casa, enquanto Nossa Senhora permaneceria dentro, com o Menino em seu colo, tendo as luzes acesas e algumas iguarias preparadas para a comitiva.

Os Magos surpreenderam-se com a singeleza do lugar, oposta à majestade do varão que os acolhia. O contraste com Jerusalém era patente. Lá haviam se deparado com a suntuosidade do Templo e dos edifícios, assim como com o luxo da corte de Herodes; as pessoas, porém, estavam muito abaixo da magnificência dos prédios.

Em Belém dava-se o contrário! Por sua intuição oriental, deduziram que o futuro estaria marcado pelo espírito da Sagrada Família, e que à sombra dela nasceria uma civilização muito mais fulgurante que a existente na capital da Judeia.

Tomados pelo clima de bênçãos do ambiente, entraram na casa em solene cortejo e encontraram o Menino embalado com ternura nos braços de Maria. Então “ajoelharam-se diante d’Ele, e O adoraram. Depois abriram seus cofres e Lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2, 11).

O convívio vivaz e ao mesmo tempo sacral que se seguiu à entrega dos presentes marcou para sempre a alma daqueles homens generosos e audazes, que haviam empregado sua ciência em pesquisar os desígnios divinos com vistas à salvação, e não ao lucro.

De retorno a seus países de origem, os Magos foram avisados em sonho para não voltarem a Herodes, motivo pelo qual escolheram outro caminho. Cumprira-se o anúncio profético do Salmo: “Os reis de Társis e das ilhas Lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá Lhe oferecerão seus dons. Todos os reis hão de adorá-Lo, hão de servi-Lo todas as nações” (71, 10-11).

A adoração dos Magos abriu panoramas grandiosos. Esperava-se fervorosamente a Redenção de Israel, mas, ao vir aqueles Reis de terras longínquas, significava que a salvação operada por Jesus seria universal!

Desse modo se entendia o oráculo de Isaías: “No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. Para aí acorrerão todas as gentes, e os povos virão em multidão: ‘Vinde’ – dirão eles –, ‘subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó: Ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas’. Porque de Sião deve sair a Lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor’” (2, 2-3).

Previa-se, assim, o nascer de um novo Israel, não mais formado com base nos vínculos de sangue, mas nos laços muito mais sólidos da fé.

 

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. Mons João Scognamiglio Clá Dias, EP.

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